Averiguações

Letra: Wilson Baptista
Voz:Moreira da Silva

Seu Martins Vidal, eu moro no Lins e sou o tal
Que há muito tempo exerço uma fiel profissão
Eu não sou mais aquele antigo trapalhão
Esse otário foi roubado em Copacabana
Há muito que eu não vou em cana
E não saio de casa há mais de uma semana
Seu Zé, por favor, olhe a minha feição
E diga aí pro doutor se sou o verdadeiro ladrão
O otário me olhou, me tornou a olhar
Ficou encabulado, ficou meio encafifado
Senti mão no meu ombro, um barulho de chaves e eu encanado
Vou apelar pr’ um magistrado porque um advogado, é, não adianta nada
Pois há tempos atrás eu fui o Morengueira, o rei da trapalhada
Retratos e fichas tenho na Central, em todo lugar,
Fiz, no duro, juro, muito chefe de família chorar
Mas hoje em dia, eis porque me desespero,
Posso ver a maior galinha morta ali, não quero
Pinta brava como sou, sei o que acontece
Quando a gente não se abre, não resolve
Tem que assinar o processo, artigo 399
De repente uma voz, do Zé dos Anzóis, quase dou um acesso
Chegou a hora fatal, vou assinar o meu mal, que injusto processo
Eu finjo não ouvir, mas o chafa me chama, me abate o coração,
Meu Deus que horror, pela décima vez vou visitar a detenção
E entro na sala de investigação, o senhor pode ir embora
Vi um homem em cana, era uma pinta bacana, o verdadeiro ladrão
Vou me pirar desta pensão, comigo
não.
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BOA TARDE!!!



Isabel. a mais rica mulher africana (Forbes) e o pai, ditador de Angola

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

Filipe S. Fernandes, autor da biografia de Isabel dos Santos , lançada hoje, 17, disse à agência de notícias Lusa que o poder da empresária angolana explica-se pela proximidade em relação ao poder, sobretudo no que diz respeito ao acesso aos negócios.

“O que explica Isabel dos Santos, assim como outras entidades, não só em Angola, é a proximidade do poder para os negócios. Não são precisos meios obscuros, basta o acesso aos negócios”, disse à Lusa o autor do livro “Isabel dos Santos — Segredos e poder do dinheiro”.

Segundo o autor, o livro é sobretudo uma “biografia empresarial” sobre a angolana, nascida em Baku, em 1973, filha do chefe de Estado José Eduardo dos Santos e que a revista Forbes aponta como a mulher mais rica do continente africano.

Para Filipe Fernandes, normalmente associa-se a fortuna de Isabel dos Santos aos diamantes que o pai lhe teria dado, mas “há uma hipótese muito mais simples” que pode explicar a fortuna como, por exemplo, a concessão das telecomunicações (UNITEL) nos anos 1990.

Na época, Angola estava tentando que houvesse uma empresa internacional concorrendo à licença de concessão de telefonia celular e em plena guerra civil ninguém queria arriscar e, “de certo modo”, explica o autor, o negócio teria de ser dado a alguém que tinha de estar próximo do poder.

“Só o fato de ter tido aquela concessão pode ter sido uma boa base para uma boa fortuna e basta ver o valor dos dividendos que são pagos pela UNITEL desde que foi criada sendo que teve dividendos desde muito cedo”, explicou.

“Foi em Baku que José Eduardo dos Santos conheceu a mãe de Isabel dos Santos, Tatiana Kukanova, uma russa campeã de xadrez que estudava geologia. O Azerbeijão, então posto avançado russo, acolhia jovens quadros promissores dos movimentos de libertação alinhados com o regime comunista como o MPLA” , refere o autor sublinhando que o encontro entre os dois não foi promovido pelo KGB, os serviços secretos da ex-URSS.

“Depois do casamento sabe-se muito pouco sobre Tatiana. Sabe-se que trabalhou na SONANGOL quando foi para Angola, que após o divórcio continuou em Angola tendo depois ido viver com a filha em Londres. Fala várias línguas e foi sempre o ‘porto seguro’ de Isabel dos Santos”, disse Filipe Fernandes que refere no livro os poucos dados sobre a atividade empresarial da mãe da empresária.

