Kodama cantou Roberto Carlos na CPI

DEU NO G1

Adriana Justi

Do G1 (Paraná)

A doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, acusada de atuar em parceria com Alberto Youssef no esquema da Operação Lava Jato, disse na CPI da Petrobras, nesta terça-feira (12), que os euros apreendidos com ela no Aeroporto de Guarulhos não estavam na calcinha.

De acordo ela, dois pacotes com notas altas de euros estavam escondidos em dois bolsos na parte de trás da calça jeans que ela usava. “Eu me sinto injustiçada porque fui presa no dia 14 de março, que eu estava indo a Milão, não estava fugindo do país”, disse. Durante seu depoimento, Nelma ainda se levantou e mostrou como teria guardado o dinheiro no bolso.

“É de conhecimento de todo mundo que existem notas de 5 euros, 10 euros, 50 euros, 100 euros, 200 euros e 500 euros. Então, 200 mil euros significa um pacotinho assim e um pacotinho assim”, disse, mostrando com os dedos o tamanho dos pacotes.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) perguntou a Nelma para quem ela levaria os 200 mil euros. A doleira se negou a responder.

A declaração de Nelma contraria a denúncia do Ministério Público Federal e da PF que diz que ela estava tentando fugir do país com 200 mil euros escondidos na calcinha.

Questionada sobre o porquê de a denúncia citar a calcinha, a doleira justificou: “Acho que é porque houve outros acontecimentos que algumas pessoas apareceram com dinheiro na cueca. Então, eu acho que tinha que ter uma mulher que tivesse dinheiro na calcinha”.

Nelma já foi condenada a 18 anos de prisão por evasão de divisas, operação de instituição financeira irregular, evasão de divisas tentada, corrupção ativa e pertinência a organização criminosa.

‘Amada Amante’

Ainda durante o seu depoimento, o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) perguntou se Nelma tinha sido amante do doleiro Alberto Youssef. “Eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Amante é uma palavra que engloba tudo. Amante é esposa, amante é amiga”, respondeu a doleira. No final da resposta, Nelma ainda brincou e cantou um trecho da música “Amada Amante”, de autoria de Roberto Carlos (veja o vídeo acima).

Na sequência, o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), chamou a atenção da investigada. “Senhora Nelma, nós não estamos em um teatro. Eu gostaria que a vossa senhoria se detenha a responder as perguntas mantendo a ordem e o respeito ao Congresso Nacional que neste momento está aqui fazendo a CPI”.

Outros investigados a serem ouvidos

Outros cinco presos da Lava Jato também foram convocados para a CPI desta terça-feira. São eles: René Luiz Pereira, acusado de ser um dos operadores do esquema, Luiz Argôlo (SD-BA), André Vargas (sem partido-PR) e Pedro Corrêa (PP-PE), ex-deputados federais, e o doleiro Carlos Habib Chater, dono do posto de gasolina em Brasília que deu nome à operação da Polícia Federal.

A comissão ouve os investigados em Curitiba, onde eles estão presos. Os depoimentos acontecem desde segunda-feira (11) no auditório do prédio da Justiça Federal.

Primeiro dia de CPI
A sessão da CPI de segunda em Curitiba ouviu sete dos 13 investigados em quase dez horas de duração. A oitiva registrou momentos de animosidade, com bate-boca entre deputados e o advogado do empresário Fernando Baiano.

Foram ouvidos: Alberto Youssef, Mário Góes, Nestor Cerveró, Fernando Soares, Guilherme Esteves, Adir Assad e Iara Galdino. Destes, apenas os doleiros Youssef e Iara Galdino responderam aos questionamentos dos parlamentares.

‘Planalto sabia’

O doleiro Alberto Youssef reafirmou, no depoimento, que ele acredita que o alto escalão do governo federal sabia do esquema de corrupção na estatal. A confirmação de Youssef foi feita após o deputado Bruno Covas (PSDB-SP) ler depoimento de delação premiada do doleiro, em que ele citava políticos que, segundo o próprio Youssef, tinham conhecimento das irregularidades.
Youssef (Foto: Rede Globo)
Youssef disse acreditar que o Planalto sabia da
corrupção (Foto: Rede Globo)

Na lista do depoimento prévio de Youssef, o deputado leu os nomes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente Dilma Rousseff e dos ex-ministros Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e Edison Lobão. Após a leitura dos nomes, Covas perguntou se Youssef confirmava se, na opinião dele, essas pessoas tinham conhecimento do esquema.

