Um rei sem herdeiro da coroa, este magnífico BB que acaba de partir.

BOA TARDE, SE POSSÍVEL FOR.

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAIS

Fernando Navarro

De Madrid

Musicalmente falando, é como se o mundo ficasse, quase definitivamente, sem uma parte de sua memória. Foi embora um dos grandes pais fundadores do blues, um homem que criou uma nova linguagem com a guitarra elétrica, peça essencial na arquitetura da música popular do século XX. Vai embora algo mais do que um simples músico. Porque B. B. King, morto aos 89 anos, representava um modo de vida e de criação musical nos Estados Unidos.

O músico desmaiou em outubro durante uma apresentação e precisou cancelar o restante da turnê também pela desidratação e esgotamento causados pela diabete diagnosticada há mais de duas décadas. Desde então, seu estado de saúde só piorou.

Com sua voz aguda e o poder de sua guitarra, era o meio caminho perfeito entre Mississipi e Chicago, entre o rural e o urbano, entre o Gênesis e o Novo Testamento do blues

Nascido em uma família pobre, em uma diminuta cabana de um povoado do Mississipi, sua primeira experiência musical veio aos 12 anos quando fez parte de um grupo vocal de gospel e o pastor lhe ensinou os primeiros acordes com uma guitarra. Na época, colhia algodão em uma fazenda da cidade de Lexington. Depois, realizou o mesmo trabalho em Indianola, no começo dos anos quarenta.
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Com sua famosa Lucille – nome que deu a sua inseparável guitarra Gibson – e um punhado de dólares no bolso, se mudou para Memphis em 1946, a cidade que pouco depois revelaria Elvis Presley, onde no final dos anos quarenta e começo dos anos cinquenta desenvolveu um estilo único: mesclava a sonoridade rural do campo com a vitalidade elétrica da cidade. Ali se transformou no rei da rua Beale e fez o blues avançar. Nesses primeiros anos ele deu ao estilo um caráter particular e espantoso. Canções como I’ve Got a Right To Love My Baby, Please Love Me, Three O’Clock Blues, Sugar Mama ou Gotta Find My Baby, são composições que mostram um blues nada convencional, com orquestra de metais que o afastavam do protótipo do músico primitivo do Mississipi, mas sem perder as raízes de sua terra. Com sua voz aguda e o poder de sua guitarra, era o meio caminho perfeito entre Mississipi e Chicago, entre o rural e o urbano, entre o Gênesis e o Novo Testamento do blues.

Foi o som do blues moderno, que explodiu mais tarde em Chicago e marcou toda a geração do rock’n’roll dos anos sessenta. Teve grandes discípulos brancos como Eric Clapton ou Mike Bloomfield. Os Rolling Stones, fascinados pelas músicas dos primeiros bluesmen originais, levaram B.B. King em turnê. Abrindo as apresentações dos Stones, fez com eles alguns dos milhares de shows que tinha em seu roteiro. Porque B. B . King, que pretendia conseguir a maior quantidade de dinheiro possível através do blues loquaz e contagioso de sua guitarra, acostumou-se a fazer mais de 250 shows por ano. Ele tocou no Brasil diversas vezes – sua última turnê no país ocorreu em 2012, quando passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

De alguma forma, nas duas últimas décadas ficou marcado como o grande embaixador do blues clássico, desse som primitivo que soava mais real e absorvente do que em qualquer outro lugar naqueles homens e mulheres que viveram uma época específica. Muitos foram caindo enquanto ele continuava tão forte como em seus anos de juventude, ainda que com as doenças da idade: tinha problemas de vista e precisa tocar sentado durante toda a apresentação. Mas ali estava B. B. King, chamado por muitos de Rei do blues e com quem todas os astros da música queriam compartilhar o palco, e até mesmo Luciano Pavarotti foi seu discípulo. Era um artista essencial para compreender o desenvolvimento da música popular do século XX, o fascinante universo do blues original, nascido do mundo rural e eletrificado através de sua Gibson até moldar uma linguagem impactante. Era, definitivamente, B. B. King, memória de um tempo único, talvez o último guitarrista que nos lembrava de como tudo começou quando queríamos falar de blues.

