DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Mal comparando

“Para qualquer cidadão comum, é muito dinheiro, mas para a Petrobras não é tanto”, considerou o ex-presidente da estatal justamente na época da hecatombe generalizada, José Sérgio Gabrielli, ao comentar o prejuízo oficialmente apresentado de R$ 6 bilhões com a corrupção.

Gabrielli passou ao largo da perda de mais R$ 45 bilhões atribuída no balanço à má gestão. E foi irrefletido ao referir-se ao “cidadão comum” na comparação. O cidadão comum, se sofrer um baque de cem reais, estará condenado ao mais profundo e irrefreável dos infernos.

Tá no quilo

Outra vista grossa de Gabrielli: “R$ 6 bilhões é um valor enorme. Agora coloque isso no contexto da Petrobras. Por 14 anos, passaram R$ 60 bilhões em contratos pela engenharia”.

Ele está falando, segundo seus números, em dez por cento do volume total de contratos. Talvez esteja satisfeito porque a comissão, afinal, está no patamar historicamente praticado em terras brasileiras.

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BAHIA EM PAUTA INFORMA: A entrevista do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que dá suporte informativo às duas notas do jornalista Luis Augusto Gomes no Por Escrito (blog político baiano cada dia melhor e mais indispensável) foi publicada na Tribuna da Bahia na edição de ontem, segunda-feira (4). Foi feita pelo jornalista Osvaldo Lyra, editor de Política da TB. De fato, uma conversa jornalística para dar o que falar. (Vitor Hugo Soares)

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 5 Maio, 2015 at 9:23 #

Saudades de Ivan Carvalho.

Conheci o Ivan aqui no BP, havia sinceridade nos seus textos, havia também uma certa leniência com certos personagens.

Entre os que Ivan “protegia” figurava Gabrielli, mas até neste detalhe falho Ivan era honesto.

Não esqueço quando Ivan, respondendo aos comentários ácidos que eu articulava, aqui no BP, sobre Gabrielli, abriu o coração e disse: “Gabrielli eu conheço, fomos colegas de universidade, e blá, blá, blá…”

Assumiu assim o provincianismo na tomada de lado, sem medo ou culpa. Admirei o Ivan, respeitei exatamente por confessar sem destemor seu erro de análise.

Imagino o aperto que passaria agora, a dor em não poder voltar atrás, mas este era Ivan, ao que acrescento apenas, a imensa fidalguia com se havia com críticas, especialmente as minhas.

Saudades de Ivan Carvalho.


luiz alfredo motta fontana on 5 Maio, 2015 at 13:26 #

O que realmente importa sobre Gabrielli são suas relações de obediência havidas com o “namorado” de Rose.


vitor on 5 Maio, 2015 at 13:41 #

Só um adendo, como nas antigas assembleias universitárias.

Esta semana assinala o primeiro ano da partida de Ivan de Carvalho, primeiro e único. Perda insubstituível para o jornalismo da Bahia e do País. No caso particular do BP, o site blog ficou sem um dos seus pilares fundamentais de sustentação de pensamento, de opinião e de convivência democrática.

Além de, no plano pessoal, um ser transparente, sincero e leal.

Em relação a Gabrielli, posso assegurar, Ivan seria agora como sempre foi( esta era uma de suas marcas mais extraordinárias de caráter). Deixaria claro mais uma vez o seu conhecimento próximo do ex-presidente da Petrobras ( contemporâneos de universidade, mas principalmente dos primeiros e heroicos anos na redação da Tribuna da Bahia ) e faria todas as analises e todas as criticas que as informações disponíveis e seu espírito livre de amarras ideológicas, tornassem necessários. Sem aperto nenhum.

Em tempo: Esse comentário foge um pouco ao espírito do BP. Que seja porém entendido como homenagens ao poeta de Marília – leitor e amigo especial deste BP -, mas principalmente à memória de Ivan de Carvalho.


luiz alfredo motta fontana on 5 Maio, 2015 at 14:03 #

Caro Vitor

Agradeço a delicadeza de seu comentário fora da curva, e repito para clarear e afastar qualquer ruído de comunicação, a saudade de Ivan é real, encontrei nele, especialmente em alguns debates que travamos a essência do prazer fraterno em expor e expor-se sobre temas diversos.

Que não sobreviva deste encadeamento de comentários qualquer interpretação diversa, que tente traduzir como necessária qualquer defesa de Ivan, até porque expressei sobre ele os mais sinceros elogios e reconhecimento do caráter doce e fraterno com que se apresentava, aqui no BP e na sua coluna na Tribuna da Bahia, a ponto de reivindicar, sobretudo agora, o direito de também ser uma admirador do saudoso colunista.

Devolvo, assim, o rumo certo e desarmado com que produzi o primeiro comentário deste post, não negando contudo que os fatos últimos, lavados ou não a jato, de um lado acrescem minhas outroras soltas e isoladas críticas, de outro testemunham o afeto e fidelidade fraterna com que Ivan envolvia os seus, mesmo que turvando apreciações.


luiz alfredo motta fontana on 5 Maio, 2015 at 14:16 #

Em tempo:

Errata necessária: minhas, outrora, soltas e isoladas


regina on 5 Maio, 2015 at 15:45 #

Na minha doce e saudosa Bahia a amizade permeia relacionamentos, o jeito provinciano de viver propicia estreitamento de laços afetivos, muita vezes dificultando um julgamento isento, pelo menos era assim no tempo em lá vivi. Portanto, as acusações imputadas ao Sérgio Gabrielle deixariam não só o saudoso Ivan de Carvalho, mas esta que vos fala e muitos outros que na juventude, em tempos universitários, andamos lado a lado nas ruas soteropolitanas e nas lutas contra a Ditadura Militar. É uma vergonha para toda uma geração.


regina on 5 Maio, 2015 at 15:47 #

Digo: José Sérgio Gabrielli


luiz alfredo motta fontana on 5 Maio, 2015 at 16:27 #

Perfeito Regina!

Como estrangeiro na Bahia, que é tua e de Ivan, assim como de Caymmi e Capinam, padeço de um certo “desconforto” com este mister, mas supero abusando da fraternidade de sempre.

Embora conviva aqui na “Paulicéia Desvairada” com muitos que sofreram o mesmo com nossos “Zés”, especialmente os “Dirceus”. A diferença ´[e que aqui são mais raivosos e nada fraternos.

Já a saudade de Ivan, espero, nos redime para além das apreciações, repito.


luís augusto on 6 Maio, 2015 at 8:38 #

Caro Vítor, na verdade, li a declaração de Gabrielli em alguma repercussão feita na internet em que não constava a fonte, e me esqueci de dizer, como sempre faço, que saiu na imprensa. Mas todo o mérito para nosso Osvaldo, a quem muito prezo. Abraços.


regina on 6 Maio, 2015 at 11:11 #

No meu comentário acima leia-se, em vez de deixariam, envergonhariam.


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