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Maxi e Tti levantam a taça na Fonte


DEU NO CORREIO24HORAS

Da Redação

O Bahia goleou o Vitória da Conquista por 6 a 0 e se sagrou bicampeão do Campeonato Baiano na tarde deste domingo (3). Depois de perder por 3 a 0 a partida de ida e de ser vice-campeão do Nordestão durante a semana, o time tricolor reagiu e reverteu o placar na Fonte Nova hoje. Robson, Bruno Paulista, Kieza e Souza, duas vezes cada, marcaram pelo tricolor.

Foi o 46º título do Bahia e a primeira volta olímpica da nova Fonte Nova. O último título do Bahia no estádio foi há 14 anos, quando o tricolor foi campeão da Copa do Nordeste, em 2001, sobre o Sport.

O Bahia começou o jogo de maneira intensa e em apenas 22 minutos conseguiu fazer o placar que revertia a vantagem e dava ao tricolor o título baiano de 2014. Depois de uma pressão inicial, já aos 9 minutos o Bahia abriu o placar com o zagueiro Robson.

Souza cruzou, Viáfara tirou de soco e depois uma sobra de bola ficou com Robson, que fuzilou da entrada da área e marcou 1 a 0. Aos 13 minutos, em jogada parecida a bola sobrou fora da área para Bruno Paulista chutar de primeira e marcar um golaço. Faltava um gol para o tricolor construir o resultado necessário. O Bahia já teve a chance de fazer o terceiro aos 18 minutos, quando Kieza recebeu na cara do gol e driblou Viáfara, mas tentou passar para Maxi e viu a zaga cortar. Um minuto depois, Kieza recebeu novamente na cara do gol e chutou cruzado, mandando para fora. Mas a pressão deu resultado e aos 22 minutos no contra-ataque Maxi passou para Souza, que passou com qualidade para Kieza, sozinho, ter a tranquilidade de parar, olhar e marcar o gol que ia dando o título ao Bahia.

Mesmo com 3 a 0 no placar, o Bahia continuava pressionando para ficar com resultado mais confortável. A melhor chance veio aos 43, quando em contra-ataque Kieza avançou, tirou de Fernando Belém e chutou cruzado, em mais uma bola que passou muito perto do gol de Viáfara. Já o Conquista chegava mais em lances de falta, levantando na área em busca de um gol de cabeça, sem sucesso.

Segundo tempo

O Conquista voltou tentando dar calor no Bahia e buscar o gol que mudaria a história do jogo. Mas embora o fluxo fosse maior do Bode, as chegadas mais perigosas ainda eram do Bahia. Aos 10 minutos, Maxi Biancucchi achou Zé Roberto na entrada da área e o atacante virou chutando para o gol, mas Viáfara fez defesa segura.

Aos 13 minutos, Zé Roberto tabelou com Bruno Paulista, recebeu dentro da área e chutou forte, mas a bola tocou em um defensor conquistense e acabou desviando. Dois minutos depois, a arbitragem sinalizou pênalti de Sílvio em Zé Roberto. Com frieza, Souza cobrou e marcou o quarto do Bahia para alegria dos tricolores na Fonte Nova.

Aos 22, gol anulado do Bahia. Tiago Real chutou da entrada da área, a bola desviou em Maxi e encobriu Viáfara, mas o argentino estava impedido e o lance não valeu. Mesmo goleando, a pressão tricolor continuava. Tony tentou chute colocado de fora da área e Viáfara mandou para escanteio. Na cobrança, Maxi cabeceou e Diego Aragão desviou com a mão. O árbitro sinalizou novo pênalti e expulsou o jogador do Bode. Souza, com sua frieza característica, marcou novamente.

O Bahia já administrava a partida. Aos 34, o tricolor teve outro gol anulado. Kieza cruzou e Willians Santana completou para as redes, mas o auxiliar sinalizou impedimento e a jogada não teve validade. O tricolor ainda desperdiçou chances, mas aos 39 o artilheiro do campeonato, Kieza, recebeu pela direita, tirou do zagueiro, driblou Viáfara e marcou o sexto e último gol do
jogo.

Toca o hino do Bahia e chama o professor Adroaldo Ribeiro Costa para celebrar no céu tricolor:

Forró do ABC

Letra: João Santana (Patinhas)

Voz: Moraes Moreira

No forró do A
Nós vamos amar
No forró do B
Nós vamos beber
No forró do C
Nós vamos comer
Me D pois E
No forró do F
Nós vamos ferver

No forró do G
vamos agarrar
Gagh no forró do I
Que jogou pro J
Nesse L Lê Lê
Mas cadê você
Nesse lê lê lê
Mas cadê você?

