Plenário da Câmara na última terça-feira
/ Luis Macedo (Câmara dos Deputados)


DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Não foi só a aprovação da presidenta Dilma Rousseff que despencou com as denúncias recentes da Operação Lava Jato. A pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta mostra que metade da população desaprova o Congresso Nacional, que teve 49 nomes, entre deputados e senadores (atuantes no momento ou não), citados pela investigação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Entre eles estão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o do Senado, Renan Calheiros.

A pesquisa feita entre os dias 16 e 17 de março aponta que 50% dos entrevistados consideram o Congresso Nacional “ruim ou péssimo”. O índice de rejeição é maior do que o verificado no último levantamento, em dezembro (32%), e supera, inclusive, o índice posterior às manifestações de junho de 2013, quando manifestantes chegaram a invadir a cobertura do prédio do Congresso, em Brasília, durante um protesto multitudinário –na época a rejeição bateu os 42%.

Atualmente, apenas 9% das pessoas consideram o trabalho dos deputados e senadores “ótimo ou bom”, enquanto há três meses esse índice chegava a 17%. A aprovação ao trabalho dos parlamentares é menor, inclusive, do que a do Governo de Dilma Rousseff, considerado “bom ou ótimo” por 13%. A rejeição também apareceu nos protestos de domingo, segundo o Datafolha. Nada menos que 77% dos que foram à Paulista protestar contra Dilma responderam que o trabalho do Congresso é ruim/péssimo. O mesmo levantamento mostra que 62% dos brasileiros classificam a gestão de Dilma como ruim ou péssima –um nível próximo ao registrado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello antes do impeachment (68%).

Os índices mostram que, apesar de o Congresso ter tentado se blindar da crise gerada pelos nomes citados na Lava Jato, a nomeação dos parlamentares, em 4 de março, foi um duro golpe para a imagem da instituição. Para tentar minimizar os efeitos, os deputados se apressaram em criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras e chamaram para depor, logo na segunda reunião, Pedro Barusco, ex-gerente da estatal, que acusara o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de ter recebido propina de contratos superfaturados da estatal. O depoimento aconteceu seis dias depois da divulgação da lista com os nomes dos deputados e senadores investigados, numa manobra para tentar mudar o foco das acusações para o Governo.

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