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DEU NO UOL/FOLHA

O marqueteiro João Santana, 62, nega que haja qualquer irregularidade no internamento de US$ 16 milhões, pagos por um partido de Angola.

A operação é investigada pela Polícia Federal, que apura a suspeita de que o montante tenha sido uma operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT.

Em entrevista por e-mail, ele diz que a “operação foi totalmente legal”.

Folha – A PF apura por que a sua empresa trouxe US$ 16 milhões em 2012 de Angola, numa operação em que a polícia e procuradores suspeitam de lavagem de dinheiro. Faz algum sentido essa suspeita?

João Santana – Trata-se de operação totalmente legal e transparente de recursos que ganhamos na campanha presidencial de 2012, em Angola. O pagamento pelos serviços foi realizado por transferência bancária entre uma conta do cliente, o MPLA, no Banco Sol, para uma conta da Pólis, no mesmo Banco Sol, em Luanda. A transferência foi feita via Banco Central e seguiu as normas, além de ter sido acompanhada pelo “compliance” do Bradesco.

O inquérito cita que sua empresa pode ter sido usada para trazer recursos para a campanha do candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Há alguma ligação entre a internação e a campanha?

Isso é puro nonsense. O contrato da Pólis com a campanha de Haddad foi de R$ 30 milhões, pagos pelos fundos da campanha e verbas partidárias do PT. Temos notas fiscais e depósitos que comprovam isto. Valor totalmente de acordo com os preços do mercado. Para você ter uma ideia, os serviços de marketing de José Serra, na mesma campanha de 2012, somaram R$ 32,6 milhões.

Eu recebo dos meus clientes. Não pago meus clientes. Lamento que esteja no meio desse furacão, que pode me trazer, injustamente, graves prejuízos. Mas não vou fazer o papel de coitadinho. Farei o que sempre achei certo. Adotarei a transparência. Coloquei um endereço na internet com todos os detalhes e documentos dessa transação. Qualquer pessoa pode acessá-los nos endereços www.polispropaganda.com.br ou www.averdadesobreapolis.com.br.

Analistas dizem que é atípico internar US$ 16 milhões por conta dos impostos que se paga no Brasil e pela burocracia.

Como a Pólis não está estabelecida em Angola, não havia sentido em manter esses recursos por lá. Trouxe os recursos para o Brasil, país onde vivo, invisto e recolho impostos. A maior parte deste dinheiro continua depositado e aplicado em nossas contas. As únicas saídas foram para pagamento de fornecedoras ou parceiras, todas elas estabelecidas e respeitadas no mercado. Não há nenhuma saída que possa ser classificada como suspeita. Abro mão do meu sigilo bancário e do de minhas empresas e desafio que se prove o contrário.

Você já internou valores vindos de outros países?

Todas as outras campanhas feitas no exterior foram contratadas e realizadas por nossas empresas do exterior. Os recursos estão depositados e aplicados naqueles países. No caso de Angola, nossa equipe de administração entendeu que valeria mais a pena firmar contrato por nossa empresa brasileira. Angola não tem uma longa tradição bancária, de forma que os investimentos que oferecem não são tão vantajosos. Por esta razão, e por nossas necessidades, entendemos que era o caso de transferir os recursos ali recebidos, devidamente tributados e declarados no imposto de renda.

Um dos fatos considerados suspeitos é que você fez um plano de previdência de R$ 2 milhões para seus filhos.

Fiz isso na condição de homem livre, honesto e pai atento ao futuro dos meus filhos. Eu e minha mulher somos proprietários de nossas empresas. Não teríamos liberdade de investir em previdência e seguro para nossos herdeiros? De optar livremente por um tipo de aplicação que traz benefícios fiscais indiscutíveis? Trata-se de um cuidado normal dos que pensam no futuro e confiam no país em que vivem. O que isso tem de suspeito? Que ilação estúpida e absurda é essa?

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