No forró do M
Nós vamos mexer
No forró do N
vamos namorar
No forró do O
P Q R S T
Pra que recitar
Tantu U U U?
Tô aqui pra V
O seu X xi xi
Tô aqui pra ver o
Seu Z zê zê
Forró, Forró, forró
Forró do ABC

Álbum: Bazar Brasileiro
Ariola – 1980

BOA TARDE!!!

DEU NO UOL/FOLHA

O marqueteiro João Santana, 62, nega que haja qualquer irregularidade no internamento de US$ 16 milhões, pagos por um partido de Angola.

A operação é investigada pela Polícia Federal, que apura a suspeita de que o montante tenha sido uma operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT.

Em entrevista por e-mail, ele diz que a “operação foi totalmente legal”.

Folha – A PF apura por que a sua empresa trouxe US$ 16 milhões em 2012 de Angola, numa operação em que a polícia e procuradores suspeitam de lavagem de dinheiro. Faz algum sentido essa suspeita?

João Santana – Trata-se de operação totalmente legal e transparente de recursos que ganhamos na campanha presidencial de 2012, em Angola. O pagamento pelos serviços foi realizado por transferência bancária entre uma conta do cliente, o MPLA, no Banco Sol, para uma conta da Pólis, no mesmo Banco Sol, em Luanda. A transferência foi feita via Banco Central e seguiu as normas, além de ter sido acompanhada pelo “compliance” do Bradesco.

O inquérito cita que sua empresa pode ter sido usada para trazer recursos para a campanha do candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Há alguma ligação entre a internação e a campanha?

Isso é puro nonsense. O contrato da Pólis com a campanha de Haddad foi de R$ 30 milhões, pagos pelos fundos da campanha e verbas partidárias do PT. Temos notas fiscais e depósitos que comprovam isto. Valor totalmente de acordo com os preços do mercado. Para você ter uma ideia, os serviços de marketing de José Serra, na mesma campanha de 2012, somaram R$ 32,6 milhões.

Eu recebo dos meus clientes. Não pago meus clientes. Lamento que esteja no meio desse furacão, que pode me trazer, injustamente, graves prejuízos. Mas não vou fazer o papel de coitadinho. Farei o que sempre achei certo. Adotarei a transparência. Coloquei um endereço na internet com todos os detalhes e documentos dessa transação. Qualquer pessoa pode acessá-los nos endereços www.polispropaganda.com.br ou www.averdadesobreapolis.com.br.

Analistas dizem que é atípico internar US$ 16 milhões por conta dos impostos que se paga no Brasil e pela burocracia.

Como a Pólis não está estabelecida em Angola, não havia sentido em manter esses recursos por lá. Trouxe os recursos para o Brasil, país onde vivo, invisto e recolho impostos. A maior parte deste dinheiro continua depositado e aplicado em nossas contas. As únicas saídas foram para pagamento de fornecedoras ou parceiras, todas elas estabelecidas e respeitadas no mercado. Não há nenhuma saída que possa ser classificada como suspeita. Abro mão do meu sigilo bancário e do de minhas empresas e desafio que se prove o contrário.

Você já internou valores vindos de outros países?

Todas as outras campanhas feitas no exterior foram contratadas e realizadas por nossas empresas do exterior. Os recursos estão depositados e aplicados naqueles países. No caso de Angola, nossa equipe de administração entendeu que valeria mais a pena firmar contrato por nossa empresa brasileira. Angola não tem uma longa tradição bancária, de forma que os investimentos que oferecem não são tão vantajosos. Por esta razão, e por nossas necessidades, entendemos que era o caso de transferir os recursos ali recebidos, devidamente tributados e declarados no imposto de renda.

Um dos fatos considerados suspeitos é que você fez um plano de previdência de R$ 2 milhões para seus filhos.

Fiz isso na condição de homem livre, honesto e pai atento ao futuro dos meus filhos. Eu e minha mulher somos proprietários de nossas empresas. Não teríamos liberdade de investir em previdência e seguro para nossos herdeiros? De optar livremente por um tipo de aplicação que traz benefícios fiscais indiscutíveis? Trata-se de um cuidado normal dos que pensam no futuro e confiam no país em que vivem. O que isso tem de suspeito? Que ilação estúpida e absurda é essa?

