Líderes do Congresso e governadores.
Lucio Bernardo Jr. (Câmara dos Deputados)

DO EL PAIS

Às vésperas da divulgação dos cortes de gastos públicos pelo Governo Federal, os governadores brasileiros mandaram um recado à presidenta Dilma Rousseff. Não querem que o ajuste fiscal, que prevê redução de gastos de cerca de 70 bilhões de reais, venha a piorar a situação dos Estados que já é sensível, em função dos atrasos dos repasses de verbas federais, desde o início deste ano. Convidados pelos presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos do PMDB, eles participaram de uma reunião em Brasília sobre Pacto Federativo, e aproveitaram para fazer seu panelaço particular diante dos desajustes financeiros, que estão sendo agravados com a queda da arrecadação em função da crise econômica. “Há contratos já assinados, desde o ano passado, parados na secretaria do Tesouro Nacional desde janeiro”, disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao final da reunião, que durou três horas, com a presença dos senadores e representantes da Câmara. “Há atrasos nas linhas de metrô e de PPP [parcerias público privadas] de hospitais. Nada andou”, afirma.
Outras lideranças estaduais relataram que já estavam fazendo os ajustes de suas contas diante das dificuldades de caixa. “Cortamos metade dos cargos comissionados, e promovemos a redução de orçamento de quase 5 bilhões de reais”, comentou Marconi Perillo, governador de Goiás pelo PSDB. Alguns Estados, porém, entraram no vermelho, atrasando pagamentos de dívidas, por exemplo, como é o caso do Rio Grande do Sul, que deixou de pagar obrigações com o Governo federal em função do aperto econômico. “A situação de muitos Estados é de emergência, caso do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina E Mato Grosso do Sul”, disse o governador gaúcho, José Ivo Sartori (PMDB), que cobrou a implementação da mudança do indexador da dívida dos Estados com a União, um assunto que foi postergado para o ano que vem, em função do ajuste fiscal. Hoje 13% da arrecadação do Rio Grande do Sul segue para cobrir a dívida com a União.

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