=================================================

Primorosa composição de Salgan , extraordinário e premiado maestro argentino, mentor de Astor Piazola, de fama mundial. Vai dedicado ao cronista Janio Ferreira Soares e a Dona Nalvinha (que grande personagem!) em Paulo Afonso. Som na caixa, maestro, como diz Olívia.

BOA TARDE!!!


Dona Nalvinha com Dilma em Paulo Afonso
na campanha eleitoral.

CRÔNICA

Nalvinha, Dilma e o Titanic

Janio Ferreira Soares

Era só o que faltava. Dona Nalvinha, uma das poucas pessoas deste país que defendem o governo Dilma com unhas e (poucos) dentes, acaba de ser arrolada como testemunha num processo de abuso eleitoral movido pelo PSDB contra… Dilma. Guardada as devidas diferenças de épocas e estilos, seria a mesma coisa de alguém pedir à Velhinha de Taubaté para depor contra o general Figueiredo.

Sua convocação é por conta daquele famoso episódio sobre a procedência de sua prótese, que, tal o abacateiro de Gil, anoiteceu resina e amanheceu dentadura dias antes da chegada da comitiva presidencial no seu quintal. Além disso, consta nos autos uma declaração dada por ela ao jornalista João Pedro Pitombo, da Folha de São Paulo, dizendo que tudo ali lhe fora dado pela presidente.

Independentemente de qualquer acontecimento provocado por sua fala, confesso que eu seria capaz de, sei lá, até arrancar um siso e dois caninos da minha surrada arcada e doá-los a alguma associação de bocas nuas e gengivas anavalhadas, só para assistir ao seu interrogatório. Mas como não sei se conseguirei, só me resta conjecturar.

Fórum de Paulo Afonso, o juiz eleitoral trajando uma vistosa toga combinando com seu topete agraunado, lhe pergunta: “Nome e profissão”. Dona Nalvinha, bastante nervosa e envergando o ainda novo vestido usado naquele fatídico 21 de agosto de 2014 – porém de há muito sem a prova do crime a atrapalhar sua mastigação -, responde: “Marinalva Gomes, agricultora, ao seu dispor, doutor, vossa excelência, reverendíssimo… ai, meu Deus, nem decorei direito!”.

O juiz, benevolente, manda lhe servir um pouco d’água com açúcar e prossegue. “Dona Marinalva, a senhora confirma ter dito ao jornalista: ‘tudo que eu tenho aqui foi Dilma que me deu’?”. “Olhe bem, doutor, aconteceu tanta coisa naquele bendito dia que eu nem lembro mais o que falei. Só sei o seguinte: o senhor pode acreditar que se eu tivesse o poder de voltar o tempo eu não queria de novo aquela furupa no meu terreiro de jeito nenhum. Onde já se viu isso? Eu me arrumei toda, botei até uma peste de um sapato que só de lembrar meu calcanhar lateja, matei uns bodes pra dar de comer a um bando de gente que eu nunca vi e é isso que eu ganho em troca? Tenha dó!”.

O juiz encerra a sessão e Nalvinha embarca de volta pra sua vidinha besta. Em Brasília, uma confusa Dilma com vários quilos a menos na estampa e – creio – dezenas a mais na consciência, convida Temer para uma última dança no convés do Titanic. Ao longe se ouve o som da afinadíssima orquestra comandada pelos experientes crooners Calheiros e Cunha (usando providenciais coletes infláveis por baixo de seus smokings bordôs), cantando o tango A Fuego Lento, numa levada meio Piazzola, meio rock’n roll. Ratos zunem a estibordo e se jogam nos botes salva-vidas. Da proa vê-se a ponta do iceberg. Segue o baile ao som de “tá dominado, tá tudo dominado”, com o carioca Cunha fazendo o quadradinho de oito.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Dilma usa agasalho do Facebook no encontro com Zuckerberg
na Cúpula das Américas no Panamá

ARTIGO DA SEMANA

A serventia de Dilma, o extraterrestre e o viajante do Prata

Vitor Hugo Soares

“Se na economia manda Joaquim Levy e na articulação política do governo Michel Temer, para que servirá Dilma?”.

A questão estampada na enquete do Blog do Noblat, acompanhada de quatro opções de respostas ao leitor ( “Para nada”(1), “Para reinar sem mandar”(2), “Ela não deixará e Levy e Temer mandem(3) , “Não sei”(4) ) é dessas que merecem mais que um simples apressado X assinalado no espaço das escolhas.
A pergunta poderia embananar e fundir o cérebro daquele extraterrestre das crônicas geniais de Nelson Rodrigues, se ele de repente baixasse no Brasil tripulando um OVNI de outro planeta qualquer, nesta sexta-feira, 10 de abril (dia de escrever o artigo), que assinala os 100 primeiros dias do segundo mandato do governo da petista Dilma Rousseff, seus companheiros desarvorados e alguns aloprados.

