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Posted on 05-04-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-04-2015
DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Alguém já parou para se perguntar por que os governos fazem propaganda? Claro, a resposta mais óbvia é que procuram divulgar suas realizações, para assim credenciar-se junto ao eleitorado e, por consequência, conseguir mais apoios a seu projeto político.
Dito nessa simplicidade, parece elementar, embora já signifique a mais absurda imoralidade, porque, em última análise, o governante está gastando dinheiro público para forjar sua imagem ou de sua gestão, grupo, partido, patota ou quadrilha – permita-se este último termo.
Agora mesmo, o governo do Estado deslancha na televisão – e certamente em tudo quanto é “mídia” neste mundo de milhares de emissoras de rádio, dezenas de milhares de sites e blogs, jornais a perder a conta – uma campanha fazendo festa pelos 41,5 quilômetros de metrô que Salvador, dizem, terá um dia.
Ora, o Erário passou os últimos oito anos financiando propaganda de projetos que nem sequer passaram do mundo virtual à realidade, como o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste e a Ponte Salvador-Itaparica, não por acaso um prato cheio para a oposição parlamentar no período.
Nada disso, como dissemos, saiu do papel, e até foi largamente usado na campanha como prova de falsas promessas do governo, o que desafia a lógica, pois, afinal, não estaria sendo usada aquela peça publicitária com o fim de ganhar eleições? Como deixar que servissem ao interesse dos adversários?
Veja-se que este raciocínio já recomendaria a desistência dessa prática administrativa ou, quando nada, a redução de tão elevado dispêndio, que superou, nos dois governos de Jaques Wagner, R$ 900 milhões, que aqui usamos como mero exemplo.
Nada disso, porém. O cotidiano continua sendo o da propaganda, seja ou não época eleitoral, conspire ou não seu conteúdo mentiroso ou flagrantemente prematuro contra a imagem do homem que paga a conta em nome de todos nós.
Sabe-se que é uma mina de ouro essa “questão” da publicidade oficial. Agências privadas são pagas pela concepção e produção das campanhas e a partir daí passam a faturar, ad infinitum, 20% do custo de veiculação. Quantas vezes saia o anúncio, as agências levam um quinto praticamente “limpo”, porque as despesas serão desprezíveis.
Não se discute a legalidade da operação, muito menos as normas de mercado que definiram tão alta comissão em relação ao que cobram os veículos de comunicação, mas está claro que ocorre aí um processo de acumulação desproporcional, um “dinheiro fácil”, com potencial para fazer a riqueza de muita gente.

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Posted on 05-04-2015
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Billie Holiday (1915-1959), 100 anos em 7 de abril: a voz, a dor, a cura.

Vai dedicada à ouvinte Mariana Soares, de Brasília.

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Posted on 05-04-2015
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Fim de tarde em Salvador, no domingo de Páscoa. Nem tudo são mazelas.

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Briga por água no bairro do Uruguai (Foto: Mauro Akin Nassor, do Correio)


Por Ana Paula Lima, do jornal Correio

Com falta de água em vários pontos da cidade, Salvador viveu um Sábado de Aleluia tenso. Tanto pela falta do líquido quanto pela restrição de atendimento de algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), que ontem estavam recebendo apenas casos graves. No Uruguai, a população  saqueou um carro-pipa que tentava minimizar os estragos causados pelo rompimento de uma tubulação dentro das obras do metrô, na última quarta.

Desde então, vários bairros experimentam o drama da seca. Segundo a  Embasa, cerca de 120 localidades foram afetadas. No Uruguai, na Cidade Baixa, onde a situação é bem crítica, os moradores solicitaram um carro-pipa, ontem, mas quando o veículo chegou a Rua Direta do Uruguai foi interditado pelo moradores, que retiraram a água no meio da rua mesmo.Crianças, jovens e adultos subiram no caminhão com baldes e garrafas e começaram a enchê-los. No chão, cerca de 100 pessoas se espremiam para tentar pegar qualquer quantidade do líquido. Até das poças. “O povo não deixou nem eu parar no lugar certo, não fizeram fila e começaram a brigar para pegar a água”, disse o motorista do caminhão, Almir Francisco de Souza.

Na San Martin, o comerciante Carlos Carvalho, 59, dono de uma loja que vende mármore e granito, permitiu que os moradores tivessem acesso ao poço artesiano existente dentro do estabelecimento. Gente de bairros vizinhos veio abastecer no local. “Eu moro na Fazenda Grande, minha vizinha disse que aqui tinha água e eu vim”, relatou a professora Ivonildes Conceição dos Santos, 35.

Em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da San Martin, um grupo de cerca de 50 pessoas carregando garrafas e
baldes esperava a saída do carro-pipa que abastecia o reservatório da unidade. “Disseram que vão deixar um resto de água para a gente”, relatou o vendedor Mário dos Santos, 40.Dividir um pouco com os moradores foi a solução encontrada por policiais militares para evitar tentativas de saques ao caminhão, que armazenava 12 mil litros – mil foram   destinados à população. Na sexta, uma confusão se formou depois que os moradores tentaram impedir que o caminhão abastecesse a UPA. Os outros 11 mil litros garantiram o atendimento das pessoas em estado grave que procuraram socorro da UPA San Martin.

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