Vai para Petrolina, na margem pernambucana do Rio São Francisco. Em especial para as mestras e e ex-alunas do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora ( a exemplo de Socorro, Margarida Gracinha, Márcia e a mana Regina , esteios deste Bahia em Pauta), referência em qualidade de ensino e educação no Nordeste e no País.

Dedicatória afetuosa de um agradecido ex-aluno salesiano do Coiégio Dom Bosco, na mesma cidade do coração.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 24 Maio, 2015 at 17:28 #

Caro VHS

Lá pelos idos dos meu 14 anos, em confusa rebeldia, submergi em território Salesiano.

Foram estranhos 6 meses, minha vitrolinha portátil com os Rolling Stones, me ampararam.

Sobrevivi, Dona Luiza, minha mãe, merecia aquele descanso.

O cigarro era permitido, após as dispersas refeições, na madrugada, no vasto lavatório, a nicotina fazia estoque.

Na fanfarra, o surdo real me anistiava e entregava a rua, as calçadas, as meninas de então.

Com calma, atenção e sensação de poder dos que sabem, foi possível garantir a cada dois dias, uma Brama gelada, pelo preço de três, entregue em hora vazia no refeitório. deixada sempre acompanhada de copos limpos por um dos padres.

A cidade era Lins, não tao distante da Marília, mas cheirava a exílio!


vitor on 24 Maio, 2015 at 21:00 #

Fontana:

Maravilha de depoimento do poeta de Marília, que agora sei DE HERANÇA INTELECTUAL SALESIANA forjado em Lins.Mais um traço de união que me alegra. Já havia percebido ( ou desconfiava) nos traços do pensamento e dos escritos.Ótimo, a confirmação.

Mais ou menos na mesma idade ou um pouco MAIS novo, talvez, menos rebelde , meus velhos me levaram aos portais do colégio salesiano Dom Bosco, da cidade pernambucana de Petrolina, uma referência em qualidade de ensino no Nordeste.

Quando cheguei, o Dom Bosco acabara de abolir o internato. Fiquei solto em Petrolina, no tempo em que Arraes e Dom Avelar Brandão Vilela ( o irmão de Teotônio) eram quem mandavam em Pernambuco. E a Radio Jornal do Comércio e a Difuso Marabá falavam do mundo.

No mais, as experiência foram praticamente as mesmas, salvo a do cigarro, que por pirraça com os colegas, havia decidido desde o o primeiro dia de aula que nunca fumaria. Apostei tudo na Brahma e no Cuba Libre (com Ron Bacardi fabricado em Recife).

No mais era a madeira bruta e o gosto pela leitura, pela música, pela arte e pelo conhecimento., tudo que um educador salesiano mais gosta e precisa para forjar um jovem e fazê-lo crescer “para salvar o mundo” ( ideal cristão e
romântico de Dom Bosco), ou mesmo formar um ateu que acredita em milagres, como este que vos fala.
TIM TIM!!!


regina on 24 Maio, 2015 at 22:59 #

Ah, Petrolina de minha infância e principio de juventude, como esquecê-la?!
São muitas as estórias daqueles tempos em que moráva-mos ao lado do enorme Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, eu sempre abrindo fogo contra os ensinamentos que não seguiam as praticas, sempre curiosa por descobrir que escondiam as freias debaixo de tanto pano… rsrsr
Mas, gostaria, com sua permissão, Vitor Hugo, trazer uma das “lembranças” mais gratas que nos restou de Petrolina que é a nossa querida Mariana, aniversariante do mês de Maio (19), a caçula da nossa familia. Para ela fiz uma pequena homenagem no meu blog “Sussurro”
http://regina-sussurro.blogspot.com/

MARIANA
Era uma tarde tíbia de Maio, brincava na casa ao lado, quando minha mãe me chamou, calma como sempre: “Vai chamar sua madrinha e diga a ela que tá na hora”
Depois de algumas horas podemos todos entrar no quarto que cheirava a Alfazema e apreciar a beleza de criança que nos deixou todos de boca aberta, nunca havia visto um bebe tão lindo, até então!!!
Dai em diante muita agua rolou por debaixo da ponte, na maioria das vezes tranquilas, convulsas em muitas passagens. Mariana fez e faz sua vida de acordo com ela mesma e por seus próprios esforços. Sobretudo séria, responsável (ela costuma dizer “que nasceu velha”),disciplinada, generosa e com uma alma alegre e juvenil foi abrindo caminhos, brilhando nas escolas, distinguindo-se em concursos onde chegava sempre nos primeiros lugares, com seu esfôrço e estudo.
Mariana brilha quando canta, quando se olha no espelho, quando vê o lado bom do mundo, assim como entristece e se fecha à tudo que destoa dos seus gostos.
Que a vida lhe sorria sempre, querida mana, e que aquela menina do vestido azul não deixe nunca de habitar em você!!!

Abraços Salesianos…


Gracinha on 25 Maio, 2015 at 3:09 #

Salve!!! Muitas recordações do colégio N. S. Auxiliadora, onde estudei o curso primário e ginasial. recodo-me das lindas fardas, de algumas mestras, principalmente Ir. Dourado, parenta de minha mão. aprontei muito, ao ponto de ter sido suspensa varias vezes… por tão pouco motivo se levarmos em conta os dias atuais. adora o recreio, ponto alto do dia em que muito nos divertia jogos de pingue pongue e baleado. A capela uma beleza a parte, até hj qdo rezo lembro dos ensinamentos faz freias. O 24 de Maio era dia de festa máxima. Muito boa experiência.