Deu no portal Brasil 247

O jornalista João Santana reagiu, indignado, à investigação da Polícia Federal por lavagem de dinheiro, que ancora a edição da Folha deste domingo, relacionada a negócios em Angola. Segundo a reportagem de Mario Cesar Carvalho, ele seria suspeito de receber recursos de empreiteiras brasileiras, com atuação no país africano, que depois seriam repassados ao Partido dos Trabalhadores (saiba mais aqui).

“Criminalizar uma internação de recursos, feita pelo Banco Central, beira o ridículo”, diz ele, num vídeo postado num site criado especialmente para rebater as acusações (confira aqui o site e aqui o vídeo).

No site, Santana esclarece que recebeu US$ 20 milhões pela campanha em Angola e que decidiu trazer o dinheiro ao Brasil, via Bradesco, pagando todos os impostos. “Nossa empresa tem reconhecimento internacional e elegeu sete presidentes, um recorde mundial”.

Santana também questiona a suposição da PF de que ele receberia de empreiteiras e pagaria o PT. “Eu não pago nada aos meus clientes, eles é que me pagam”. No vídeo, o marqueteiro diz, ainda, que acionará a Justiça pedindo retratação pelos danos causados à sua imagem.

Numa nota pública, ele disponibilizou todos os documentos relacionados ao caso, como os impostos pagos à Receita Federal, os comprovantes da campanha em Angola, que elegeu o presidente José Eduardo dos Santos, e também da campanha do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que se elegeu no mesmo ano, com ajuda da Pólis, a empresa do marqueteiro (confira aqui a nota pública).

“A reportagem da Folha de S. Paulo, supostamente apoiada em um procedimento investigatório preliminar que corre em segredo de justiça, do qual os responsáveis da empresa ainda não foram oficialmente notificados, incorre em graves erros de informação”, diz a nota.

Eis, abaixo, os principais pontos sobre os repasses dos recursos:

A linha investigatória tenta, de forma insustentável e absurda, dizer que a Pólis trouxe dinheiro de Angola para financiar a campanha de Fernando Haddad.

1. Os valores pagos pelo MPLA foram depositados na conta que a Pólis Propaganda e Marketing mantinha no Banco Sol, em Angola, nas datas de 25 de junho e 27 de julho de 2012, conforme os documentos apresentados acima. Qualquer rastreamento irá confirmar que só recebemos recursos de nosso cliente, o MPLA. Tentar relacionar nossa empresa a uma investigação qualquer não passa de exploração política. A Pólis transferiu os valores para a conta que mantém no Bradesco, em Salvador, Bahia, onde fica a sua matriz, na data de 14 de setembro de 2012.

2. O compliance do Bradesco exigiu uma ampla documentação, além do acompanhamento rotineiro do COAF e Banco Central, para processar o depósito.

3. Esta cuidadosa análise do banco e dos órgãos de fiscalização fez com que os valores ficassem bloqueados até que fosse atestada a total legalidade do processo, como é praxe no caso de transferências internacionais. Em relação ao depósito realizado pela Pólis em 14 de setembro de 2012, os recursos foram liberados pelo Bradesco em 13 de novembro do mesmo ano.

4. Não há nenhuma movimentação posterior, de saída deste dinheiro da conta da Pólis, que caracterize beneficiamento da campanha de Haddad.

5. O contrato da Pólis com a campanha de Haddad foi de R$ 30 milhões, valor totalmente de acordo com os preços do mercado (os serviços de marketing de José Serra, na mesma campanha de 2012, somaram R$ 32,6 milhões). Do total contratado pela campanha de Haddad, R$ 9 milhões foram pagos nos meses de agosto, outubro e novembro de 2012, conforme notas fiscais abaixo anexadas.

6. A dívida de R$ 21 milhões que restou ao final da campanha foi assumida pelo Diretório Nacional do PT, e foi parcelada com a emissão de 21 notas fiscais no valor de R$ 1 milhão, cada uma, para facilitar o pagamento.

7. A emissão das notas foi feita em 26 de outubro de 2012 e as parcelas foram pagas ao longo de 2013, através de TEDs, (transferências eletrônicas) feitas pelo Partido dos Trabalhadores, conforme notas fiscais abaixo anexadas.

8. Estes fatos e documentos demonstram, cabalmente, que não houve nenhum artifício ilegal no pagamento dos débitos da campanha de Haddad.

maio
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DO UOL/FOLHA

NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

Principal estrela do marketing político brasileiro, o jornalista João Santana virou alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura a suspeita de que duas empresas dele trouxeram de Angola para o Brasil US$ 16 milhões em 2012 numa operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o Partido dos Trabalhadores.

