DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Lula e a tática do ataque como melhor defesa

Mais que um ataque às “elites”, a participação do ex-presidente Lula na festa do 1º de Maio, em São Paulo, é uma defesa prévia, a qual não gostaria de estar fazendo, mas a ela é compelido pelo desespero de sentir cada vez mais próximos os fatos que aos poucos vão liquidando o PT e seus principais quadros.

Na saraivada de frases que proferiu, cercado por uma plateia amiga e calculada – até pela evidente divisão das forças sindicais –, o que ressai é a incoerência de sempre, o apelo a uma realidade inexistente, na busca de envolver pela emoção o público mais sujeito às investidas do seu confusionismo.

Não faz nenhum sentido, por exemplo, atribuir acusações de tráfico de influência que lhe são feitas a um “medo inexplicável” de que volte à presidência da República alguém que beneficiou, confessadamente, as classes dominantes, especialmente grandes empresários e banqueiros. Seriam mesmo “masoquistas”, como disse.

Lula está sendo citado como mentor, participante ou beneficiário de transações nebulosas desde o mensalão, cuja existência ele inicialmente aceitou, definindo-o como “uma facada pelas costas”, e depois negou, prometendo que ia “desmontar a farsa” quando deixasse a presidência, e o que vimos foi a condenação de seus aliados.

Durante dez anos, a cada nova suspeita que se levanta, o silêncio e a dissimulação têm sido as práticas do ex-presidente. Agora, com a nação à beira de uma convulsão, que poderá ter motivação de várias origens, ele entende que é preciso reativar as baterias de bravatas e sofismas.

Empresários que fazem parte da “elite” ganharam muito dinheiro ilícito em seu governo e no da presidente Dilma. Se agora abrem o bico, não é porque sejam entes maléficos que conspirariam para impedir a continuidade da “redenção” do povo brasileiro com sua volta ao cargo. Apenas querem salvar a pele, mais ou menos o que Lula deseja para si.

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Comentários

jader on 3 Maio, 2015 at 10:28 #

De Janio de Freitas na FSP hoje:
Uma falta útil
03/05/2015 02h00

Ainda distantes, as decisões do Supremo Tribunal Federal para os julgamentos de réus da Lava Jato, lá mesmo ou em outras instâncias, já acumulam um potencial de surpresas e polêmicas tão volumoso quanto interessante. Não só em contradições de depoentes e entre eles, em disparidades com o propalado, como os “R$ 10 bilhões recebidos” pelos quatro da Petrobras, e em possíveis revelações. Também procedimentos dos condutores da Lava Jato estão sujeitos a revisões, a exemplo da recente concessão, pelo Supremo, de habeas corpus a nove dos presos, por falta de base legal para sua extensa prisão preventiva.

Apesar de suplantada por outros destaques, gravíssima informação surge na entrevista da advogada Dora Cavalcanti a Mario Cesar Carvalho (Folha, 1º.mai) e junta-se a fatos em geral invalidáveis pela Justiça. Como foram a difusão, para atrair denunciantes, de constatações inverdadeiras, iludindo também os meios de comunicação, e como é o uso de coerção a delatores.

Aqui mesmo foi publicado, a propósito das delações premiadas que se iniciavam na Lava Jato, a falta de condições do doleiro Alberto Youssef para ser agraciado com esse direito de comprar liberdade. Youssef já o recebera em 2004 no caso Banestado, com o compromisso de não voltar ao crime. A respeito, diz Dora Cavalcanti:

“Ele quebrou a delação em 2006 e essa quebra da palavra não foi levada ao ministro Teori Zavascki na chancela da nova delação”.

Não foi levada ao ministro-relator e ao Supremo no pedido de autorização para o acordo de delação premiada com Alberto Youssef, mas, se incluída como devia na petição, não seriam necessários mais motivos para recusa a novo acordo.

É a validade da delação premiada de Youssef que está sujeita até a invalidação, nos termos da limpidez legal já cobrada pelo ministro Zavascki nos habeas corpus dos nove presos. Os desdobramentos desta esperada polêmica são imprevisíveis.

Certo é que a omissão, seja qual for a interpretação a ela dada, desde logo propõe ao Supremo a confrontação mais minuciosa entre as denúncias formais a lhe serem apresentadas e os respectivos depoimentos e documentos em que devem fundar-se.

NEGÓCIOS

Caso o prefeito Eduardo Paes não a suste, ocorrerá no Rio uma operação imobiliária original. A Câmara de Vereadores autorizou a venda de oito terrenos públicos, antes destinados a novas escolas e praças, para um necessário reforço do caixa municipal. Valor estimado da venda total: R$ 80 milhões. Condições de pagamento: propostos 48 meses, 36 meses por emenda. Eis, portanto, o grande reforço de caixa: R$ 1,6 milhão ou R$ 2,2 milhões por mês.

Em Maricá, município litorâneo vizinho do Rio, as obras para um grande condomínio deram com sítios arqueológicos. O Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, entregou à própria construtora Alphaville a responsabilidade de pesquisar e delimitar a área a ser reservada para preservação e estudo dos achados arqueológicos.

