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Postado em 13-04-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-04-2015 00:33


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Sobressaltos de Dilma vêm da redemocratização

Talvez pelo distanciamento, a imprensa estrangeira costuma definir com mais clareza a conjuntura brasileira. Essa do El País, reproduzida no site Bahia em Pauta, de que não faltou sobressalto em nenhum dos 100 dias do governo Dilma, foi precisa.

Num exemplo histórico disso, profetizou um jornal norte-americano na morte de Tancredo Neves: vai haver um “vácuo de poder” no Brasil, porque “o vice-presidente [José Sarney] não tem condições de conduzir a aliança” que derrotou no Colégio Eleitoral o candidato do regime, que era o onipresente Paulo Maluf.

Tancredo era um estadista. Não se duvidava que imprimiria ao Brasil um recomeço democrático estável e progressista. Sem ele, a Nova República nasceu híbrida, insegura, abalada, e dessa gênese espúria resultam, necessariamente, os sobressaltos de hoje.

Sarney, embora se lhe reconheça a tolerância democrática, pois não se atreveu a usar a força ou a intimidação nem quando foi pessoalmente submetido a constrangimento físico, foi também tolerante com a corrupção, tolerante com a inflação, tolerante com os amigos, tolerante com a família…

Do caos que seu governo instalou no país é que emergiu Fernando Collor de Mello, e aí mais uma vez o destino teve interferência direta, dando o poder aos tucanos, mesmo o vice-presidente Itamar Franco não o sendo, os quais reordenaram, com o Plano Real, as bases das economia.

A contribuição do sucessor Fernando Henrique Cardoso, no entanto, foi indelevelmente manchada pela instituição da reeleição presidencial, que, sem entrar nos métodos para que fosse conseguida, constituiu, por simples oportunismo, uma inconsequência política, poderíamos mesmo dizer um ato de lesa-pátria.

Essa mudança radical na legislação eleitoral brasileira foi, a princípio, o melhor combustível que se poderia dar à corrupção, mais do que nunca, desde então, disseminada a partir de cinco mil prefeituras, em que a reeleição, e não o trabalho, era entronizada no primeiro dia de mandato.

Para o tucanato em si, a medida foi ainda mais grave, porque viu seus adversários do PT aproveitarem – e já por duas vezes – o maligno instituto. Pena que esses últimos 12 anos não tenham transcorrido como era a esperança da nação, revelando-se apenas um campo livre para os velhos vícios do poder pelo poder, da mistificação ideológica e, claro, de até agora inestimável assalto ao Estado.

Temos hoje, enfim, 30 anos após Tancredo, uma presidente-fantoche, sem evidentes requisitos técnicos e políticos para chegar aonde chegou, abandonada até pelos que a geraram, diante de um quadro de completa incerteza quanto à travessia não dos quatro anos de mandato, mas, com boa vontade, deste 2015.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 13 Abril, 2015 at 1:12 #

Vitor e Luís Augusto.
Infelizmente o que temos são presidentes-fantoche. Fantoches das empreiteiras, fantoches dos latifundiários escravagistas do agronegócio e, principalmente, fantoches do sistema financeiro.


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