Dá-lhe, Roque Ferreira. Excelente entrevista no Roda Baiana, da Radio Metropole.
Parabéns , Andrezão!!!

BOA TARDE

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

“Impeachment” é medo recôndito de Wagner

Com raro senso para aproveitar as oportunidades de produzir declarações que o elevem, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, tranquiliza a nação: é praticamente zero a possibilidade de as Forças Armadas intervirem no processo político, embora não seja preciso ser cientista político para saber disso.

É de lógica elementar que essa não é mais a fórmula de controle a exercer-se sobre a sociedade, bastando ver como a Rede Globo, um dos três pilares da ditadura de 1964, ao lado do poder econômico e da própria força militar, é hoje porta-voz da democracia e das liberdades.

Houve um tempo em que o poderoso conglomerado, cuja influência obviamente foi reduzida com o avanço do mercado de comunicação, negava a existência de movimentos populares, com licença da ênfase, realmente autênticos, como os comícios por eleições diretas de 30 anos atrás.

Passada essa fase, e constatando que é mais fácil ganhar eleições, o establishment nacional mudou de tática para não renunciar à estratégia de controle social. A televisão está nas ruas para demonstrar a “insatisfação generalizada”, que, com um pouco de apuro, poderá conduzir, quem sabe, ao impeachment da presidente Dilma.

É essa a preocupação do ministro Wagner. Tanto que, na mesma entrevista em que procurou nos confortar com a mensagem da solidez constitucional, observou que “o poder é conquistado pelo voto popular e é perdido pelo voto popular”.

BOM DIA!!!

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16
Posted on 16-04-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-04-2015


Cunha é alvo de protesto durante malhação do Judas, em Fortaleza. / Cristhyana Abreu (CTB)

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Após reinar no Congresso Nacional desde que foi eleito presidente da Câmara, em fevereiro, Eduardo Cunha (PMDB) sofreu nesta semana seu primeiro grande revés, com o adiamento da votação sobre a regulamentação da terceirização. Fora da Câmara, contudo, o peemedebista já vem enfrentando problemas há mais tempo. O protagonismo de Cunha mudou o equilíbrio de poderes em Brasília, e, agora, cobra seu preço.

Como parte de uma proposta para aproximar a Câmara dos Deputados da população, o peemedebista deu início ao projeto “Câmara Itinerante”, pelo qual visita assembleias legislativas Brasil afora para ouvir propostas sobre a reforma política. Até agora, o chefe do poder Legislativo visitou quatro capitais (Curitiba, São Paulo, João Pessoa e Natal). E não foi poupado de protestos em nenhuma delas. Cunha, parte da bancada evangélica que defende que a família deve ser “homem e mulher”, atribui os gritos de “homofóbico” e “corrupto” a adversários petistas e promete reagir. “O PT não vai constranger o PMDB pelo país. O PMDB não vai aceitar ser constrangido pelo PT. Esse é o recado que nós estamos dando”, disse após ser alvo de protesto na Paraíba.

É nesse contexto de confronto e disputa por poder que surgem questionamentos como o baseado no processo trabalhista que a mulher de Cunha ganhou da Rede Globo há alguns anos. A jornalista Claudia Cruz travou uma disputa judicial contra a emissora por trabalhar como prestadora de serviços por anos quando exercia, conforme concedeu a Justiça, função de funcionária da empresa. Como Cunha foi o responsável por desengavetar o projeto que regulamenta a terceirização, seus adversários exploram a aparente contradição.

O presidente da Câmara já deu provas, contudo, de que não está disposto a retroceder em suas pautas e, político habilidoso, aproveita os ataques para reforçar a conexão com seu eleitorado. No dia 13 de abril, começou o dia, às 6h30, com um salmo eloquente em sua página de Facebook: “Livra-me, ó Senhor, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder.”

abr
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Posted on 16-04-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-04-2015


Claudio, no jornal Agora São Paulo

abr
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DEU NO EL PAIS

A prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na manhã desta quarta-feira durante a 12ª etapa da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção e desvio de dinheiro da Petrobras, coloca o PT novamente no olho do furacão. Ele é o primeiro dirigente petista detido por envolvimento no caso. O ex-deputado André Vargas, preso na semana anterior, já não estava atrelado à legenda pois foi expulso do partido. O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula afirmou que além de “ser mencionado por ao menos cinco delatores como operador do PT no esquema”, existem “provas materiais” do envolvimento de Vaccari nos crimes apurados. De acordo com o procurador do Ministério Público Federal Carlos Fernandes Santos Lima, o atual tesoureiro petista orientava os empreiteiros a pagar as propinas ligadas a contratos com a Petrobras para empresas com relações com o partido.

Em nota, o PT afirmou que Vaccari é inocente e que sua detenção “é injustificada visto que, desde o início das investigações, ele sempre se colocou à disposição das autoridades”. De acordo com o texto, os advogados do tesoureiro entrarão com pedido de habeas corpus. Apesar da defesa, o partido informou que “por questões de ordem práticas e legais, João Vaccari Neto solicitou seu afastamento da Secretaria de Finanças e Planejamento do PT”, e foi atendido.

A notícia chega em um momento delicado para o Governo, no qual os grandes partidos da oposição ainda não apoiam abertamente o discurso do impeachment que ganhou as ruas nos protestos de domingo, mas já procuram brechas para embasar a medida, aproximando-se, inclusive, dos movimentos que pedem a saída da presidenta. Segundo a Folha de S.Paulo, um advogado ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria encomendado ao jurista Ives Gandra um parecer sobre o assunto. Nesta quarta, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) divulgou nota dizendo que “o partido é reincidente ao ter o tesoureiro Vaccari, sucessor de Delúbio Soares [condenado no mensalão], flagrado e preso por arrecadar dinheiro desviado de empresas públicas para alimentar campanhas”. De acordo com o parlamentar, diante deste cenário, “tudo caminha para que o PT perca seu registro”.

Mas a oposição não é o único problema que o PT terá que enfrentar. “Há uma crise dentro da legenda que já vem crescendo desde o mensalão. O partido não é hegemônico, existem várias correntes e tendências, e muitas delas estão insatisfeitas com a ala pragmática – que inclui a direção nacional”, diz o professor de Ética e Política da Unicamp Roberto Romano. Para ele, o maior prejudicado pela prisão do tesoureiro do PT será o próprio partido, que sofrerá um aprofundamento de suas fraturas internas. “A Dilma Rousseff tem pouca coisa a perder, já que praticamente seu trabalho de governante está ‘terceirizado’ e sua popularidade é baixíssima”, afirma.

“Há uma crise dentro da legenda que já vem crescendo desde o mensalão”, diz professor de ética

Para Romano, os setores católicos e progressistas já têm – desde o mensalão – se mantido afastados da coordenação da legenda, personificada atualmente na figura do presidente nacional, Rui Falcão. “Os militantes de base, que fazem trabalhos nas periferias e no campo, por exemplo, percebem essa separação entre a cúpula do partido e suas ideias. E isso torna cada vez mais difícil para eles justificar essas decisões direção nacional”, afirma. Soma-se a isso a prisão do tesoureiro do partido e a iminente crise das correntes petistas ligadas ao sindicalismo, abaladas pela aprovação na Câmara do projeto de lei da Terceirização, e o resultado é “um aprofundamento das fraturas já existentes no PT”.

O professor acredita que apenas a figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode manter a unidade do partido. “Historicamente, ele tem sido o cimento que une as diferentes tendências”, afirma. Padrinho político da presidenta Dilma, Lula tem bom trânsito entre a ala sindicalista, pragmática e também conta com a simpatia dos movimentos sociais e da corrente católica do PT.

Romano acredita que, por já enfrentar grave crise de popularidade, a imagem de Rousseff não sofrerá novos abalos após a prisão de Vaccari. “Ela tem pouco a perder, tem pouca ‘gordura para queimar’”, afirma, lembrando que ela ‘terceirizou’ parte do Governo ao entregar a articulação política para seu vice, Michel Temer (PMDB), e que o Planalto continua ‘refém’ do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, ambos também peemedebista.

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