Servidores indignados são retirados
à força da galeria da ALBA

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Mote da oposição: PT contra trabalhadores

Só mesmo uma gravidade generalizada do quadro financeiro do Estado explicaria o desgaste a que o governo voluntariamente se submeteu ao aprovar, na Assembleia Legislativa, um reajuste salarial para o funcionalismo público que nem cobre o período legalmente previsto na data-base nem repõe a inflação de 2014.

A oposição faz o discurso que se oferece: como o Partido dos Trabalhadores rasga sua própria identidade e impõe esse prejuízo aos servidores públicos? Sem considerar que os métodos de aferir a escalada dos preços padecem de confiança e que há prognósticos depressivos sobre a carestia daqui pra frente.

Afinal, na campanha eleitoral se cantou uma Bahia estabilizada, progressista, solidária, e o que vemos é um tiroteio até entre as mais altas figuras do enredo, perda de iniciativas que pesam na economia, como fábricas que fecham e as que nem abrem, sem falar na apologia da violência caracterizada no inesquecível massacre do Cabula.

Um enigma, claramente, se apresenta: o governo é de continuidade, com o mesmo secretário da Fazenda, o mesmo secretário da Segurança Pública e, até poucos dias, o mesmo secretário do Desenvolvimento Econômico. Não se entende por que o governo atual vai, em tantas vertentes, contra o anterior – para ficar apenas nos segmentos citados.
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Bancada mudou de opinião em 24 horas

Houve um interregno de 24 horas entre a recusa à aprovação do reajuste e sua consumação. Não se sabe que tipo de de entendimento pode ter havido em tão curto período, ainda mais abrangendo tantos parlamentares, que mudaram de tática, literalmente, da noite para o dia.

Falou-se em encontros furtivos até entre o governador Rui Costa e a “base”, carentes de confirmação. Mas, analisando friamente a realidade, dá para supor que talvez não tenha sido tão custoso assim um acordo coletivo, para usar expressão bem ao gosto de sindicalistas.

Por exemplo, cansados de ver o Executivo negando-se a cumprir as chamadas emendas parlamentares, que destinam no orçamento do Estado alguns recursos para atender a pequenas obras e serviços em suas bases, os deputados aprovaram, há pouco mais de um ano, as emendas impositivas.

Foi necessário mudar a Constituição para que cada um dos 63 deputados tivesse a garantia de que R$ 1,2 milhão por ano seriam investidos por sua indicação. Uma ninharia, considerado um orçamento global em torno de R$ 40 bilhões. Quer dizer, se o negócio foi dinheiro, não deve ter sido difícil ao governo convencer seus “aliados”.

Povo tem direito de vaiar deputado

Se quiser evitar conflitos com manifestantes que vão às galerias da Assembleia Legislativa, os quais ocorreram incontáveis vezes nas últimas legislaturas sempre que houve votação de projetos de grande interesse, o presidente Marcelo Nilo terá de flexibilizar as normas vigentes.

Só é permitido aos espectadores aplaudir. Nada de protestar com palavras, vaiar ou fazer qualquer outro tipo de barulho. O público, assim como bate palmas se lhe aprouver, tem o democrático direito de vaiar. Uma vaia tão quanto curta devem ser as palmas, certamente, porque também não é tolerável impedir o trabalho dos deputados.

Na sessão de ontem, os servidores públicos estaduais estavam justamente indignados com a perspectiva, afinal consumada, de que a maioria dos deputados aprovaria uma medida de arrocho salarial, com reflexo direto na sua vida e na de seus dependentes.

É preciso altruísmo para manter-se indiferente a isso, ainda mais com a consciência de que os parlamentares não são nada parcimoniosos quando se trata de engordar seus próprios proventos, seja salários, verba de gabinete ou verba indenizatória, e o governo do Estado desperdiça dinheiro em tanta coisa.

“Não vou permitir que os deputados sejam ofendidos em sua própria casa”, bradou Marcelo Nilo, pouco antes de determinar a expulsão de manifestantes. É um pequeno engano do presidente. A Casa é do povo, como todos reiteradamente dizem. Eles, os parlamentares, são apenas representantes desse patrão.

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