O valor equivale a cerca de R$ 33 milhões, de acordo com o câmbio da época. Naquele ano, Santana, 62, trabalhou em duas campanhas vitoriosas, a do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e a do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

Uma das suspeitas dos policiais é que os recursos de Angola tenham sido pagos ao marqueteiro por empreiteiras brasileiras que atuam no país africano. Segundo essa hipótese, seria uma forma indireta de o PT quitar débitos que tinha com o marqueteiro.

Santana ganhou R$ 36 milhões pela campanha de Haddad, em valores corrigidos pela inflação, mas ele só recebeu a maior parte do dinheiro depois da eleição.

A campanha acabou com uma dívida de R$ 20 milhões com a empresa de Santana. O débito foi transferido para a direção nacional do PT, que negociou um parcelamento da dívida com o marqueteiro: o valor foi pago em 20 parcelas mensais de R$ 1 milhão.

Santana nega que tenha praticado irregularidade e diz que a suspeita de operação de lavagem de dinheiro para o PT não tem sentido. “Trata-se de uma operação legal e totalmente transparente”, disse à Folha.

OPERAÇÃO ATÍPICA

O inquérito sobre a Pólis, empresa de Santana, foi aberto este ano pela PF após um órgão do governo que combate a lavagem de dinheiro, o Coaf ( Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ter considerado “atípica” a operação que trouxe os US$ 16 milhões. Procurada, a PF não respondeu até o fechamento desta edição.

Três especialistas em finanças ouvidos pela reportagem, sob a condição de anonimato, dizem que não é comum o “internamento” (remessa de dinheiro do exterior para o Brasil), mesmo sendo legal, por causa da elevada carga tributária e da burocracia brasileira para alguém que tem negócios no exterior. A operação foi intermediada pelo Bradesco e declarada ao Banco Central.

Na operação de Angola, Santana teve de pagar R$ 6,29 milhões de impostos, segundo ele, o equivalente a 20% do valor que entrou no país.

Uma das empresas do marqueteiro que fez as remessas, a Pólis Caribe, fica na República Dominicana, que, apesar de não ser classificada oficialmente como um paraíso fiscal, permite o ingresso de valores sem cobrar impostos ou com taxas muito baixas, em torno de 5%.

A outra empresa usada para fazer parte da remessa de Angola para o Brasil foi a Pólis Propaganda & Marketing.

Já depuseram no inquérito o prefeito Fernando Haddad e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que foi ouvido antes de sua prisão, no último dia 15, por suspeita de ter recebido propina de empreiteiras contratadas pela Petrobras no governo Lula.

Haddad foi depor na última quarta-feira (29) à noite, depois do expediente, na condição de testemunha. A Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal cuida das investigações.

Santana é o marqueteiro político brasileiro com maior projeção internacional e atua no mercado desde 1999. Já realizou campanhas na Argentina, na República Dominicana, na Venezuela, no Panamá e em El Salvador, além de Angola. Apesar do currículo globalizado, a operação para trazer os US$ 16 milhões, que recebeu do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), foi a primeira do gênero que realizou.

Segundo Santana, o custo total da campanha angolana em 2012 alcançou US$ 20 milhões, dos quais cerca de US$ 4 milhões foram gastos para cobrir despesas operacionais e tributos em Angola.

Colaborou RANIER BRAGON, de Brasília


DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Bárbara Reis

Baltimore, que Nina Simone gravou em 1977, não é a sua melhor canção de protesto contra a segregação racial, nem a mais poderosa. Nasce 13 anos depois da grande virada política da cantora, quando ela já era uma das mais inspiradoras vozes do movimento de direitos civis americano.

Nina Simone queria ser pianista clássica e morrer tocando Bach. Ao não ser admitida numa escola de música — por causa da cor da sua pele, disse mais tarde —, reinventou-se. Estamos nos anos 1950, Nina Simone tem 21 anos e ainda nem se chama Nina Simone. Porque precisa de dinheiro, começa a dar aulas de música de dia e a cantar standards americanos em bares de New Jersey à noite. Para a mãe não saber, abandona o nome de batismo, Eunice Kathleen Waymon, e inventa Nina Simone. E assim ficou, durante anos, entre o jazz, o blues e o piano clássico, num cruzamento que ainda hoje não tem nome.

