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Posted on 07-04-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-04-2015

ARTIGO/MEMÓRIA

Billie: A lenda e o canto

Marlon Marcos

A voz é sem tempo. Entrecortes da dor, beleza , nome, amor. É cor e silêncio. Ruídos que invadem para negar indiferenças e instalam-se, violentamente, em harmonias que desagregam e espalham-se do ouvido para o todo do corpo que reage feito sexo. Em síntese: é um assombro. E corriqueira genialidade de um canto prostibular, mas sagrado.

Uma história inteira no feminino de uma mulher que se camuflava de homem para ser músico e reinventou a canção em sibilos ruídos tons meio saxofone meio trompete muito ar e muitas drogas na voz sem igual do jazz norte-americano.

Eleanora Fagan nasceu negra e pobre no centro do racismo dos Estados Unidos, na Filadélfia, a 7 de abril de 1915. Eternizou-se como Billie Holiday: a mais representativa cantora do século XX em todo mundo e hoje, em sonora presença, faz 100 anos.

O músico Billie mergulhou em canções que traduziam a sua força criativa como reflexo da dor que sentia ou inventava para cantar daquele jeito. Aliás, deste jeito, pois ela continua vivíssima ainda a embalar os amantes das grandes vozes que fizeram o século XX e persistem no XXI.
Uma história de desvelo narrada como elemento fundante da ordem segregacionista estadunidense, e piorada pelo tormento de quem se sabia um gênio, mas bem no fundo, não se achava merecedora do talento que carregou até a morte, no ano de 1959, com apenas 44 anos de idade.

Um século da voz que nunca precisou de extensão, que foi pura sutileza sonora em desafios sentimentais, que imprimiu seu gênio frente a desgastante vida que a tragou e se consagrou com o humano instrumento que deve ser considerado a voz do século XX.

Seus discos, até os mais inferiores tecnicamente, são preciosas peças que contam a história do negro criando e vivendo para além do legado da escravidão. Billie é o grande exemplo de que a melhor música popular do mundo é negra. E a diáspora africana serviu para espraiar os múltiplos tons da civilidade erguida pela parte negra daquele continente.

Ela, Billie Holiday, a Lady Day do mago Lester Young, músico parceiro monstruoso, é o advento canção em misturas de possibilidades estéticas sem perder o esteio dado pelo jazz dos músicos negros estadunidenses. Ela é a contradição. Negada e adorada por todos os lados – fazedora de imagens históricas gritantes, como a da sua execução de Strange Fruit -, Billie morreu em profunda desgraça para depois, através da história e do seu legado artístico, se eternizar como mito e como a dona do melhor canto popular em todo mundo. Em todos os tempos

Marlon Marcos é jornalista e antropólogo .


Parentes e amigos choram por mortos no Gabula/Arquivo

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DEU NO CORREIO

Bruno Wendel

A Polícia Civil terá mais 15 dias para concluir o inquérito que apura as 12 mortes ocorridas durante uma operação da Polícia Militar na Estrada das Barreiras, no Cabula. A informação foi confirmada ontem pela assessoria de comunicação da instituição, no dia em que o caso completou dois meses.

Segundo a assessoria da Polícia Civil, o pedido foi feito ao Ministério Público. O CORREIO entrou em contato com o promotor Davi Galo que confirmou o novo prazo. “Eles pediram 30 dias e o Ministério Público deu 15. Acredito que 15 dias é um tempo razoável. O processo não pode ser concluído agora, pois existem algumas perícias pendentes. Essas perícias são essenciais e devem ser analisadas conjuntamente”, explicou Galo.

De acordo com a Polícia Civil, o pedido foi feito, ontem de manhã, pelo delegado José Bezerra, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda de acordo com a instituição, os motivos para prorrogação do resultado foram a necessidade de “coletar novos depoimentos”. Esta é a segunda vez que o inquérito é prorrogado.

Procurada, a ONG Anistia Internacional (AI) se posicionou através de nota: “A Anistia Internacional quer uma investigação célere, completa e imparcial do caso Cabula, de forma que todas as evidências necessárias sejam reunidas para levar os responsáveis à justiça”. Hamilton Borges, do movimento Reaja ou Será Morto, mostrou-se preocupado. “Isso é ruim, porque só aumenta mais a dor das famílias. A celeridade é um dos princípios do Direito e eles não estão cumprindo”, declarou.