Para o jornalista viajante da Bahia, recém-chegado de rápida e essencial passagem de reconhecimento e afeto por Buenos Aires, a pergunta da enquete é crucial e relevante. Pede atenção reflexiva, dentro e fora do País. E o tempo, senhor da razão, inexorável e imprevisível, a torna mais complexa e difícil de responder. Mesmo diante de tantas opções oferecidas.

Em Buenos Aires, pelo que vi, li, escutei e senti neste feriadão da Pascoa na cidade do Papa Francisco – barrancas portenhas do Rio da Prata , território mítico e referencial da política, da economia, dos protestos de rua multitudinários, das grandes crises sociais, da cultura e da convivência na América do Sul – posso afirmar: o atual governo de Dilma passa a impressão do minúsculo borrão expelido pela mosca sobre a imensa tela branca e vazia da poderosa imagem do escritor Eduardo Zamacois, no romance “Opinião Pública”.

No Restaurante, Café e Pizzaria “Los Inmortales” (um tradicional reduto portenho de boa comida e bons vinho), o almoço da quebra do jejum na Sexta-Feira da Paixão promete. Na casa, ponto de encontro de jornalistas, intelectuais e artistas e profissionais liberais que trabalham ou circulam pelas calles Lavalle e Corrientes na cidade que não dorme, o garçom politizado e antenado ronda a mesa dos brasileiros.
Bom de serviço, mas ruim de disfarce, logo se percebe que ele está atento à conversa o tempo todo e com a língua coçando. A certa altura não resiste mais e dispara. “Aqui tivemos a greve contra Cristina semana passada. Mas que grandes e fortes manifestações de protesto contra Dilma vocês fizeram no Brasil! Cristina está no fim do segundo mandato, mas Dilma está no começo. Quem poderia imaginar que iria dar nisso…?” Nisso o que ele não diz, nem precisa.

O garçom de “Los Inmortales” guarda suas reservas de surpresa e indignação para o padrinho e mentor da atual ocupante do Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula. “Este eu jamais pensei que iria acabar assim. Inacreditable!”, diz.

Chegou a hora de pedir a conta.

Nos diários impressos, nos sites de notícias da Internet, nas principais emissoras de TV da Argentina – e no canal privado da CNN que ligo no hotel – a Cúpula das Américas no Panamá, iniciada solenemente ontem e que terá sua reuniões e encontros mais decisivos hoje (sábado, 11) domina o noticiário local.

Dividindo espaços de informação e debates com o caso da morte do promotor Nisman e os primeiros movimentos da campanha presidencial para a sucessão de Cristina Kirchner este ano. No caso da “Cumbre do Panamá”, para onde a presidente do Brasil embarcou ontem – “sin padre e sin madre”, como dizem os portenhos – fala-se sobre o papel que cada um dos chefes de Estado participantes da cúpula deverá ter na reunião que promete “assinalar um antes e um depois para o continente”, segundo Página 12.

O encontro de Barack Obama com Raúl Castro (na primeira reunião deste nível em 60 anos em que coincidem as presenças de chefes de Estados dos EUA e de Cuba) centraliza as maiores expectativas da cúpula em relação ao sucesso ou o fracasso, a depender do que for firmado de concreto além da encenação política e midiática dos dois lados. A presidente Cristina Kirchner, no ocaso de seu governo, levará seu apoio ao governo de Maduro , da Venezuela, na briga contra Obama, e deverá fazer referências ao conflito das Malvinas e sobre os chamados “Fundos Abutres”. Praticamente nenhuma palavra ou comentário sobre o que a presidente Dilma fará ou dirá na Cúpula do Panamá(salvo um encontro protocolar na sextacom o presidente do Méxixo e, no sábado, com o colega dos Estados Unidos. No mais, responda quem souber, juntamente com a enquete do Blog do Noblat.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


Uma empolgante trilha sonora para uma ótima, bonita e moderna novela de TV. Confira na Globo no folhetim das 6h30. Bahia em Pauta recomenda.

(Vitor Hugo Soares)


Josias:já foi mais facil falar com ele

———————————————————————

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Deputados veem blindagem na Serin

Deputados estaduais governistas estão organizando um boicote às idas à Secretaria das Relações Institucionais, onde uma secretária estaria criando barreiras burocráticas para acesso e mesmo para um simples contato com o secretário Josias Gomes.

Antes, segundo assessor muito próximo à Serin, os parlamentares não precisavam marcar com Josias. Agora, são orientados a mandar um e-mail com a pauta da reunião, descrevendo até o ponto de vista que pretendem imprimir ao assunto.

