Máximo Kirchner algemado: já pensaram
uma capa assim no Brasil?

ARTIGO DA SEMANA

Imprensa: Algemas de Máximo, herdeiro dos Kirchner

Vitor Hugo Soares

Ando apressado e quase às cegas pelo amplo, moderno e sempre movimentado aeroporto internacional de Buenos Aires (Ezeiza) à procura da área de embarque, para retorno ao Brasil. Ainda assim é impossível não perceber e acusar o impacto do apelo gráfico e jornalístico da capa da revista semanal Notícias – a VEJA da Argentina, mal (ou bem?) comparando -, com a foto de Máximo, o jovem herdeiro e gestor dos negócios dos Kirchner, algemado. Carrego na mão, de volta a Salvador, um exemplar da incendiária edição.

Depois de rápido e sempre memorável reencontro com Buenos Aires, a amada cidade de tantas idas e vindas desde o começo da carreira profissional (o primeiro e mais turbulento, no início dos anos 70, ainda como repórter do jornal A Tarde, e a maioria dos demais e sucessivos já na sucursal do Jornal do Brasil na Bahia), constato mais uma vez: a cidade segue linda, mesmo que não tão florescente quanto aquela do tango famoso de Gardel. Sua gente, sua cultura, seu jeito particular de ser e sua imprensa, no entanto, não param de surpreender a este calejado viajante.

Agora, por exemplo, na mais influente revista da Argentina, edição que começou a circular no Domingo de Páscoa, o filho da presidente Cristina Kirchner aparece do jeito que os brasileiros estão se acostumando a ver, nos desfiles de figurões da política e dos negócios do País, desde o processo do Mensalão. Tudo ampliado, ultimamente, depois da Operação Lava Jato e o escândalo sem tamanho de saque à Petrobras, que multiplicaram os desfiles de malfeitores de colarinho branco a caminho das celas da Polícia Federal em Curitiba, para se entenderem com o juiz Sergio Moro.
Quer mais? , vá em frente então.

A chapa esquenta, ferve e já quase incendeia a política na casa do vizinho à beira do Rio da Prata e da Cordilheira dos Andes. São os primeiros e agitados movimentos da campanha presidencial pela sucessão da atual ocupante da Casa Rosada, no ocaso de seu segundo mandato. Cristina não pode legalmente disputar um terceiro mandato, nem parece ter mais cacife político e eleitoral para tanto, mas trabalha dia e noite, às escâncaras e às escondidas, para de alguma maneira manter a “dinastia dos Kirchner” no centro do poder.

Sob esse ponto de vista, a capa de Notícias, de grande influência, principalmente na classe média portenha, parece devastadora. Ao fundo da imagem do jovem e badalado herdeiro, e administrador da fortuna do clã mais poderoso do país, aparece com algemas nos punhos para a frente. E o título. “Máximo Kirchner: A foto mais temida por Cristina”.

Mais abaixo, a chamada de primeira página:

“A Justiça Federal pensa em interrogá-lo. Indagar-lhe sobre lavagem de dinheiro. “Vingança abutre?”. Tensa reunião em Olivos (palácio residencial da presidência da República, nos bucólicos arredores da capital portenha) para decidir sua defesa midiática. O karma de ser líder e uma candidatura “por fueros” (privilégios).

Nas páginas internas, o título da reportagem: “Heredero en la Mira” (Herdeiro na Mira). O texto começa dando a palavra ao acusado: “Mais do mesmo”, diz Maximo Kirchner para negar as suspeitas lançadas sobre ele, de ser detentor de contas no exterior da ordem de 62 milhões de dólares. “Mais do mesmo” se poderia questionar também pela falta de transparência de seus atos e de sua mãe, presidente da Nação”, contesta a revista em sua reportagem de fundo.

Mais não conto, “nem que a vaca tussa”, para usar expressão da nossa ocupante do Palácio do Planalto, no tortuoso começo de seu segundo mandato. Mas informo que no site de Notícias é possível ler tudo dessa história imprópria para menores. O fato é que passei por Ezeiza, quando os primeiros e apaixonados movimentos da campanha presidencial começavam a incendiar a Argentina mais uma vez.

Em visita à Rússia, entre abraços, acordos com pagamentos em pesos ou em rublos, e juras de amizade eterna ao colega Putin, a mandatária deu entrevista à cadeia estatal russa RT. Mexeu com governistas e oposicionistas de seu país ao afirmar que não terá favoritos à sua sucessão. “Favoritos têm os reis, isso não é da democracia, é da monarquia”. O analista portenho Pablo Mendelevich contesta no La Nacion. “Se confirmou: na Argentina há, ou houve até bem pouco, uma monarquia. É assombroso que exatamente Cristina Kirchner opine que quando um presidente tem um favorito para sucedê-lo não há democracia”. E fico nesta parte, porque a história é longa e crua. Interessados no todo procurem a edição de ontem (24) no site do La Nacion.

Neste domingo, e neste ambiente carregado de eletricidade, a população de Buenos Aires vai às urnas nas primárias para as eleições provinciais de julho que vêm, três meses antes das presidenciais. Para este sábado, 25, as previsões sombrias são de que as cinzas da violenta erupção do vulcão chileno Cabulco, que acordou de repente depois de dormir durante quase meio século, cobrirão a capital federal argentina, depois de causar estragos na famosa cidade turística de Bariloche, na província de Neuquén, bem pertinho do local de origem do clã (ou da família imperial) Kirchner. Em Neuquén já se falava ontem em suspender a eleição local de domingo, diante do desastre.

É este o cenário que Cristina Kirchner encontrará no seu retorno da badalada visita ao reino de Putin. O resto, a conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

vangelis.a on 25 Abril, 2015 at 9:15 #

Penso numa imagem assim com o filho do Sapo Barbudo… hahahahahahaha


luis augusto on 25 Abril, 2015 at 11:23 #

Por que não o próprio batráquio? A lagoa está secando.


jader on 25 Abril, 2015 at 12:05 #

Enquanto a caravana passa… o sapo barbudo cuida da saúde para 2018!!!!!!!!
http://tijolaco.com.br/blog/?p=26438


jader on 25 Abril, 2015 at 12:18 #

Como afirma minha guru de Harvard: ” O BP não é espaço de doutrinação, mas de inteligência” retiro o “Enquanto a caravana passa” e substuto-o (replace it) por ” Os cães ladram”….


luiz alfredo motta fontana on 25 Abril, 2015 at 13:14 #

Depois da Veja, deste final de semana, ignorar a lama em Lula é tarefa insana.

Rose, filho, e o poste, formam bizarro cordão, Suplicys ainda aplaudem, enquanto despem desajeitados camafeus.

Na vitrola esquecida, um velho LP acorda e resmunga:
– “apesar de você amanhã há de ser, outro dia…”


luis augusto on 25 Abril, 2015 at 21:57 #

Esse sapo vai ter de pular muito para escapar dessa, apesar das pré-viúvas.


ALEIXONASCIMENTO on 27 Abril, 2015 at 21:27 #

QUE SIRVA DE EXEMPLO AQUI NO BRASIL PARA LULA E LÇULINHA


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