Os EUA começavam a ferver. Em 1955 — tinha Nina Simone 22 anos —, num ônibus de Montgomery, Alabama, Rosa Parks recusa levantar-se para dar lugar a um branco, e havia tantos bombardeamentos de casas de negros em Birmingham pelo Ku Klux Klan que a cidade era conhecida como “Bombingham”. Nina Simone via tudo isto mas não gostava das canções de protesto. Tiravam dignidade às pessoas que queriam homenagear, dizia. E foi cantando as “suas coisas”. Até que veio o 12 de Junho de 1963. Do nada, e em plena luz do dia, um membro do Ku Klux Klan assassina Medgar Evers com um tiro nas costas. Evers era um ativista negro do Mississípi que se tornara incômodo na luta contra a segregação racial na universidade. Ao chegar ao hospital, não o deixaram entrar. Era um hospital para brancos. John Kennedy já estava na Casa Branca mas ainda faltava um ano para a histórica lei federal que proibiu todas as leis segregacionistas do país. Para Nina Simone, foi a gota de água. Cantou Mississipi Goddam e, meio século depois, a canção continua a ser um grito de dor. “Everybody knows about Mississippi Goddam!”

Baltimore veio depois, mas a fúria ainda é evidente. A sua voz que enfeitiça canta uma “cidade dura à beira-mar”, onde as “pessoas escondem as caras” porque “a cidade está morrendo” “and they don’t know why”. “Oh, Baltimore/ Ain’t it hard just to live?” Todos querem fugir. “Never gonna come back here/ Till the day I die.” Há dez anos, o Governo americano foi derrotado em tribunal por concentrar os negros em bairros de habitação social nas zonas mais pobres de Baltimore, num novo tipo de segregação. Esta semana, Freddie Gray, um jovem negro, foi morto por polícias brancos. Em Baltimore. Um rapaz foi para a rua protestar. Ele tem 20 anos e os avós ainda se lembram de tudo.

DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Lula e a tática do ataque como melhor defesa

Mais que um ataque às “elites”, a participação do ex-presidente Lula na festa do 1º de Maio, em São Paulo, é uma defesa prévia, a qual não gostaria de estar fazendo, mas a ela é compelido pelo desespero de sentir cada vez mais próximos os fatos que aos poucos vão liquidando o PT e seus principais quadros.

Na saraivada de frases que proferiu, cercado por uma plateia amiga e calculada – até pela evidente divisão das forças sindicais –, o que ressai é a incoerência de sempre, o apelo a uma realidade inexistente, na busca de envolver pela emoção o público mais sujeito às investidas do seu confusionismo.

Não faz nenhum sentido, por exemplo, atribuir acusações de tráfico de influência que lhe são feitas a um “medo inexplicável” de que volte à presidência da República alguém que beneficiou, confessadamente, as classes dominantes, especialmente grandes empresários e banqueiros. Seriam mesmo “masoquistas”, como disse.

Lula está sendo citado como mentor, participante ou beneficiário de transações nebulosas desde o mensalão, cuja existência ele inicialmente aceitou, definindo-o como “uma facada pelas costas”, e depois negou, prometendo que ia “desmontar a farsa” quando deixasse a presidência, e o que vimos foi a condenação de seus aliados.

Durante dez anos, a cada nova suspeita que se levanta, o silêncio e a dissimulação têm sido as práticas do ex-presidente. Agora, com a nação à beira de uma convulsão, que poderá ter motivação de várias origens, ele entende que é preciso reativar as baterias de bravatas e sofismas.

Empresários que fazem parte da “elite” ganharam muito dinheiro ilícito em seu governo e no da presidente Dilma. Se agora abrem o bico, não é porque sejam entes maléficos que conspirariam para impedir a continuidade da “redenção” do povo brasileiro com sua volta ao cargo. Apenas querem salvar a pele, mais ou menos o que Lula deseja para si.

maio
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Posted on 03-05-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-05-2015


Lailson, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA ( DOS JORNALISTAS MARIO BONFIM E DIOGO MAINARDI)

2.226 visitas, não 1.800

O G1 dá um número diferente daquele fornecido pelo Estadão: de acordo com o portal, dez operadores do petrolão fizeram não 1.800, mas 2.226 visitas å sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, de 2000 a 2014.

O Antagonista refez a conta. Isso significa uma visita a cada 2,3 dias, e não 2,8 dias, como afirmamos no post anterior, levando em consideração todos os dias do ano.

Se contarmos apenas os dias úteis, é uma visita a cada 1,5 dia.

É a Petrobras se superando.

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