DEU NO BLOG POR ESCRITO

OPINIÃO

O país que só tem dois juízes

Brasileiros vibram com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, acreditando que estamos ingressando numa nova etapa da história, em que políticos e grandes empresários são presos e indiciados sob a acusação de crimes diversos.

Ante tanto entusiasmo, contudo, cabe um pouco de prudência, pois a verdade é que já vivemos antes fases assim que não tiveram consequência – ao contrário, o quadro sempre voltava, e agravado.

Um exemplo é a deposição do ex-presidente Fernando Collor, no começo da década de 90. Quando se imaginava que a atividade política entraria nos trilhos, surgiu o escândalo dos anões do orçamento, levando à cassação de diversos deputados.

A eleição de Lula, em 2002, despertou esperanças, logo afogadas pelo escândalo do mensalão, que novamente resultou em prisões e condenações de importantes quadros de partidos da coalizão governista.

Quando se pensava que a lição havia sido suficiente, explode o petrolão, multiplicando, como em todos os casos anteriores, os valores perdidos para a corrupção e batendo um novo recorde – nunca antes se roubou tanto na história deste país.

Não há, portanto, razão para otimismo exagerado. E um dado é conclusivo sobre isso: temos um Poder Judiciário com dois magistrados – Joaquim Barbosa, que se aposentou, e Sérgio Moro, que se empenha em fazer sua parte.

É mesmo incrível que num país tão grande, de tantos crimes, tenhamos de depender da competência, determinação e honradez de apenas dois juízes. Qualquer pesquisa mostrará que a população só conhece esses dois.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 21 Maio, 2015 at 10:12 #

Não de hoje, mas de há muito mais tempo, um detalhe intrigava e intriga.

Embora Montesquieu assegure a igualdade dos poderes, na nossa imprensa, especialmente na cobertura jornalistica, a verdade é outra.

Nos grande jornais, nas tvs, nas revistas de âmbito nacional quem são os escalados para cobrirem o judiciário?

O que se publica ou se sabe dos corredores e escaninhos, dos óbices e dos atalhos da carreira?

Ou de outro lado, menos venturoso, quanto se gasta de laudas, embora, por óbvio a resposta seja nenhuma, para lançar luzes na razão que leva um magistrado a ter um número elevado de sentenças reformadas no tribunal, sem que sobre ele recaia quaisquer ônus?

Porém, laudas e mais laudas são utilizadas na tentativa diária de transformar em heróis nacionais, um ou outro magistrado.

Aqui, é bom lembrar que Barbosa é por origem, acredita-se por vocação, por escolha pessoal, representante do ministério público, esteve magistrado por escolha e decisão exclusiva de Lula. Já Moro é concursado.

O que existe, razões culturais devem explicar, é o desinteresse da mídia em ocupar-se do cotidiano deste poder, o menos democrático deles, sempre é bom lembrar.

Assim, o que se tem é o interesse da nação, inicialmente despertado, não pelo magistrado, mas sim pelos delitos e delinquentes envolvidos.

Cobre-se o judiciário como se cobre eventos culturais, busca-se a criação de mitos, perde-se em versões.

Como não se joga luzes nos detalhes que importam, não é de se estranhar que mesmo sob processos ruidosos, boa parte dos delinquentes restam, ao final destes, livres e soltos.

Sem contar os que embora deveriam figurar como principais réus, jamais são intimados, sequer a depor.

E mesmo assim, certos magistrados viram heróis ocasionais.

É como se Superman e Batman só prendessem os motoristas do bando.

Espera-se melhor destino no lava-jato, Moro, ao que parece, de forma discreta é bom louvar, vem construindo seu mister, porém, na prática “Teori(a)” pode ser diferente, ao menos quanto aos que detém mandatos.

Ao mais, a imprecisão de coberturas, feitas por profissionais, embora destacados nos cadernos políticos, alheios aos “encantos e desencantos” dos processos de estilo.


luis augusto on 21 Maio, 2015 at 10:50 #

É isso mesmo, caro Fontana. Já se disse que o Executivo é uma pessoa só, eleita e, em tese, fácil de se vigiar, o Legislativo, algumas dezenas, também dependentes do voto, esquadrinhados pela imprensa, mas o Judiciário são milhares e milhares, de cargo vitalício, os quais, como você aponta, ninguém sabe o que fazem.

Modernamente, temos uma facção do Judiciário que são os juízes de coluna social. Em vez de se dedicarem ao estudo e à Justiça, querem é badalação, o que é fácil, porque sempre haverá quem os bajule para assentar seus interesses na vizinhança dos grandes foros de decisão.

Num meio desses, qualquer um que cumpra ostensivamente seu papel ganha destaque. Mas sejamos justos com os mais de 200 magistrados brasileiros sob ameaça de morte pela coragem de suas ações, heróis anônimos, porque esses a imprensa não quer focalizar.


luiz alfredo motta fontana on 21 Maio, 2015 at 19:02 #

Lava-jato resvala perigosamente em Zé Dirceu, enquanto exercita respingos cada dia mais espessos junto à campanha de Dilma.

Será prudente, antes de comemorar, observar, atentamente, se na “Teori(a)” não será criado algum óbice do STF.

Por outro lado, fica no mínimo bizarra, a enorme distância entre caminhar da JF do Paraná e a paquidérmica inércia do STF.

Vale até Teori(zar) sobre o efeito paralizador de mandatos na senda judiciária

De forma alienada, a brava mídia, sequer esboça percepção, calando-se timidamente, como se natural fosse.

O PGR, por total sobra de tempo e energia, parece dedicar-se, só e arduamente, com a tal recondução, esta prenda pessoal cada dia mais travestida de quimera.


luiz alfredo motta fontana on 21 Maio, 2015 at 19:12 #

O que dizer, ou ler, do “namorado da Rose”, hoje já reconhecido pelo “jeito lobista de ser.

Terão fundamentos “Teori(cos)” para avançarem na trilha escura?

Xangô fez sua parte, nus estão.


jader on 30 Maio, 2015 at 8:59 #

Caro Luis Augusto, Acredito que o juiz moro ainda não leu “O Processo ” de Kafka. Se leu , deve ter ficado encantado.

http://tijolaco.com.br/blog/?p=27131
Não temos motivos para fazer tim,tim.
Abraço, jader


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos