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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTYA LUIS AUGUSTO GOMES)

Salvador torce para que esta briga demore

A capital baiana agradeceria por muitas gerações se as condições apontadas para concessão do alvará da obra do metrô da Paralela – cujos trens já circulam em outdoors – estiverem escondendo, na verdade, uma disposição íntima do prefeito ACM Neto de dificultar o projeto.

Em debate de que participou na televisão entre candidatos a prefeito, Neto afirmou, como se não gostasse da perspectiva, que jamais se havia pensado em metrô na Avenida Paralela, espaço nobre da cidade, implementado no tempo em que seu avô, o falecido senador ACM, foi prefeito de Salvador.

O prefeito questiona três aspectos: o impacto ambiental, com a perda de gramados, lagoas, árvores e formações rochosas ao longo de 13 quilômetros, os problemas que a obra criaria para a mobilidade e, principalmente, a exploração de tão vasta área por empresa privada sem contrapartida para a Prefeitura, dona das terras.

O governador Rui Costa, por sua vez, mostra-se preocupado, porque acredita que, concretizado, o metrô será a grande realização do seu mandato. Para pressionar, passa por cima das argumentações do prefeito a apela para o tradicional recurso dos “cinco mil empregos” que seriam criados.

Neto joga sua cartada. Diz que “não há dúvida de que a obra está assegurada”, mas reitera as condições, possivelmente prevendo que serão de difícil cumprimento. Quer a ter garantia de que o trânsito não será interrompido e ainda saber “a posição da obra no canteiro da Paralela”.

Temos, portanto, mais um movimento no relacionamento de altos e baixos que Rui Costa e ACM Neto vêm mantendo desde a última campanha eleitoral. O novo impasse se refere a uma decisão que afetará profundamente o cenário urbano. Espera-se que a melhor seja tomada.

O defensor menos indicado

O desempenho de Carlos Martins como secretário da Fazenda e como candidato a prefeito de Candeias não o recomenda como avaliador da arquitetura e do impacto ambiental do metrô planejado para a Paralela.

O efeito visual “será suavizado com paisagismo e árvores”, segundo o agora secretário de Desenvolvimento Urbano, para quem “a cidade vai ter orgulho do seu metrô”.

Desfecho difícil, levando-se em consideração a, com licença da palavra, porcaria de acabamento de obras infinitamente menores que o governo do Estado fez em Salvador, como a via marginal da própria Paralela e o conjunto da Rótula do Abacaxi.

Como era fácil falar…

Em 8 de agosto de 2011, o governador Jaques Wagner e o prefeito João Henrique, os poderosos da ocasião, anunciaram o metrô como modelo de transporte para a Avenida Paralela.

“O projeto inteiro”, disse a imprensa na época, “será apresentado à sociedade na quinta-feira [dia 11], com a publicação do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Em até 40 dias, o edital para realização das obras deve ser publicado, segundo Wagner, para que a construção comece ainda este ano”.

A declaração de João Henrique não parece menos risível aos olhos de hoje: “É importante que o legado de mobilidade urbana que será deixado para Salvador com a Copa do Mundo atenda todo o território da cidade, dentro de uma rede interligada intermodal de transporte coletivo”. (LAG)

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 17 Abril, 2015 at 8:33 #

Torçamos, então, para que esta briga impeça a gerigonça que empreiteiras querem fazer na Paralela.

Outra solução, esta seria definitiva, é a construção de uma estação do metrô bem no início da Paralela, com trilhos que penetrem lá nas profundezas da Terra. E em viagem única, sem volta, um vagão do metrô carregasse determinados políticos e os deixassem no ponto final. Na “Estação Quintos dos Infernos”.


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