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Postado em 09-05-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-05-2015 04:35

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Sponholz, Jornal da Manhã(PR)

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jader on 9 Maio, 2015 at 12:39 #

Jornal GGN – Em entrevista ao jornal Estadão, sobre o livro que acaba de lançar, “Una Oveja Negra al Poder”, o ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica foi categórico: “Lula jamais falou em mensalão nas conversas comigo”. A questão surgiu porque, na obra, Mujica diz que Lula afirmou em um encontro que “essa era a única forma de governar o Brasil”. Mas, na entrevista que deu ao Estadão, em Buenos Aires, Mujica corrige a informação propagada pela mídia brasileira. “Uma vez [Lula] me disse que, por ter uma minoria parlamentar, o chantageavam. Se os jornalistas escreveram isso [relacionando ao mensalão], é por conta deles. Aliás, nunca falei com nenhum presidente ou com qualquer brasileiro sobre mensalão. E olha que já falei com muitos brasileiros”. Mujica contou que o ex-presidente Lula lhe disse, em conversas informais, que sofria pressões e chantagens, de governos e políticos locais, “para dar votos que o governo precisava, em certa medida. Mas nada de dinheiro ou de corrupção”, frisou o uruguaio. As trocas de favores que Lula teria mencionado seriam ligadas a concessão de cargar e obras públicas. Estadão ‘Lula jamais falou em mensalão nas conversas comigo’ Buenos Aires – O ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica disse nesta sexta-feira, 8, ao Estado nunca ter conversado sobre mensalão com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “ou com qualquer brasileiro”. “Ele me falou das pressões e das chantagens”, relatou Mujica. “Mas nada de dinheiro ou de corrupção.” Entrevista de RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE Estado – Um capítulo de “Una Oveja Negra al Poder” menciona o mensalão e uma frase que o sr. atribui a Lula: “Essa era a única forma de governar o Brasil”. A que ele se referia? Lula jamais falou em mensalão nas conversas comigo. Uma vez me disse que, por ter uma minoria parlamentar, o chantageavam. Se os jornalistas escreveram isso, é por conta deles. Aliás, nunca falei com nenhum presidente ou com qualquer brasileiro sobre mensalão. E olha que já falei com muitos brasileiros. Estado – Na mesma página 211 há outra frase atribuída pelo sr. a Lula: “Neste mundo tive que lidar com coisas imorais, chantagens”. Isso sim. Ele me falou das pressões e das chantagens, pedidos ou exigências de governos e políticos locais para dar os votos que o governo precisava, em certa medida. Mas nada de dinheiro ou de corrupção. Estado – Falava de troca de favores? Sim, isso mesmo. De troca de favores, de empregos nos Estados, de obras públicas. Estado – Lula lhe disse se cedeu a essas pressões? Disse que elas lhe custaram muitíssimas dores de cabeças. Estado – O sr. falou recentemente que a corrupção em países grandes como o Brasil é inevitável. É? É um problema que tem o mundo inteiro hoje, tem a ver com outras doenças, pressões que fazem empresários. Estado – O sr. sofreu pressões assim? Por sorte somos um país pequeno. Mas também tivemos de lidar com isso. No meu país, houve uma campanha para não termos maioria parlamentar, para que o governo não tivesse tanto poder. Sempre brigamos para ter a maioria. Do contrário, os governos ficam trancados. Estado – Qual a última vez que o sr. esteve com Lula e Dilma? Fui acompanhar Lula e Dilma para defendê-los quando estavam sendo atacados. Vejo Lula como um capitão político da América. Tenho 80 anos e me atreveria a dizer que é o maior presidente que o Brasil já teve. Estado – A oposição alega que, dado o grau de corrupção detectado na Petrobrás, Dilma e Lula ou sabiam o que ocorria ou eram incompetentes. O que o sr. acha? Sei que é difícil responder a isso. Neste mundo se vê cara, mas não se vê coração. É difícil saber em quem se está confiando. A experiência de ter sido presidente me diz que as coisas não são tão simples. Estado – Como vê o movimento que pede o impeachment de Dilma? Ela está enfrentando meios muito poderosos. Mas pelo passado de Dilma, a essa altura da vida, ela não tem o perfil de uma pessoa corruptível. Estado – Esse movimento pode ter êxito? O Brasil parece ter meios de multiplicar a pressão sobre os governos. Há uma técnica, teorizada inclusive, que está sendo aplicada no País. É uma tática para atingir um governo civil sem usar a violência. Estado – Há um golpe sem armas em curso no Brasil? É um golpe sem armas, sem usar a violência. Se aproveitam de falhas do caráter humano para poder derrubar um governo que acaba de ser reeleito. Estado – O escândalo Petrobrás mudou algo sobre sua visão de Dilma, que o sr. considera uma “ótima técnica”, e de Lula, a quem qualificou de “petiço bárbaro”? Com toda a força do meu coração, mando minha solidariedade a Dilma. Tomei Lula como modelo, um progressista que nunca procurou a tensão. Agora vemos no País uma tensão que não é benéfica para o Brasil. Tags


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