“Como é que um deputado que precisa dar uma resposta a alguma coisa surgida na sessão da Assembleia pode esperar tantas etapas para chegar ao secretário?” – indaga a fonte, lembrando que “questão política é sempre urgente”.

Os mais insatisfeitos com a situação seriam os deputados Fabrício Falcão (PCdoB), Ivana Bastos (PSD) e Alan Sanches (PSD).

abr
11
Posted on 11-04-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-04-2015


Paixão, na Gazeta do Povo (PR)

DEU EM O GLOBO

A crítica teatral Barbara Heliodora morreu na manhã desta sexta-feira (10) no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio, onde estava internada desde março. A crítica de teatro tinha 91 anos.
Nascida em 29 de agosto de 1923, filha de uma poetisa, Anna Amélia Carneiro de Mendonça, e do historiador Marcos Carneiro de Mendonça, a crítica teatral e tradutora Barbara Heliodora se transformou em uma das maiores conhecedoras da obra de William Shakespeare no Brasil.

A paixão pelo escritor inglês começou na infância, aos 12 anos, após ganhar da mãe o primeiro volume das obras completas do dramaturgo. Ela costumava dizer que Shakespeare foi um grande e bom amigo ao longo dos anos.

Barbara estudou e se formou nos anos 1940 em literatura inglesa no Connecticut College, nos Estados Unidos. Aos 35 anos, iniciou a carreira no jornalismo, no jornal Tribuna da Imprensa, entre outubro de 1957 e fevereiro de 1958. Na época, amigos do teatro “O Tablado”, insistiram para que ela escrevesse sobre o mundo teatral que ela tanto admirava.
‘Dama de Ferro’
Foi no Jornal do Brasil, onde trabalhou até 1964, que sua carreira conquistou respeito e seriedade pelo conhecido rigor dos seus artigos e críticas. Ela era responsável pela resenha de teatro do jornal. A classe teatral brasileira se referia a ela como a “Dama de Ferro”. Nos teatros, gostava sempre de sentar nas primeira fileiras para assistir aos espetáculos. Em 2013, em entrevista ao programa Starte, da Globonews, ela contou que já tinha visto mais de 3.500 espetáculos teatrais.

Entre 1964 e 1967, em plena ditadura militar, ela assumiu a direção do Serviço Nacional do Teatro. Barbara também deu aulas no Conservatório Nacional de Teatro e no Centro de Letras e Artes da Uni-Rio, onde se aposentou em 1985.

Voltou ao jornalismo em 1985, na revista Visão. Cinco anos depois, foi convidada trabalhar no jornal O Globo, onde ficou por mais de 20 anos. Deixou o dia a dia do jornal no final de 2013, ao completar 90 anos. Nesse mesmo ano, disse em entrevista ao programa Starte, da Globonews, que já tinha visto mais de 3.500 espetáculos teatrais. Mesmo sem a rotina de escrever diariamente sobre teatro, Barbara continuou a fazer traduções e participar de mesas de debates sobre Shakespeare, em reuniões semanais em sua casa, no Largo do Boticário.

Barbara também fez direção, adaptação e tradução de diversas obras. Um de seus maiores desafios foi a tradução de mais de 30 peças de Shakespeare para o português. Em entrevista exibida em 2009, na Globonews, ela contou que fez a tradução ao longo de 30 anos. A mãe dela já tinha feito a tradução de “Hamlet” e “Ricardo III”.

Ao longo da carreira ela escreveu seis livros. O primeiro em 1975, a partir da sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) : “A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare”. Em 1997, “Falando de Shakespeare”, onde reuniu conferências realizadas ao longo de 15 anos de trabalho.
Barbara Heliodora em entrevista ao programa Starte da Globonews, em 2013 (Foto: Reprodução/Globonews)
Heliodora em entrevista ao programa Starte da
Globonews, em 2013 (Reprodução/Globonews)

Em 2000, Barbara escreveu “Martins Pena, uma introdução”, a convite da Academia Brasileira de Letras. Em 2004, ela lançou uma coletânea de ensaios: “Reflexões Shakespearianas”. E na companhia de outros quatro autores, lançou em 2005 “Brasil, Palco e Paixão” – Um século de Teatro”, sobre uma parte da história do teatro brasileiro no século XX. O último livro foi “Caminhos do teatro Ocidental”, resumo do trabalho como professora de história do teatro, de 1966 a 1985.

Em uma de suas últimas entrevistas disse que pensava sobre a contribuição do teatro. “O teatro é um documentário perfeito da história do ocidente. Você lendo as peças você vai acompanhar o desenvolvimento do ocidente exatamente. Os autores teatrais acabam refletindo exatamente a história toda”.

Barbara Heliodora deixa três filhas – de dois casamentos – e quatro netos.

  • Arquivos