“Confirmo e digo que isso é no meu entendimento”, afirmou o doleiro.

‘Injustiçada’

Já Iara Galdino disse que se sentia injustiçada com as acusações. Ela afirmou que abria as empresas de fachada, em nome de laranjas, mas não tinha contato com clientes. Galdino garantiu que jamais assinou nenhum contrato de câmbio, que fazia parte do “terceiro escalão” do esquema, e que foi usada por uma “organização criminosa”.

A doleira já foi condenada em um dos processos decorrentes da Lava Jato por evasão de divisas, por operar instituição financeira irregular, corrupção ativa e por pertencer a organização criminosa. Somadas as penas foram de 11 anos e nove nesses de reclusão.
Fernando Baiano (Foto: Reprodução)
Fernando Baiano permaneceu em silêncio
(Foto: Reprodução)

Bate-boca

A sessão da CPI teve um momento acalorado durante o depoimento de Fernando Soares, o Fernando Baiano, que permaneceu em silêncio. Em determinado momento, o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) sugeriu ao investigado que considerasse fazer um acordo de delação premiada, porque o silêncio não seria uma boa estratégia. O advogado de Fernando Baiano retrucou: “A estratégia de defesa é minha, não é sua”, o que deu início a uma discussão.

Os parlamentares criticaram a postura do advogado, uma vez que apenas o investigado teria direito à palavra. O bate-boca durou cerca de dois minutos até que foi controlado pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB). Lorenzoni e o criminalista voltaram a discutir ainda ao final da sessão pelo mesmo motivo.


O governador baiano, Rui Costa, e o comandante da PM.
/ Mateus Pereira/GOVBA/El Pais

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Flávia Marreiro

De São Paulo

De um lado do terreno, casas coladas uma a uma numa rua íngreme e não pavimentada. Em seu entorno, uma vegetação densa, remanescente da Mata Atlântica na Vila Moisés, na região do Cabula, em Salvador. Foi neste cenário, na madrugada de 6 fevereiro e perto demais da área habitada do bairro, que 12 pessoas, entre homens e adolescentes, foram rendidos e executados com vários tiros por policiais militares – após parte do grupo ter sido flagrado com drogas -, segundo o procedimento investigativo criminal conduzido por um grupo de promotores do Ministério Público Estadual da Bahia.

As conclusões baseiam-se em depoimentos de testemunhas e perícias para afirmar que houve uma chacina, o EL PAÍS apurou, contradizendo frontalmente a versão da PM baiana, que informou que, naquela noite, seus homens se enfrentaram com cerca de 30 criminosos que se preparavam para explodir caixas eletrônicos perto dali. Foi uma ação “enérgica”, definiu, na época, o secretário de Segurança baiano, Maurício Barbosa, diante do saldo da operação, que deixou um policial ferido de raspão. O governador, Rui Costa (PT), comparou os policiais a “artilheiros” de futebol diante de um momento decisivo. “Eles [os mortos] vieram bem articulados, inclusive com uniforme. Estavam camuflados também”, afirmou o comandante da PM, Anselmo Brandão, segundo o G1.

O calhamaço produzido pela Promotoria, que resolveu abrir investigação própria por causa da repercussão do caso, vai ser o fundamento para o indiciamento dos acusados, previsto para acontecer no dia 18 deste mês, por homicídio triplamente qualificado. Quem coordena os trabalhos é o promotor Davi Gallo. Ainda não foram divulgados oficialmente o resultado de outras duas investigações, o da Polícia Militar no âmbito da Corregedoria (que sustenta que houve confronto, de acordo com fontes que tiveram acesso ao caso) e o da Polícia Civil.

O episódio tem potencial para agravar o histórico recente da Rondesp, as rondas especiais que se inspiram na Rota, a unidade especial da Polícia de São Paulo famosa pela violência. A PM da Bahia ocupa o terceiro lugar, depois de Rio e São Paulo, no ranking da polícia que mais mata no país _com ao menos 234 mortes causadas em “confronto” em 2013, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, embora a Secretaria de Segurança fale em 13 vítimas. Questionada no mês passado, a secretaria de Segurança informou a este jornal que a possibilidade de rever os procedimentos da Rondesp “está sendo analisada”.

