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Postado em 05-04-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 05-04-2015 22:46
DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Alguém já parou para se perguntar por que os governos fazem propaganda? Claro, a resposta mais óbvia é que procuram divulgar suas realizações, para assim credenciar-se junto ao eleitorado e, por consequência, conseguir mais apoios a seu projeto político.
Dito nessa simplicidade, parece elementar, embora já signifique a mais absurda imoralidade, porque, em última análise, o governante está gastando dinheiro público para forjar sua imagem ou de sua gestão, grupo, partido, patota ou quadrilha – permita-se este último termo.
Agora mesmo, o governo do Estado deslancha na televisão – e certamente em tudo quanto é “mídia” neste mundo de milhares de emissoras de rádio, dezenas de milhares de sites e blogs, jornais a perder a conta – uma campanha fazendo festa pelos 41,5 quilômetros de metrô que Salvador, dizem, terá um dia.
Ora, o Erário passou os últimos oito anos financiando propaganda de projetos que nem sequer passaram do mundo virtual à realidade, como o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste e a Ponte Salvador-Itaparica, não por acaso um prato cheio para a oposição parlamentar no período.
Nada disso, como dissemos, saiu do papel, e até foi largamente usado na campanha como prova de falsas promessas do governo, o que desafia a lógica, pois, afinal, não estaria sendo usada aquela peça publicitária com o fim de ganhar eleições? Como deixar que servissem ao interesse dos adversários?
Veja-se que este raciocínio já recomendaria a desistência dessa prática administrativa ou, quando nada, a redução de tão elevado dispêndio, que superou, nos dois governos de Jaques Wagner, R$ 900 milhões, que aqui usamos como mero exemplo.
Nada disso, porém. O cotidiano continua sendo o da propaganda, seja ou não época eleitoral, conspire ou não seu conteúdo mentiroso ou flagrantemente prematuro contra a imagem do homem que paga a conta em nome de todos nós.
Sabe-se que é uma mina de ouro essa “questão” da publicidade oficial. Agências privadas são pagas pela concepção e produção das campanhas e a partir daí passam a faturar, ad infinitum, 20% do custo de veiculação. Quantas vezes saia o anúncio, as agências levam um quinto praticamente “limpo”, porque as despesas serão desprezíveis.
Não se discute a legalidade da operação, muito menos as normas de mercado que definiram tão alta comissão em relação ao que cobram os veículos de comunicação, mas está claro que ocorre aí um processo de acumulação desproporcional, um “dinheiro fácil”, com potencial para fazer a riqueza de muita gente.

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Comentários

rosane santana on 6 Abril, 2015 at 7:04 #

Meu querido Luis, inteligência e coragem não lhe faltam. Lisura também, e’ sabido. Aqui ora nos: se existe um setor q precisa oara por uma investigação seria neste país, são as agências de publicidade governamentais, sendo q alguns casos, como este q vc está relatando são escandalosos.


luis augusto on 7 Abril, 2015 at 13:44 #

Ró-Ró, no nosso dia, 7 de abril, agradeço suas palavras carinhosas.

Não sou esse valente todo, você sabe, mas, às vezes, cometo uma loucura.

Vamos em frente. Duro é arranjar inimigo por causa de briga de condomínio.


rosane santana on 8 Abril, 2015 at 0:26 #

Duro, Luis, e’ não ter coragem. Dissensos são inevitáveis e fundamentais.


rosane santana on 8 Abril, 2015 at 0:27 #

Feliz dia do jornalista!


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