CRÔNICA

A nova estrela

Gilson Nogueira

Chego em casa, após o cumprimento de mais um dia de rotina, suando satisfação e vontade de beijar minha netinha baiana. Encontro-a sorrindo Deus, aos oito meses de nascida, e recebo um beijo de longe. Benzo-me.

No exato instante, escuto uma de minhas filhas, ao telefone, direto dos Estados Unidos: “Pai, vou lhe dar uma notícia que vai deixar você triste, muito triste. Respire fundo. Era uma pessoa de quem você gostava muito, falava muito dela pra gente. Foi sua professora. Vocês tinham adoração por ela. Era como uma verdadeira musa, para vocês, na Escola de Jornalismo.”

Engoli o susto com o silêncio revelador das mensagens profundas que cutucam a alma e que nos fazem, por isso, ficar sem palavras.
A dor da morte de minha querida ex-mestra Consuelo Pondé de Sena é daquelas de prantear a verdade como se não fosse verdade e buscar forças para suportar o baque.

No recolhimento do lar, procuro nas galerias da memória a saudação eterna para a intelectual que nos ensinava História da Arte como uma colega de turma, esbanjando beleza, conhecimento e carisma. Foi-se uma deusa, em carne e osso, do Século XX!

Tento multiplicar-me em orações silenciosas, no compasso da fé, capazes de acompanhar a musa de nossas vida em sua viagem ás serenas mansões do infinito. Encontro as orações que confortam e, como a chuva inesperada, decido-me a sorrir, a olhar para o alto, quase gargalhando, para dizer, “ Mestre, Seja Feita a Sua vontade, nossa amada Consuelo vai nos fazer uma falta sem tamanho, difícil de traduzir.

Aqui, agora, resta-me Dizer-lhe o Seguinte: “ Prepare o Céu. Está chegando mais uma estrela para brilhar no Firmamento!”

Gilson Nogueira, ex-aluno de Consuelo Pondé de Sena, na Universidade Federal da Bahia, a Ufba.

“Unforgattable”, com a orquestra de Jackie Gleason. Em memória e pela história de vida e realizações da mestra Consuelo Pondé de Sena, a imortal baiana que nos deixou ontem, 14, e cujo corpo será cremado às 11h na manhã desta triste sexta-feira, 15, no cemitério Jardim da Saudade, bairro de Brotas, em Salvador.

MORRE CONSUELO! VIVA CONSUELO!!!

(Bahia em Pauta)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA (DOS JORNALISTAS MARIO SABINO E DIOGO MAINARDI)

Fachin defendeu a si mesmo de si próprio

Um trecho do editorial do Estadão sobre a “sabatina” de Luiz Edson Fachin, que resume a que ponto chegaremos se o seu nome for aprovado para o Supremo Tribunal Federal:

“As quase 12 horas da sabatina a que Luiz Edson Fachin foi submetido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado demonstraram, acima de qualquer dúvida, que a presidente Dilma Rousseff indicou para substituir Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF) um competente advogado capaz de, em magnífica performance, defender a si mesmo de si próprio. Fachin conseguiu convencer 20 dos 27 membros da CCJ de que não tem relevância o fato de um fundamentado parecer da Consultoria Jurídica do Senado haver demonstrado que, ao exercer a advocacia privada mesmo depois de ter se tornado procurador de Justiça do Paraná em 1990, ele violou a Constituição estadual. Desse modo, perdeu a qualidade de ilibada reputação exigida pela Constituição Federal de todos os membros do STF.”

maio
15
Posted on 15-05-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-05-2015


Regi, no diário Correio Amazonense

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES )

Vaca profana

Emblemáticos R$ 13 milhões perfazem a dívida de campanha do PT da Bahia, cujo presidente, Everaldo Anunciação, anunciou “uma vaquinha” para saldá-la.

Fora a referência infeliz, que remete ao animal citado pela presidente Dilma (o que poderia tossir à vontade), note-se que débito desse porte exigiria, na verdade, uma boiada das grandes.

E uma dúvida necessariamente fica no ar: com a grana rolando aos bilhões para caixa 2 do PT e, quem sabe, caixa 3, somente a seção baiana ficou a ver navios?

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