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Postado em 19-04-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-04-2015 00:03


Chilenos da empresa Alpargatas, que fabrica as Havaianas.


DEU NO EL PAIS

Raquel Seco

De São Paulo

Pergunte a qualquer brasileiro na casa dos 40 anos sobre os chinelos que usava na infância. Com certeza vai responder que se lembra das Havaianas de sola branca e tiras azuis. Eram baratas e resistentes, e tão populares que o Governo chegou a fixar seu preço, assim como fazia com outros produtos básicos, como o arroz e os legumes.

O calçado que alguns batizaram de forma classista como Havaianas de pedreiro conquistou primeiro as favelas, o campo, a praia e as cidades. Hoje são vendidas mais de 210 milhões de peças por ano, se tornando a grande marca internacional do Brasil e o carro-chefe da empresa Alpargatas, fabricante das Havaianas e maior produtora de sapatos da América Latina. A divisão Havaianas representa dois terços das vendas globais da empresa, que também produz roupas e acessórios.

As sandálias Havaianas tiveram uma origem distinta e seguiram caminho oposto ao de outras marcas. Após começar como produto bom e barato, queria chegar às classes mais altas. Desde os anos 1990, o catálogo cresceu tanto que hoje inclui chinelos de 9,90 reais e outros, com pedras Swarovski incrustadas, por 500 reais. São vendidos nas galerias Lafayette de Paris, El Corte Inglés na Espanha, supermercados e lojas de povoados do interior do Brasil.

O desenho de 1962 que serviu para patentear o chinelo (inspirado no zori, um calçado tradicional do Japão) está preso no enorme escritório de paredes brancas do presidente da Alpargatas, Márcio Utsch. No 14º andar do edifício sede da companhia, o empresário, que chegou à Alpargatas em 1997, observa o emaranhado de ruas e arranha-céus de São Paulo. Está na casa dos 50 anos e tem cabelo branco, mas é atlético, com porte de corredor. Conta que começou a trabalhar aos 12 anos vendendo passagens de ônibus “por absoluta necessidade”. Nos pés calça alpargatas azuis de sua marca mais famosa.

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