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Postado em 20-04-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 20-04-2015 00:21


DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Condições para o “impeachment” de Dilma…

Com situação política apresentando uma nova face a cada dia e o cenário econômico não sendo dos mais promissores, o Brasil caminha para um impasse institucional que pode causar sérios abalos sociais.

Antes uma bandeira levantada em manifestações ou uma declaração de algum político oportunista, a perspectiva de impeachment da presidente Dilma Rousseff chega, por altas autoridades, à etapa da materialização do crime de responsabilidade que ela teria cometido.

A atual presidente mostrou incúria quando foi ministra das Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tendo contribuído para o quadro atual da estatal, com responsabilidade direta na simbólica compra da refinaria de Pasadena.

Na presidência da República, o defeito foi a falta absoluta de aptidão para o cargo, que exigiria qualidades de gestão que não demonstrou e, sobretudo, pendores políticos igualmente não revelados.

Está, assim, descrito um quadro que pode, no meio político, ao qual cabe a decisão soberana nesse tipo de processo, exacerbar um movimento para o afastamento da presidente, cujo partido dá sinais de enfraquecimento e perda de respaldo.

…esbarram na hipótese de Temer no Planalto

Esse roteiro, entretanto, tem um obstáculo poderoso. Recordemo-nos de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que tem a prerrogativa de acolher ou rejeitar um pedido dessa natureza, disse, logo após assumir o cargo, há cerca de três meses, que não via motivos para um processo contra Dilma.

Com a postura pacificadora, aparentando magnanimidade, pois é sabido adversário da presidente, Cunha apenas comportou-se dentro do seu figurino. Derrubar um governo dá muito mais trabalho e é muito mais imprevisível do que controlá-lo e dele obter vantagens.

Nas ruas, a sociedade demonstra uma fobia de partidos políticos, embora, paradoxalmente, uns sejam o retrato da outra. Sai-se gradativamente do alheamento completo, e a esta altura é improvável que a população concorde em tirar Dilma da cadeira para nela colocar Michel Temer e o PMDB.

O impeachment não deverá passar porque a deteriorada cúpula política do país chegará à conclusão de que, se o levar adiante, será para a convocação de eleições presidenciais no prazo de 90 dias a partir da posse do presidente interino, o próprio Cunha, o que valer dizer: também Temer teria de ser cassado.

Na eventual impossibilidade de encontrar-se no palheiro das motivações jurídicas um fato para que toda a chapa fosse considerada ilegal, os atuais senhores da República prefeririam continuar com as rédeas até o fim de Dilma e ver o que Deus lhes reserva para depois.

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