“Tatiana Kukanova surge nas contas divulgadas pelo denominado SwissLeaks, que se baseia nas listas das contas na filial do HSBC, obtidas por Hervé Falciani, um ex-funcionário, em 2008, e agora divulgadas. Na sua conta estavam, em 2006-2007, mais de 4,5 milhões de euros” (página 22), escreve Filipe Fernandes.

O livro baseia-se em fontes abertas como livros e jornais até porque, refere o autor, após ter contactado “com algumas pessoas” chegou à conclusão que muito pouca gente conhece Isabel dos Santos com alguma consistência e confiabilidade.

Além das questões familiares o livro recorda o caso “Angolagate” e os complexos movimentos de Arcadi Gaydamak e Pierre Falcone acusados pela justiça francesa da venda ilegal de armas em Angola durante a guerra civil.

“Em 2011, o tribunal de Paris retira as acusações de tráfico de armas e de influências mas condena-os por fraude fiscal e lavagem de capitais” (página 53), refere o autor.

Na sequência do caso, o livro sublinha ainda o papel de Lev Leviev, negociante de diamantes natural de Uzbequistão e apresentado à cúpula do poder em Angola por Gaydamak e que “afrontou” a companhia diamantífera De Beers conseguindo negociar diretamente em Angola e Rússia.

Na sequência destes contatos, recorda a biografia, surge a empresa Africa-Israel Investiments (AFIL) que dá origem a partir da reorganização de 2009 à Ascorp, cujos acionistas eram a Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola e a Trans-African Investment Services (TAIS).

O memorando do acordo assinado em 1999 assegurava à TAIS e a Welox a compra de um mínimo de 150 milhões de dólares em diamantes.

“Esta associação teve mais uma confirmação com a revelação de documentação da filial suíça do HSBC. Isabel dos Santos, por sua vez, deteria 75% da Trans-African Investments Services enquanto a mãe, Tatiana, que se tornou cidadã britânica, ficava com 25%” (página 55), lê-se na biografia que cita a imprensa internacional.

O livro, ainda no capítulo dedicado aos “diamantes e à guerra civil” indica mesmo que, segundo Gaydamak, TAIS é um acrônimo das iniciais Tatiana e Isabel, empresa que entretanto acaba por mudar de nome para Iaxon Limited, registada na colónia britânica de Gibraltar.

O livro dedica ainda capítulos sobre as ligações de Isabel dos Santos ao empresário português Américo Amorim, “a guerra na Galp Energia” e os vários pontos de contato com Portugal.

“Ela faz estas ligações porque são estratégicas para os negócios em Angola. Ao mesmo tempo por segurança: se alguma coisa acontecer de grave também tem um refúgio e aquilo que é racional com a ligação com Portugal é o setor empresarial, a eficiência e a máxima rentabilidade nos negócios além de assegurar o seu controlo estratégico em Angola”, disse à Lusa o autor da biográfica.

Para Filipe Fernandes, a empresária encontrou alguma consistência nos setores que escolheu: o setor financeiro e a articulação que ela tem que ter porque, “apesar de tudo”, os bancos em Angola, têm alguns acionistas portugueses e consequentemente com os meios acionistas internacionais que “sozinha não teria”.

Filipe S. Fernandes, jornalista, é autor de vários livros, entre os quais, “As vítimas do escândalo Espírito Santo”; “António Champalimaud: Construtor de Impérios”.

A biografia “Isabel dos Santos — Segredos e Poder do Dinheiro” (Casa das Letras, 190 páginas) encontra-se nas livrarias a partir de hoje.


Protesto em Salvador. Imagem: El Pais

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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Provocadores viram que não havia espaço para eles

A marca mais expressiva do domingo de protesto que levou milhões de pessoas às ruas em todo o país é o fato de as manifestações terem transcorrido em clima absolutamente tranquilo.

Este registro é indispensável, porque a mobilização popular de junho de 2013, mais significativa em razão da espontaneidade, foi maculada pela ocorrência de atos de violência e destruição.

