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PARA QUEM SE ESPANTA COM DEMISSÕES EM MASSA NOS JORNAIS BRASILEIROS
POR ROSANE SANTANA, DE BOSTON 16/02/2009
(Publicado originalmente no Bahia em Pauta. Dois textos mais atuais que nunca (quase premonitórios) e que merecem republicação e releitura neste domingo da semana comemorativa do Dia do Jornalista (7/3) (Vitor Hugo Soares)

O jornalista e escritor americano, Walter Isaacson, editor da Time, assina artigo de capa da revista americana, que circula desde a semana passada aqui nos Estados Unidos, em que profetiza o fim de alguns jornais impressos em grandes cidades dos EUA, no rastro da crise que atinge o The New York Times. Diz que chegará o tempo em que revistas e network-news (rede de noticias) serão operadas com um número muito reduzido de reporteres.

Ainda, segundo Isaacson, nunca os jornais tiveram tantos leitores, inclusive jovens. O problema é que a maioria deles não está pagando, mas esta tendo acesso a notícias, livremente, através da Internet. E os jornais que por muito tempo sobreviveram tendo como fonte de receita assinaturas, vendas em bancas e publicidade, agora só contam, de verdade, com o dinheiro vindo dos anunciantes.

“It’s now or never for America’s dailes” (É agora ou nunca para os diários americanos), diz ele, que sugere como saída o “micropayament sistem”, a cobrança de“um níquel no tempo” (na Internet, claro), para que o jornalismo volte ao caminho da prosperidade. O leitor teria a opção de pagar por um artigo, por um dia de noticias, um mês etc. para ler revistas, blogs e outras medias.

Se o “micropayment system” funcionar, num futuro próximo, teremos uma mídia onde a qualidade da informação falará mais alto, com implicações diretas na formação profissional, salários etc. A discussão sobre ter ou nao ter diploma de jornalismo será irrelevante.

Rosane Santana é doutoranda em Comunicação e Política (Facom-UFBA ).Membro do Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital da UFBA
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CRISE DOS JORNAIS IMPRESSOS
Por Rosane Santana 08/04/2009
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BAHIA EM PAUTA

OPINIÃO/JORNALISTAS
O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR
Rosane Santana*

“Dia do Jornalista, 7 de Abril. Recebo do amigo Vitor Hugo Soares , editor deste Bahia em Pauta, e-mail sugerindo um artigo sobre a data, “com análise da crise atual, os labirintos em que a profissão se debate atualmente e as perspectivas”. Antes mesmo de responder positivamente ao convite, uma frase saltou em minha mente: “Tudo que é sólido desmancha no ar”, do Manifesto Comunista (Karl Marx), que virou nome de livro do filosofo americano Marshall Berman (subtitulo: “A aventura da modernidade”). Lançado no Brasil há mais de 20 anos, é obra recorrente sempre que se quer entender a velocidade das transformações nos dias atuais.

“ Neste mundo, estabilidade significa tão somente entropia, morte lenta, uma vez que nosso sentido de progresso e crescimento é o unico meio de que dispomos para saber com certeza que estamos vivos. Dizer que nossa sociedade está caindo aos pedaços é apenas dizer que ela está viva e em forma”, analisa Marshall.

Acostumado a reportar os fatos, o jornalista profissional, em todo o mundo, parece atônito com as transformações que colocam a categoria no ollho do furacão. Uma rápida pesquisa em edições recentes de jornais e revistas publicados aqui nos Estados Unidos, por exemplo, demonstra que uma espécie de tsunami arrasta a midia impressa (grande geradora de empregos) para caminhos ainda desconhecidos, sem que se saiba exatamente onde tudo vai parar, a capacidade de adaptação e sobrevivência.

Alguns se arriscam a exercícios de futurologia, baseados numa conjuntura econômica de crise, que só fez agravar a situação pre-falimentar de muitas empresas jornalísticas, provocada pela perda paulatina de receitas tradicionais (assinaturas e vendas em bancas), com a migração de leitores para a Internet nos últimos anos. The New York Times publicou, no mês de março, matéria de capa em que profetiza o fim dos jornais em grandes cidades, informando que “há muitas candidatas” nos EUA.“As Cities Go From Two Papers to One, Some Talk of Zero” (“Como cidades vão de dois jornais para um, alguns falam de zero”) . Do mesmo grupo empresarial, o The Boston Globe, atuando no vermelho,anunciou esta semana que podera fechar as portas.

A Revista Time debruçou-se sobre o tema há cerca de dois meses e também deu matéria de capa com proposta do jornalista e escritor Walter Isaacson (editor da revista), sob o título “How to Save Your Newspaper” (‘Como salvar seu jornal”). “It’s now or never for America’s dailes” (É agora ou nunca para os diários americanos), diz ele, que sugere como saída o “micropayament sistem”, a cobrança de“um níquel no tempo” (na Internet), para que “o jornalismo volte ao caminho da prosperidade”. O leitor teria a opção de pagar por um artigo, por um dia de noticias, um mês etc. para ler revistas, blogs e outras medias.Alguns especialistas sugerem, como melhor saída, a assinatura mensal, a exemplo do que ocorre com as Tvs a cabo.

A migração para a Internet, alerta Isaacson, vai implicar na redução drástica de pessoal nas redações: “magazines e network-news operations will employ no more than a handful of reporters” ( a operação de revistas e redes de notícias empregará não mais do que um punhado de repórteres”).O diário Seatle Post-Intelligence, da costa oeste americana, conhecido também pelo nome de P-I, que migrou inteiramente para a plataforma digital, no mes passado, é uma prova disso. Reduziu de 165 para 20 o número de profissionais em sua redação.

Mudanças tambem a vista na televisão. Pesquisas recentes demonstram que a maioria dos jovens está preferindo a Internet à TV como fonte de notícias e informação, por ser uma mídia mais interativa. Mas não sejamos catastróficos. Multiplicidade de plataformas, com a Web liderando o processo, parece ser o formato futuro mais provável da midia. Mais diversidade e menos monopolização.

Na periferia do capitalismo, o Brasil é atingido em cheio pela crise, no momento em que a categoria ainda se debate com a questão da obrigatoriedade do diploma, a proliferação indiscriminada de cursos universitários de jornalismo e o salário base, especialmente na regiao Nordeste, o que me faz lembrar a frase de Caetano Veloso em “Fora da ordem”: “Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruina”.

E retornando novamente ao filósofo Marshall, deixo uma mensagem para os colegas: “Homens e mulheres modernos precisam aprender a aspirar a mudança: não apenas estar aptos a mudanças em sua vida social e pessoal, mas ir efetivamente em busca das mudanças, procura-las de maneira ativa…Precisam aprender a não se lamentar…Mas a deliciar-se na mobilidade…A olhar sempre na direcão de futuros desenvolvimentos em suas condições de vida e em suas relações com outros seres humanos”.

Rosane Santana
Doutoranda em Comunicação e Política (Facom-UFBA )
Membro do Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital da UFBA

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