Toffoli, na saída do Palácio do Planalto
depois do encontro com Dilma…
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…Mel Gibson e Julia Roberts em Teoria da Conspiração

ARTIGO DA SEMANA

STF-Planalto-Petrolão: Dilma e Toffoli fora do compasso

Vitor Hugo Soares

“Que beleza o convite de Jean Cocteau: ‘Fechamos com doçura os olhos dos mortos’. Com a mesma doçura, devíamos abrir os olhos dos vivos”.

(Da coletânea de 100 melhores frases do deputado e saudoso timoneiro da política brasileira, Ulysses Guimarães. Recolhidas e selecionadas por Mora Guimarães, e publicadas no livro “Rompendo o Cerco”. Os dois morreram no mesmo acidente do helicóptero que caiu no mar quando fazia a travessia da região dos lagos, no Rio de Janeiro, para São Paulo, em dia de chuva e ventania, depois do descanso de um feriadão. O corpo de Ulysses nunca foi encontrado. Teorias conspiratórias sobre o fato não faltam).

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De Ulysses a Brasília, sem escalas e sem rodeios.

Inevitável não comparar o ar e o jeito do ator Mel Gibson (na pele do incrível taxista Jerry Fletcher, no filme “Teoria da Conspiração”), com a cara e os modos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Tofolli, ao falar aos repórteres na saída do Palácio do Planalto, depois do encontro com a presidente Dilma Rousseff (e seus ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e José Eduardo Cardozo, da Justiça).

Isso, um dia depois do ex- advogado do PT trocar de turma, para ganhar condições de foro para conduzir o julgamento de suspeitos citados na delações da Operação Lava Jato. “Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas”, diriam os franceses. Mas…

Sem falar na presidente da República, neste caso, uma espécie de Alice (mal comparando), a personagem de Julia Roberts, no cult cinematográfico dirigido por Richard Donner. Rosto vincado pelo desassossego de noites mal dormidas destes últimos dias de vaias e panelaços, às vésperas dos protestos em escala nacional (e opostos entre si), para este fim de semana de março de amargas lembranças históricas.

Gestos nervosos em meio a frases confusas e desconexas, ao comentar o encontro com Toffoli, horas mais tarde, quando já estava em visita a Rio Branco, capital do pobre estado do Acre, devastada por nova enchente e pela incúria e irresponsabilidade (para dizer o mínimo) de seus governantes nas mais diferentes esferas de poder. Na antevéspera do STJ autorizar a inclusão do nome do governador Tião Viana no rol dos suspeitos citados nas delações premiadas do Lava Jato, agora sob investigação criminal. Em seguida, embarcou para encontrar-se com o governador Pezão, no Rio de Janeiro, outro da lista do Superior Tribunal de Justiça, ao lado de Sérgio Cabral, o ex.

As imagens da entrevista da presidente Dilma, mostradas no Jornal Nacional, da Rede Globo, edição original da segunda-feira, 9, depois da matutina conversa de uma hora de duração com o ministro do Supremo, dispensam maiores explicações. É só conferir no site do JN. Embora isso talvez resulte desnecessário e inútil.

Afinal, “a melhor conspiração é exatamente aquela que não se pode provar”, como assinala o personagem de Gibson nas reflexões em voz alta ao volante de seu táxi, apavorado e em fuga diante de um súbito e violento escapamento de água de um duto rompido no centro de New York. Uma cena antológica de filme de suspense.

Em Brasília, no Acre ou no Rio de Janeiro, a verdade é que as performances de Dilma e Tóffoli, em seus descompassos gritantes, nem de longe fizeram sombra à qualidade dos desempenhos de Mel Gibson e Julia Roberts em Teoria da Conspiração. Mas serviram e muito para reforçar a atmosfera que atravessa toda trama cinematográfica e ganha notável atualidade neste março chapa quente da politica, da economia e dos movimentos sociais brasileiros. Contribuem para isso importantes personagens, de política, do governo, da economia, da justiça.

Por exemplo: Na segunda-feira, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, de máxima presteza ao autorizar a transferência de Toffoli para a 2ª Turma do Supremo, que vai apreciar os casos de citados no Lava Jato, aterrissou em Salvador. Foi a autoridade jurídica homenageada na festa comemorativa dos 50 anos da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) e recebeu uma medalha banhada em ouro 18 quilates.

Na cidade do Fórum Rui Barbosa – templo jurídico maior, solene, tradicional e marcante das cerimônias da magistratura local e nacionall-, o ato da AMAB, no entanto, foi realizado no prédio da Associação Comercial da Bahia. Histórica sede da primeira corporação de homens de negócio criada no País.

A cerimônia mereceu as presenças de representantes do estado como o governador da Bahia, Rui Costa (PT); o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT); o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM); o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo Costa e muita gente mais. O auditório ficou lotado de juízes, advogados, líderes de corporações jurídicas, a exemplo da OAB, todos misturados com empresários do comércio e da indústria, donos da casa histórica cedida para a comemoração da AMAB e a homenagem ao presidente do Supremo. Fico por aqui.

No filme de Donner, o taxista Jerry é o típico “grilado” americano que vê conspiração em tudo: na operação da NASA para mandar o primeiro homem à lua, na morte de Lee Oswald, nas viagens e falas do Papa, no encanamento de água que rompe de repente e inunda a rua em New York… Até que ele próprio, ao lado da advogada Alice, do Departamento de Justiça, por quem é loucamente apaixonado, se vê enredado em uma conspiração sem tamanho. Sem saber quem são os responsáveis e de onde partem as porradas, ameaças e ataques que recebe e colocam em risco a sua vida e a da amada. Mais não conto.

Afinal, que comparação pode haver entre a ficção americana e a realidade brasileira destes dias de março? Sinceramente não tenho resposta. Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luis augusto on 14 Março, 2015 at 8:28 #

Brilhante! Um pequeno trecho deste texto, de mais brilho ainda, subsidiará artigo em Por Escrito assim que eu me livrar do jeito na coluna que dei agora de manhã. Adivinhe qual quem puder.


luiz alfredo motta fontana on 14 Março, 2015 at 11:50 #

Caro VHS

O reino está podre.

Tóffoli, este mariliense, que aprendeu rápido o caminhos das pedras, não surpreende. Apenas confirma a regra, as instituições estão sendo tomadas de assalto.

Tóffoli foi reprovado em duas ocasiões quando prestou exame para a magistratura, em 1994 e 1995.

Mas conhece os meadros do PT, e os desejos ocultos de Lula, foi seu servidor fiel, tanto que ganhou a “boquinha” togada.

Caro VHS.

A verdade é que o governo não está doente, ele é a doença!

Dona Dilma é o ponto fora da curva em degradação da governança.

Nela nada sobrevive, nela nada faz sentido, afora a incrível capacidade de tornar fétido os caminhos que percorre.

Dias piores es~tao a caminho, quem sabe em algum deles, o “agosto” de Dilma.

Já Tóffoli, será na história, um capítulo a mais da degradação das instituições.


luiz alfredo motta fontana on 14 Março, 2015 at 12:14 #

Agora, em bizarrice, nada supera o juiz e o promotor de São José do Rio Preto, exigindo a companhia dos pais aos menores na manifestação de amanhã.

Insuperaveis em desfaçatez, alegam que é para preservar os mais frágeis. òtimo, logo proibirão maiores de 60 sem aocmpanhantes, mulheres solteiras, deficientes fisicos, portadores de pressão alta, diabéticos, míopes de todo genero, etc..até não restar ninguém.


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