Na quinta-feira, o CORREIO mostrou, com exclusividade, que os laudos cadavéricos apontam indícios de execução em alguns dos 12 corpos baleados na ação das Rondas Especiais (Rondesp), na madrugada do dia 6 de fevereiro, na comunidade Vila Moisés. De acordo com as análises, parte dos disparos foi realizada de cima para baixo. Além disso, alguns mortos apresentam perfurações nas palmas da mãos, braços e antebraços, sendo que apenas quatro baleados tinham vestígios de pólvora nas mãos.

Os laudos também apontam que a maioria apresentava pelo menos cinco marcas de tiros — alguns deles disparados a curta distância, de menos de 1,5 m. Uma fonte ligada à investigação do caso afirmou que disparos desse tipo indicam que as vítimas foram mortas em posição de defesa e afirmou que há “sinais evidentes de execução”.

Já outro perito procurado pelo CORREIO também vê indícios de execução. Sobre os disparos de cima para baixo, ele disse que há indicação de que a “pessoa morta está numa região mais baixa do que quem atirou”. “Isso subentende que a pessoa baleada estava deitada, agachada ou ajoelhada”, complementou.

Foi bom demais ter ido matar a saudade portenha.

Mas, apesar dos pesares, é muito bom também estar de voltar.

Um primor de bolero e de interpretação (dupla) para marcar o reencontro.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


MÁRCIO FALCÃO
RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA

Convidado por Dilma Rousseff para assumir a coordenação política do governo, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), que é do PMDB, recusou assumir a função, afirmou na manhã desta terça-feira (7) o líder da bancada peemedebista na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ).

Com uma taxa recorde de desaprovação e sofrendo derrotas seguidas no Congresso patrocinadas pelo aliado PMDB, Dilma tenta rearranjar sua base de apoio. Aconselhada por Lula, convidou Padilha, antigo integrante do PMDB e aliado do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional da legenda.

O problema é que a indicação não contou com respaldo integral dentro da sigla de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, que vem comandando as derrotas a Dilma no Legislativo. Na noite de segunda, Cunha recusou considerar a possível indicação de Padilha como da cota peemedebista.

Segundo Picciani, Padilha comunicou a recusa à cúpula do PMDB na noite de segunda, em um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência da República. O argumento oficial é que está com um filho recém-nascido e que, por isso, sofreu um “veto” da mulher.

“A Secretaria de Relações Institucionais [posto que coordena a articulação política do governo] não é um pleito do PMDB. É só mais um ministro para ser fritado, não tem poder de decisão”, afirmou Picciani.

Com isso, continua no cargo por enquanto o petista Pepe Vargas, que vem sendo desconsiderado pelo PMDB nas negociações legislativas.

CUNHA

O presidente da Câmara voltou a dizer na manhã desta terça que o PMDB não pleiteia a articulação política do governo. Segundo ele, o formato atual está errado, mas cabe a Dilma decidir como fará para consertá-lo.

“Volto a dizer que não é um pleito do PMDB o ministério nem que a articulação política do governo só irá funcionar se for um nome do PMDB. Acho já está mais do que provado que o formato atual não está funcionando”, afirmou.

Cunha não tem relação com Pepe Vargas, que liderou uma operação ministerial para tentar evitar sua eleição para a presidência da Câmara.

Caó, no portal de humor gráfico A Charge Online

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Diante desta charge poderosa do premiado artista baiano e do sofrimento soteropolitano causado pelo rompimento da tubulação da adutora da Embasa, que deixa Salvador sem abastecimento de água desde domingo ( principalmente nas camadas mais pobres e carentes da Cidade da Bahia ), uma pergunta que não quer calar se impõe a quem acaba de retornar à capital baiana neste sufocante 7 de abril, Dia do Jornalista.

Seriam os primeiros sinais do Bonfim, todos os santos e todos os orixás, contra o Monstrengo II de Salvador, apelidado de Metrô da Paralela, a obra?

Obra segregadora e bem ao gosto dos novos donos de estado (e das empreiteiras) que a propaganda governista ( farta e cara ) anuncia?

Responda quem souber.

(Vitor Hugo Soares, com os agradecimentos a parabéns ao sempre generoso e brilhante jornalista Claudio Leal, que tocou o BP nesta dias de ausência de seu editor)

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