Gracinha on 25 Maio, 2015 at 3:15 #

Para os ex alunos dos colégios de Petrolina e juazeiro está programado grande evento “Anos dourado”, serão 3 dias de intensa programação tendo como ponto alto baile na 21 de setembro dia 18/07. Tem o site no facebook. tenho me divertido demais c as fotos que postamos daquele tempo maravilhoso. Tb estudei o cientifico no D. Bosco.


Mariana Soares on 25 Maio, 2015 at 9:59 #

Não estudei em escola de freiras, mas, no primário, como se chamava na minha época, estudei em uma escola cuja diretora era uma senhora muito severa, retrógrada e cheia de preconceitos.
Regina sempre me ajudou nas tarefas escolares, além de ter me iniciado no gosto, que até hoje carrego, pela moda.
Certa feita, Regina fez, como sempre fazia, um lindo vestido azul para eu vestir na festa junina da escola. Eu tinha menos de dez anos e, como disse Gracinha, na época isto significava total e absoluta inocência. O vestido era de organza azul no colo e florido dali para baixo. Toda modéstia a parte, eu estava linda, além de radiante de alegria. Quando cheguei na escola, a diretora, que chamava-se D. Mariinha e vestia-se sempre de preto desde que perdera o marido, me chamou na sala da diretoria, o que já era uma vergonha e apreensão à época, e disse que meu vestido era MUITO INDESCENTE e que eu não poderia dançar a quadrilha, como estava previsto e ensaiado há semanas. Fiquei desolada, além de chorar muito, como faço até hoje quando as tristezas e decepções me afligem a alma. Morava perto da escola e para casa eu voltei, aos prantos. Chegando lá, contei o ocorrido e Regina não deixou passar batido. Me pegou pela mão e comigo retornou à escola e lá disse poucas e boas à Diretora, mostrando a ela onde, de fato, estava a maldade e a indescência a que ela tinha reputado a um vestido de uma criança completamente inocente e infantil, como eu era.
Participei da festa, dancei a quadrilha, alegre e satisfeita!!! E a Diretora nunca mais mexeu comigo!
Jamais esqueci esta cena da minha vida! Acho que ela foi decisiva para que eu crescesse livre e independente. Cresci e me tornei uma mulher pronta para a vida e para o amor. Indescência para mim passa muito longe da escolha das minhas roupas e assim também me porto em relação as outras pessoas.
Se Regina não tivesse me mostrado isto naquela época, talvez tudo fosse diferente e eu não seria a pessoa que sou hoje e de quem, graças a Deus, me orgulho tanto, modéstia a parte.
Assim, mais uma vez, lhe agradeço, Regina, por ter feito tanto por mim na minha infância e por ter sido, como é até hoje, tão importante na minha vida.
Neste maio, 19, acabei de fazer 53 anos de idade, muito bem vividos, graças a Deus. Lutas não faltam na minha vida, mas sigo firme e alegre, graças a Deus!
Que Deus te dê em dobro tudo de bom e decisivo que vc me deu nesta vida!!!


luiz alfredo motta fontana on 25 Maio, 2015 at 11:37 #

Caro VHS

Foram 6 meses, um exílio inesperado, talvez um hiato, foi também a última vez que tive contato com a igreja, aos 15, já de volta ao mundo secular, as bibliotecas eram o meu sagrado, a literatura meu horizonte.

Entre os 15 e os 20, os movimentos culturais, o teatro amador, Brechet, Dürrenmatt, Oswald de Andrade, ainda os Rolling Stones, Edu Lobo, Capinam, Vinicius, Jobim, Caymmi, Tom Zé, Bach, Vivaldi, os filmes noir sempre reprisados nos cinemas do interior, os filmes franceses, os westers, Antonioni, Fellini, Visconti, a cerveja, a capirinha, Cuba Libre, o Scotch sendo apresentado em raras ocasiões, as conversas sem fim ao pé dos balcões de bar, Sampa sendo descoberto na noite, entre o Bar Redondo e o Riviera.

E no ar, mesmo em noites enluaradas, o sufocamento de Médici, 477, AI-5, e outros pesadelos da época.

6 meses no Salesiano foi assim, apenas um hiato, um exílio, uma despedida de um tempo.

Sobrevivi.


vitor on 25 Maio, 2015 at 13:25 #

Fontana

Um dia, no Uruguai, Brizola, em momento de forte tensão política e muita saudade do seu Rio Grande (bem alí pertinho do Prata). me disse: “Olha, baiano, o exílio, seja por quanto tempo for, nunca mais sai da alma da gente”.Tim Tim!!!


luiz alfredo motta fontana on 25 Maio, 2015 at 13:42 #

Não mesmo, tatua e define.

Outros exílios apenas confirmaram o primeiro.

O olhar distraído firmou-se em certa tristeza.

Somos sobreviventes VHS.

No meu caso, por mais que resista à ideia, testemunha, para além do roteiro.

Dai a tristeza!

Tim Tim!!!


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