Postado ontem, 16 de maio, no Facebook, pela filha Maria Luiza Pondé, este é um dos últimos (senão o derradeiro) artigo escrito pela historiadora, professora da UFBA e escritora, Consuelo Pondé de Sena. Ela morreu na quinta-feira e teve o corpo cremado no Jardim da Saudade no dia seguinte, um dia de chuvas torrenciais e tempestades em Salvador.

O texto, publicado no espaço de opinião que ela abrilhantou durante anos na Tribuna da Bahia, é um retrato desenhado em palavras candentes e doloridas por uma mulher singular do seu tempo. E plural, muito além dele.

Bahia em Pauta reproduz abaixo o artigo de Consuelo. “Quem me conhece sabe que sou um vulcão em erupção. As lavas que derramo são águas escaldantes da minha “caldeira” interior. Pois, apesar de ser do “grito” de Terra, Capricórnio, sou ígnea. Gosto do fogo e de suas vibrações. Fazer o que se nasci assim?”, diz a autora em um dos trechos mais pungentes do seu escrito final.

Nasceu, viveu e morreu assim.Viva Consuelo Pondé de Sena.

(Vitor Hugo Soares)

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Pranto na Madrugada

Consuelo Ponde de Sena

Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia

Desde que passei a conviver com essa “pulmonite”, comecei a experimentar novas e desagradáveis emoções, antes jamais por mim sentidas. Doença terrível que me tolhe o tônus vital, deixando-me diferente do que sou, ou fui.

Não tenho certeza de que voltarei a ser a mesma, porque senti na pele a fragilidade da nossa condição humana e me sinto outra pessoa.
São esquisitos estados d’alma, que me deixam aturdida, porquanto não os identificava como próprios do meu espírito. São situações muito novas, jamais pressentidas. Mesmo porque, não é fácil se imaginar o desconhecido.

Que está havendo? O que está se passando? Confesso que não sei responder o que, de novo, se introduziu na minha vida, deixando-me com uma sensação de que sou outra criatura.

Mudei o couro? Penso que, de certa forma, sim. O camaleão não passa por esse processo? Transfigura-se para ser confundido? Sei lá! Dentre milhares de pensamentos desordenados, que povoam meu cérebro está a referida festa, que me deu tanta alegria. Vesti um lindo traje vermelho, que foi muito apreciado por homens e mulheres. É que a cor me fica bem e todos gostam quando a uso. Este ano, a festa vai acontecer na quarta-feira. Bom dia, porque no meio de semana.

Realmente, estou recordando que a festa do aniversário do IGHB, no ano passado, foi uma beleza. Muitos convidados, sócios, visitantes, homenageados, condecorados com a Medalha Bernardino de Souza. Como sou “pidona” vou pedir uma ajuda em dinheiro para ajudar nas despesas, que não são muitas, mas oneram a Casa, ora em processo de mudança de rede elétrica, que o IGHB ganhou, da Coelba, no “Faz Cultura”.

A Casa da Bahia completou 120 anos. Quis o acadêmico Cajazeira Ramos, da ALB, fazer-lhe uma oferta muito especial. Arrecadou dinheiro, no que foi criticado por algumas pessoas, incapazes de gesto semelhante. Obteve o dinheiro para encomendar o bolo, como era do seu desejo. Um bolo de nozes gigante, que ocupou o mármore inteiro da mesinha redonda antiga. Nem meus médicos podem fazer previsões.

Penso que esse fato, relacionado com outras preocupações pessoais, fazem com que, em plena madrugada, diria mesmo dormindo, acordo chorando sentidamente.

Branca, a moça que me assiste, no período noturno, tenta me consolar, usando palavras carinhosas de alento.

Aos poucos, vou respirando fundo, tentando debelar o choro reparador. Choro que me alivia a alma e desafoga a mente, livrando-a de outras interferências. Espero que as autoridades oficiais compareçam ou mandem seus representantes. A festa dos 121 anos da instituição cultural mais antiga do Estado deve merecer o apoio de todos os baianos. Por outro lado, no seu último pronunciamento no IGHB, o representante do governador Jaques Wagner, Ubiratan Castro de Araújo, declamou enfático ser a instituição “o verdadeiro Museu da História da Bahia”.