Se o “vandalismo” fartamente denunciado na época pela mídia poderia ter a justificativa da revolta de setores desprezados da sociedade, causou grande estranheza que tantos episódios não tenham resultado em prisões e investigações que pudessem comprovar-lhes a origem.

“Aos vândalos” – dissemos em texto de 21/06/13, intitulado ‘Nada a estranhar na participação dos vândalos’ –, “a prisão, o processo criminal, a punição, se comprovadamente justa. É assim que fazem os países civilizados, especialmente hoje, com os meios disponíveis para identificar infratores em plena prática da depredação ou de outro tipo de ilícito”.

Não se compreende por que isso não tenha acontecido, permitindo que ilustres anônimos, afinal, boicotassem e terminassem por sepultar aquele legítimo momento nascido da indignação da sociedade.

A questão não abandonou nossas reflexões, tanto que, há apenas seis dias, na matéria “Mídia dá toda força à revolução ‘fake’”, escrevemos que o povo “ensaiou em junho de 2013, agora se vê, um arremedo de rebelião, logo neutralizado pelo medo de ações violentas que se interpuseram sem que praticamente nenhum dos seus agentes tenha sido convenientemente detido e investigado”.

A jornalista Eliane Cantanhêde, no artigo “O ronco das ruas”, ontem, em A Tarde, foi mais explícita na suposição dos fatos do dia: “…sempre pode haver black blocs, encapuzados, quebra-quebra. Que desde já fique todo mundo sabendo que, se isso acontecer, não terá sido por acaso nem genuinamente. A isso se chama de infiltração e provocação”.

BOM DIA!!!


Pepe:morto a facadas dentro de casa no Barbalho

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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Iasmin Sobral

Tristeza e lágrimas encheram de emoção o enterro do principal bailarino do Balé Folclórico da Bahia (BFB), Reinaldo Pepe, 40 anos, que aconteceu no cemitério Campo Santo, na tarde desta segunda-feira (16).

Vestidos de branco, amigos, familiares e companheiros de trabalho prestaram as últimas homenagens à vítima.

O bailarino foi assassinado dentro da casa onde morava, na Ladeira do Alvo, bairro do Barbalho, por volta das 5h de domingo (15).

“Muita gente foi ao enterro. É impressionante como ele era querido e conhecido. Foi muito emocionante”, disse Vavá Botelho, diretor do BFB ao Correio24Horas.

O diretor da companhia relatou ainda que o caso chocou a todos que conheciam e trabalhavam com Reinaldo.

“Eu estava ensaiando com ele na sexta-feira até as 19h. Sábado tivemos espetáculo e foi lindo. Depois ele foi pra casa e… Ainda não acreditamos no que aconteceu”, disse emocionado.

De acordo com o diretor, Reinaldo havia se apresentado no Pelourinho no sábado (13) e, segundo amigos, teria seguido para uma boate, de onde saiu acompanhado de um rapaz.

Homofobia

O fundador do Grupo Gay da Bahia, Luis Mott, lamentou a morte de Reinaldo Pepe e afirmou que qualquer assassinato de um homossexual tem que ser tratado como crime homofóbico. “Esse é o oitavo assassinato de homossexuais na Bahia. Até agora, foram 66 no Brasil”, disse ao Correio24Horas.

Mott afirmou também que o dançarino era integrante do candomblé e muitas pessoas ligadas à religião estiveram presentes no enterro. “Muitas pessoas do candomblé estavam lá. Algumas até ‘receberam santo’. No momento final do enterro, as pessoas cantaram músicas africanas e rezaram o pai nosso”.

Relembre o caso

De acordo com informações da Central de Polícias (Centel), Reinaldo foi morto por volta das 5h de domingo (15), com golpes de faca no pescoço e no abdômen. Ainda segundo a polícia, o ataque foi tão violento que o bailarino quase chegou a ser degolado.

Ainda não há informações sobre a identidade do assassino. No entanto, de acordo com o diretor-geral do Balé, Vavá Botelho, vizinhos viram um homem saindo da casa de Reinaldo no início da manhã levando um celular e um notebook.