As mortes do Cabula devem voltar à pauta nesta segunda-feira, quando a CPI da violência contra jovens negros faz audiência na Assembleia Legislativa da Bahia. Estão convocadas autoridades do Governo e parentes de vítimas da violência. Familiares dos mortos em Cabula estiveram em Brasília em sessão da comissão na semana passada.

“O ladrão matou meu filho e a polícia matou outro filho. Eu quero viver para que?”, se desesperou Marina de Oliveira, 57 anos, ao falar do neto de 17 anos, Natanael, morto na ação de Cabula. O pai de Natanael, ela contou, morreu ao reagir a um assalto dentro de um ônibus. A avó é um dos parentes mobilizados para cobrar investigação idônea do caso.

Segundo Hamilton Borges, do movimento negro Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta, integrantes da polícia acamparam, na noite de domingo, no terreno da Vila Moisés onde ocorreram as mortes, provocando tensão nos moradores. No próximo sábado, os ativistas do Reaja, que promoveu protestos pelo caso de Cabula, planejam plantar um baobá no cenário das execuções.

BOM DIA!!!


Do Ministério Público Federal/ Blog Gama Livre

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) conseguiu na Justiça Federal a condenação de três mulheres acusadas de publicar mensagens preconceituosas e discriminatórias em relação ao Estado da Bahia, a cultura e o povo baiano, por meio da rede social Facebook.
Duas delas foram condenadas a um ano e quatro meses de prisão e pagamento de sete dias-multa. A outra denunciada recebeu pena de dois anos de prisão e pagamento de dez dias-multa, com base na Lei de Crime Racial (Lei 7716/89). As penas de prisão foram convertidas pela Justiça em prestação de serviços comunitários, na proporção de uma hora para cada dia de condenação. Cabe recurso em relação à sentença.
Na denúncia apresentada à Justiça Federal, o MPF/AM atribuiu às três mulheres denunciadas a responsabilidade pela veiculação de mensagens na internet, por meio do Facebook, com ataques preconceituosos e racistas contra o Estado da Bahia, os baianos, a música regional do estado e a cantora baiana Ivete Sangalo.
Para a Justiça, as cópias das telas de mensagens postadas pelas acusadas em seus perfis na rede social, os depoimentos de testemunhas à Justiça e polícia e ainda os documentos reunidos na denúncia comprovaram a autoria das mensagens que motivaram a ação penal. De acordo com o artigo 20 da Lei de Crime Racial, é crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, sendo considerado um agravante o uso de meios de comunicação ou publicação de qualquer natureza para a veiculação de mensagem de cunho discriminatório.
Na sentença, a Justiça Federal reconheceu a ocorrência do crime de racismo e ressaltou a inexistência de dúvidas de que as denunciadas – uma economista, uma administradora de empresas e uma psicóloga – foram as autoras das mensagens publicadas à época do movimento grevista iniciado por policiais da Bahia, em fevereiro de 2014, próximo ao Carnaval. “O próprio vocabulário utilizado pelas denunciadas em seus depoimentos deixa claro cuidarem-se de pessoas com educação suficiente para entender o caráter ilícito de sua conduta”, reforça trecho da sentença.
A ação penal tramita na 2ª Vara Federal do Amazonas, sob o número 3150-36.2014.4.01.3200

(Colaboração Taciano de Carvalho, editor do blog Gama Livre)

maio
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Posted on 12-05-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2015


Caó, no portal de humor gráfico A Charge Online

maio
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DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Dúvidas aeronáuticas

É possível imaginar-se a pista de um aeroporto internacional, como o de Salvador, deteriorando-se da noite para o dia por causa do excesso de chuva?

Em que condições estava aquele asfalto para sofrer um rombo do tamanho do que foi mostrado pela imprensa?

Os técnicos responsáveis não conhecem o conceito de manutenção preditiva, destinada a equipamentos cujas segurança e estabilidade se exigem em 100% do funcionamento?

Se tivesse havido um acidente, quem responderia?

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