Assim, serenamente, aquietada dos meus temores, vou, aos poucos, retomando o sono e dragando a emoção.
Na manhã seguinte, acordo lépida e não parece que senti algo diferente durante a noite de tristeza. Emoções genuínas são eficazes para a alma cansada, cheia de sentimentos.

Quem me conhece sabe que sou um vulcão em erupção. As lavas que derramo são águas escaldantes da minha “caldeira” interior. Pois, apesar de ser do “grito” de Terra, Capricórnio, sou ígnea. Gosto do fogo e de suas vibrações. Fazer o que se nasci assim?

O pranto da madrugada é uma válvula de escape. Penso ser necessário para restabelecer o que foi “mexido”, bem fundo, bem dentro de mim. Traz de volta tudo que tentei disfarçar, dissimular, para não fazer flutuar os meus desapontamentos, as minhas decepções, as minhas frustrações.

Esse “pranto da madrugada” é algo que apareceu, há pouco tempo, no curso dessa enfermidade. Se vai permanecer comigo, não sei responder. No momento atual me traz muito alívio, disso tenho plena noção. Que fique, portanto, comigo neste momento de tanto sofrimento e de dor.

Artigo publicado no jornal Tribuna da Bahia

Astor Piazzolla,Soledad, o talento deu m músico revolucionário na madrugada do BP! Até alcançar a manhã do domingo.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


ACM Neto:dificuldades em Salvador
e Rui Costa no calcanhar

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Neto vive risco de abrir a chapa

As dificuldades enfrentadas pelo prefeito ACM Neto a apenas um ano do início da campanha da reeleição pode alterar os planos de lançar – vejam a expressão, se não lembra algo – uma chapa puro-sangue.

O tema é de elevada importância porque, na hipótese plausível de sair tudo como programado e ele ser reeleito, seria excelente que assumisse a Prefeitura, em 2018, um aliado incontestável para apoiar sua disputa pelo governo do Estado.

Rompido, por vontade própria, com o PTN, partido de densa presença na política municipal, Neto precisará abrir as portas a novas alianças, pois tudo que juntar poderá ser pouco diante da investida que fará sobre Salvador o governador Rui Costa.

De início titubeante, um tanto irado com as sequelas da disputa, o governador agora abraça a causa a tal ponto que age com destaque até no campo institucional, como no convite ao prefeito para análise conjunta das consequências da chuva e possíveis soluções.

Nesse ponto, Rui distancia-se de Jaques Wagner no mesmo projeto de tomar o poder na capital: enquanto o ex-governador fez questão de isolar o então prefeito João Henrique para enfraquecê-lo, o atual provoca e exibe a proximidade com Neto.

Rui não deixa que o prefeito seja o único a proclamar solidariedade aos desgraçados nem faturar com o anúncio de obras. Tira o proveito possível de uma situação em que teria lucro zero. E se o prefeito fracassar, não poderá dizer que o governo do Estado o abandonou.

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Dos desdobramentos possíveis

Mas, caso tudo corra às mil maravilhas e o prefeito chegue forte em 2016, a aposta mais viável no meio político é o secretário da Educação, Guilherme Bellintani, em visível processo de preparação para alguma coisa.

A pole position natural seria do secretário de Desenvolvimentio Social e deputado licenciado, Bruno Reis.

A questão é que poderá interessar mais ao PMDB ter Bruno em 2018 como candidato a deputado, reforçando a legenda do partido.

Cenário que, por outro lado, vai depender de o “distritão” – voto majoritário para os parlamentos – não ser aprovado na reforma política.

maio
17
Posted on 17-05-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-05-2015


Nani, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA (DOS JORNALISTAS MARIO SABINO E DIOGO MAINARDI)

“Big Wolf”

O Estadão noticia que Edison Lobão é suspeito de ter participação oculta em holding sediada nas Ilhas Cayman. O objetivo da holding é captar recursos de fundos de pensão de estatais, fornecedores da Petrobras e empresas privadas que recebem de bancos públicos, como o BNDES. Eufemismo para desvio de dinheiro

O inquérito foi aberto depois de declarações de um ex-sócio. Lobão se associou à empresa entre 2011 e 2012, segundo a investigação. Havia reuniões semanais em São Paulo, para que se acompanhasse “onegócio em nome do ministro Lobão”. Ele era chamado de “Big Wolf” e “Tio”.

A investigação corre no STF.

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