Dilma usa agasalho do Facebook no encontro com Zuckerberg
na Cúpula das Américas no Panamá

ARTIGO DA SEMANA

A serventia de Dilma, o extraterrestre e o viajante do Prata

Vitor Hugo Soares

“Se na economia manda Joaquim Levy e na articulação política do governo Michel Temer, para que servirá Dilma?”.

A questão estampada na enquete do Blog do Noblat, acompanhada de quatro opções de respostas ao leitor ( “Para nada”(1), “Para reinar sem mandar”(2), “Ela não deixará e Levy e Temer mandem(3) , “Não sei”(4) ) é dessas que merecem mais que um simples apressado X assinalado no espaço das escolhas.
A pergunta poderia embananar e fundir o cérebro daquele extraterrestre das crônicas geniais de Nelson Rodrigues, se ele de repente baixasse no Brasil tripulando um OVNI de outro planeta qualquer, nesta sexta-feira, 10 de abril (dia de escrever o artigo), que assinala os 100 primeiros dias do segundo mandato do governo da petista Dilma Rousseff, seus companheiros desarvorados e alguns aloprados.

Para o jornalista viajante da Bahia, recém-chegado de rápida e essencial passagem de reconhecimento e afeto por Buenos Aires, a pergunta da enquete é crucial e relevante. Pede atenção reflexiva, dentro e fora do País. E o tempo, senhor da razão, inexorável e imprevisível, a torna mais complexa e difícil de responder. Mesmo diante de tantas opções oferecidas.

Em Buenos Aires, pelo que vi, li, escutei e senti neste feriadão da Pascoa na cidade do Papa Francisco – barrancas portenhas do Rio da Prata , território mítico e referencial da política, da economia, dos protestos de rua multitudinários, das grandes crises sociais, da cultura e da convivência na América do Sul – posso afirmar: o atual governo de Dilma passa a impressão do minúsculo borrão expelido pela mosca sobre a imensa tela branca e vazia da poderosa imagem do escritor Eduardo Zamacois, no romance “Opinião Pública”.

No Restaurante, Café e Pizzaria “Los Inmortales” (um tradicional reduto portenho de boa comida e bons vinho), o almoço da quebra do jejum na Sexta-Feira da Paixão promete. Na casa, ponto de encontro de jornalistas, intelectuais e artistas e profissionais liberais que trabalham ou circulam pelas calles Lavalle e Corrientes na cidade que não dorme, o garçom politizado e antenado ronda a mesa dos brasileiros.
Bom de serviço, mas ruim de disfarce, logo se percebe que ele está atento à conversa o tempo todo e com a língua coçando. A certa altura não resiste mais e dispara. “Aqui tivemos a greve contra Cristina semana passada. Mas que grandes e fortes manifestações de protesto contra Dilma vocês fizeram no Brasil! Cristina está no fim do segundo mandato, mas Dilma está no começo. Quem poderia imaginar que iria dar nisso…?” Nisso o que ele não diz, nem precisa.

O garçom de “Los Inmortales” guarda suas reservas de surpresa e indignação para o padrinho e mentor da atual ocupante do Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula. “Este eu jamais pensei que iria acabar assim. Inacreditable!”, diz.

Chegou a hora de pedir a conta.

Nos diários impressos, nos sites de notícias da Internet, nas principais emissoras de TV da Argentina – e no canal privado da CNN que ligo no hotel – a Cúpula das Américas no Panamá, iniciada solenemente ontem e que terá sua reuniões e encontros mais decisivos hoje (sábado, 11) domina o noticiário local.

Dividindo espaços de informação e debates com o caso da morte do promotor Nisman e os primeiros movimentos da campanha presidencial para a sucessão de Cristina Kirchner este ano. No caso da “Cumbre do Panamá”, para onde a presidente do Brasil embarcou ontem – “sin padre e sin madre”, como dizem os portenhos – fala-se sobre o papel que cada um dos chefes de Estado participantes da cúpula deverá ter na reunião que promete “assinalar um antes e um depois para o continente”, segundo Página 12.

O encontro de Barack Obama com Raúl Castro (na primeira reunião deste nível em 60 anos em que coincidem as presenças de chefes de Estados dos EUA e de Cuba) centraliza as maiores expectativas da cúpula em relação ao sucesso ou o fracasso, a depender do que for firmado de concreto além da encenação política e midiática dos dois lados. A presidente Cristina Kirchner, no ocaso de seu governo, levará seu apoio ao governo de Maduro , da Venezuela, na briga contra Obama, e deverá fazer referências ao conflito das Malvinas e sobre os chamados “Fundos Abutres”. Praticamente nenhuma palavra ou comentário sobre o que a presidente Dilma fará ou dirá na Cúpula do Panamá(salvo um encontro protocolar na sextacom o presidente do Méxixo e, no sábado, com o colega dos Estados Unidos. No mais, responda quem souber, juntamente com a enquete do Blog do Noblat.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 11 Abril, 2015 at 4:49 #

Aqui, por tristeza, o garçon recolhe copos vazios e finge não saber do ato vil de Lídice da Mata retirando assinatura da CPI dos Fundos de Pensão, na calada da noite, em socorro dos biltres de sempre.

Triste Bahia!

Tim Tim!


luiz alfredo motta fontana on 11 Abril, 2015 at 13:24 #

O tempo escoa, lento, mas escoa.

A eliminação de gerações, sob os coturnos de 64, é distante.

Mas, por hábito ou deformação de vértebras, adotamos a postura submissa, tentamos ver virtudes em quem apenas chafurda na lama, nem mesmo perguntamos qual a paga auferida pelo assassinato de sua própria assinatura, s eo que assina nada vale que diremos do que balbucia em tribuna.

Confesso VHS, a placitude talvez seja virtude em paquidermes de circo, mas “in casu” ela atesta conivência.

Dilma, só existe, mesmo que caricata, graças a este vazio mudo e desprovido de qualquer dignidade destes que fingem nos representar.

Lídices poderão continuar sendo a fraude que os conceituam?

Temo ouvir o silêncio como resposta!


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