O suspeito era branco, vestia camisa e bermuda pretas, tinha o cabelo cortado baixo, com uma franja e estava com os pés sujos de sangue. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

mar
17
Posted on 17-03-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-03-2015


S. Salvador , no jornal Estado de Minas ( Belo Horizonte)

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DEU NO EL PAIS

A 10ª fase da operação Lava Jato, desencadeada nesta segunda-feira (16) pela Polícia Federal, não trouxe boas notícias para o PT. Pela segunda vez em menos de cinco meses o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, acusado de ser o operador do partido no esquema de corrupção da estatal, foi preso pela PF. Ele e o tesoureiro do partido João Vaccari Neto foram denunciados nesta tarde pelo Ministério Público Federal por envolvimento no caso. No total, a procuradoria denunciou mais 21 pessoas.
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Segundo o procurador de Justiça Deltan Dallagnol, Vaccari arrecadou 200 milhões de dólares para o PT fruto de pagamento de propina. A quantia foi posteriormente repassada à legenda na forma de doações oficiais, o que constituiria lavagem de dinheiro. Segundo o promotor, o MPF tem provas de que o tesoureiro “tinha consciência de que os pagamentos eram feitos a títulos de propinas”. Além disso, o ele foi citado em quatro depoimentos de delatores da Lava Jato: Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras), Paulo Roberto Costa (ex-diretor da estatal), Augusto Mendonça e o doleiro Alberto Youssef.

Barusco havia indicado a existência do esquema de lavagem durante a CPI da Petrobras, na semana passada. De acordo com ele, Duque solicitou à empresa holandesa SBM um “patrocínio de campanha” de 300.000 dólares que serviria de “reforço” para ajudar a eleger Rousseff: “foi ao PT [a doação], pelo João Vaccari Neto [tesoureiro do PT]”. O ex-diretor e o tesoureiro sempre negaram a participação em qualquer esquema ilegal envolvendo a estatal.

Duque foi detido em sua casa na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (16), e não ofereceu resistência. Segundo a PF, a prisão temporária foi pedida pelo juiz Sérgio Moro durante a 10ª fase da Lava Jato. O magistrado justificou a medida alegando que Duque ainda estaria movimentando dinheiro não declarado à Receita Federal depositado em contas no exterior no segundo semestre de 2014, mesmo depois das investigações sobre a corrupção na Petrobras terem sido iniciadas: ele teria transferido 20 milhões de euros (cerca de R$ 68 milhões) de contas na Suíça para outras em bancos localizados no principado de Mônaco,

A quantia foi bloqueada pelas autoridades do principado. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o advogado de Duque, Alexandre Lopes, negou que ele tenha movimentado a quantia.

Além do ex-diretor, que é acusado pela procuradoria de ser o principal operador do PT no esquema de corrupção envolvendo a estatal, a décima etapa da Lava Jato também prendeu o empresário Adir Assad e Lucélio Roberto von Lehsten Góes, filho de Mario Góes. Este último está preso em Curitiba e é investigado por seu papel como suposto operador do esquema de corrupção. No total, a PF cumpre 18 mandados, sendo dois de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e 12 de busca e apreensão.

O ex-diretor Paulo Roberto Costa, que assinou um acordo de delação premiada, disse em depoimentos à PF que Duque repassava 3% dos contratos que assinava para o partido. O nome de Duque também aparece nos depoimentos de Pedro Barusco, que era subordinado ao ex-diretor preso, e do doleiro Alberto Yousseff.

Afastado da Petrobras em 2012 pela presidenta Dilma Rousseff (PT), Duque ocupou a diretoria de serviços de 2003 até o ano de seu desligamento. Ele havia sido indicado para o cargo pelo então ministro chefe da Casa Civil do Governo do ex-presidente Lula, José Dirceu.

Duque chegou a ser detido em novembro de 2014, mas foi solto em dezembro após uma decisão favorável do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, que acatou o pedido de habeas corpus de seus advogados.

A CPI da Petrobras da Câmara dos Deputados deveria ouvir o depoimento de Duque nesta quinta-feira. Na semana passada o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, e o ex-presidente da companhia Sergio Gabrielli compareceram à comissão.

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