Abro o meu endereço de e-mail no Terra, com um dia de atraso, e lá está o comunicado da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia sobre a morte de Jovino, aos 72 anos, que Maria Olívia envia ao editor deste site blog.

Mais um um pedaço arrancado da grande ilha da humanidade, de que fala o pensador citado por Ernest Hemingway no romance “Por quem os sinos dobram”. Mais um golpe particular no coração.

Quando o baque arrefecer, talvez volte a escrever sobre Jovino e as histórias da convivência com ele na UFBA – do estudante com o servidor público modelar e figura humana grande no tamanho físico e no humanismo e generosidade (até nos babas jogados juntos no campinho do Vale do Canela), nos “anos de chumbo” na Bahia e no Brasil.

Por enquanto, BP reproduz o comunicado mandado por Olívia, e o texto que o deputado petista por Feira de Santana, Zé Neto – ex-aluno da Faculdade de Direito, a exemplo deste editor – publicou no Facebook.

Dizem muito sobre o morto. Mas Jovino Ferreira da Costa era ainda muito mais.

Saudades!!!

(Vitor Hugo Soares)

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DEPOIMENTO DE ZÉ NETO:

“Acabo de saber do falecimento de Jovino, ex funcionário da Faculdade de Direito da Ufba (onde formei em 1990). Que além de cidadão, pai e amigo exemplar foi dos mais conceituados funcionários públicos que conheci. Deixo homenagem contando uma história da qual ele participou e que marcou para sempre minha vida:

Obrigado anjo Jovino…

Centenário da Faculdade de Direito da Ufba, eu de esquerda e eleito orador da turma e ai queriam ( forças estranhas) que eu não formasse e minha prova de Agrário do nada desapareceu e estava lá no meu meu histórico um zero… Bateu desespero e fui a luta!

A informação era que Hermano, professor da disciplina, estava na França. E agora? Estava em desespero na secretaria da faculdade…

Faltava pouco para a solenidade de Formatura.

Agora nada, Jovino me chamou no canto com uma anotação, num pequeno pedaço de papel, do endereço e telefone do professor Hermano Machado e disse; ele não viajou ainda, traga ele aqui que seu problema vai se resolver o que fizeram não é aceitável.

Nunca me disse quem armou a trama, mas me ajudou a resolver.

Liguei pra Hermano ele me atendeu ( morava no Barris, estava se arrumando para viajar), fui buscá-lo no meu velho Fusquinha branco com a porta amarrada de borracha de pneu; ele fez outra prova com duas perguntas, uma era : Qual a função do módulo rural?

Respondi a prova e recebi o mesmo MS da que tinha desaparecido.
Hermano virou para Jovino e disse : Engraçado a prova do rapaz estava comigo e não desapareceu, está aqui. Entendeu?!

Jovino sorriu, piscou o olho pra mim, deu aquele largo sorriso e o resto ficou por conta do Prof de Penal o amigo Fernando Santana na congregação, que lá desarmou a malandragem.

Estou eu aqui e sem o Justo Jovino não teria vivido aquele sonho do dia 13/04/91 sendo orador da turma e colado grau junto com grande parte dos meus queridos colegas de 86.

Jovino marcou cada um de nós que passamos pela faculdade de Direito da Ufba, com seu riso largo e sempre pronto a servir. Seu grande prazer era nos ajudar com alguma informação, solução ou até uma regulagenzinha…

Na última vez que estive com ele foi logo me abordando: e ai “Netinho” como está a política?
Netinho…
Juvinão…
Eu aquele menino ele aquele cara bacana, grandão …
Que Deus ilumine o seu caminho nessa outra etapa de sua existência .

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