INDECÊNCIA

Em proporção aos respectivos eleitorados, o tal estelionato eleitoral de Dilma não foi maior que o de Beto Richa em sua reeleição no Paraná. Se é por proximidade com corrupção, a de Dilma está em uma empresa, a Petrobras; a de Beto Richa, disse o noticiário que está em determinada parte de sua família.

Já seria o suficiente para Aécio Neves e seus deputados, por decência, pedirem o impeachment do seu companheiro de PSDB. Nenhum foi capaz de emitir sequer uma palavra sobre a ferocidade criminosa do governo paranaense contra os professores e outros servidores usurpados em direitos legítimos por Beto Richa.


Carlos Volney on 3 Maio, 2015 at 22:25 #

Prezado Jáder, como este é um espaço público e democrático, eu me permito um pequeno comentário sobre sua análise.
Conquanto inteligente, culto e até capaz de um texto irrepreensível, quando não brilhante, acho você um tanto sectário, pra não fazer uma análise mais ácida.
Mas não é que no comentário acima eu encontro identidade com o que penso, nos dois últimos parágrafos?
Sim, ali você tem carradas de razão, sob minha ótica.
Ou não é hilário ver essa turma do PSDB, DEM e que tais a pregar austeridade e condenar a corrupção??
Eu fico pasmo ao ver um Agripino, Imbassay e outros com o discurso moralista. FHC virou estadista, logo ele que comprou despudorada e comprovadamente o Congresso para aprovar emenda que lhe permitisse a reeleição. E que teve como ministro da Justiça Renan Calheiros. E que jogou o peso do governo para eleger Jáder Barbalho presidente do Senado, o que lhe custou inclusive a inimizade de ACM. E que teve como Ministro dos Transportes Eliseu Padilha – agora guru de Dilma – que ACM chamava de ELISEU QUADRILHA.
Enfim, em nossa Pindorama a indignação com os malfeitos é sempre seletiva.
Vida que segue, como dizia o inesquecível João Saldanha.


Carlos Volney on 3 Maio, 2015 at 22:33 #

Prezado Luis Augusto, seu artigo é fulminante e haja adjetivo para definí-lo.
Para mim jamais alguém conseguiu sintetizar de maneira tão definitiva e brilhante a atuação dessa figura tão farsante e hoje até bisonha, esse Lula!!
Lembro de Abraham Lincoln: “ALGUÉM PODE ENGANAR A TODOS ALGUM TEMPO. ENGANAR A ALGUNS TODO O TEMPO, MAS NINGUÉM CONSEGUIRÁ ENGANAR A TODOS TODO O TEMPO”.
Parece ser aínda preciso dizer, fecha aspas!!!


jader on 4 Maio, 2015 at 8:45 #

jader on 4 Maio, 2015 at 10:38 #

Aguardando a moderação!!


luis augusto on 4 Maio, 2015 at 11:24 #

Caros amigos, para que não pareça que há algum tipo de partidarismo da minha parte, embora eu tenha minhas posições (no plural), devo dizer que minha modesta mas longa trajetória na política e no jornalismo demonstra que eu concordo com Jader e Volney quanto aos dois parágrafos citados por Jader e o comentário subsequente de Volney.

No jornalismo, sou obrigado a tentar enxergar os fatos, não chegaria a dizer com isenção, mas dentro da realidade.

Por exemplo, para mim, Aécio se descredenciou para a presidência da República quando recusou-se a fazer o teste do bafômetro em 2011, uma confissão de que transgrediu a lei, o que é inaceitável especialmente em homens públicos.

Lembro de um jovem alemão que pediu a renúncia de um ministro porque se descobriu que pintava o cabelo. “Quem faz isso pode fraudar uma estatística”, argumentou.

Num certo paralelo, quem não respeita uma lei de trânsito não pode assegurar o cumprimento da Constituição.

No mais, agradeço as palavras carinhosas de Volney sobre o artigo e também aguardo essa moderação (de quem?) citada por Jader.


Carlos Volney on 4 Maio, 2015 at 12:59 #

Prezado Luís Augusto, não há o que agradecer.
Você é sempre brilhante e sensato. É que desta vez você extrapolou. Ninguém retratou tão bem uma figura que enganou tanto.
Grande abraço.


luiz alfredo motta fontana on 4 Maio, 2015 at 13:51 #

Saborosa a conversa neste espaço.

Atrevo-me a duas inserções canhestras.

Aécio, como todo tucano, por origem, veste black tie mas ostenta bico carnavalesco. Isto explica a série infinda de contradições deste mineiro.

De resto é herdeiro de Tancredo, aquele que se impôs como primeiro ministro, usufruindo assim do golpe, o primeiro, contra Goulart, na sequência, muito de coerência, apresentou-se como o único palatável pela ditadura, investindo-se como candidato indireto abraçado a Sarney., o destino pregou-lhe a peça e nosostros restamos nas mãos do marimbondo de fogo.

Como dado histórico, sobre Tancredo, fica a fundação de um tal PP, o que desnuda em parte a ideologia de quem sempre se furtou em expor.

Repito aqui o que dizia antes de outubro, seja lá quem for o vencedor, perderemos todos. Vale para Dilma mas valeria também para Aécio ou Marina.


luis augusto on 4 Maio, 2015 at 14:31 #

Pra que fique bem claro, nada tenho contra ninguém que pinte cabelo ou qualquer outra parte.


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