João Leão: “nem aí”.

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CRÔNICA

Lombroso e a lista de Janot

Janio Ferreira Soares

Observando a turma denunciada na Lava-Jato é impossível não lembrar de Cesare Lombroso – médico italiano nascido no século 18 na cidade de Verona –, defensor da tese de que certos atributos físicos do ser humano (mandíbulas avantajadas, maçãs do rosto proeminentes, orelhas de abano, nariz adunco…) seriam determinantes para o ofício da delinquência.

Sem querer entrar no mérito desta questão, digamos, estética/171, deslizo no queijo com goiabada que por aqui tem o nome do casal mais famoso da literatura veronense e imagino o que o velho criminologista diria se pudesse dar seu parecer sobre os formatos cranianos de alguns protagonistas deste colossal escândalo – logicamente dentro de um contexto totalmente abrasileirado. Divagarei, pois, neste meu insano delírio forense.

Munido de régua e compasso, ele começaria dividindo os suspeitos de acordo com suas particularidades faciais. Antes, porém, um parêntese. Ao cruzar com Gleisi Hoffman, ele exige que a coloquem numa espécie de fundo falso onde só apareceria a sua cabeça, pois a visão completa da senadora certamente perturbar-lhe-ia os sentidos e sua análise iria parar nas cucuias.

Ressalva feita, o primeiro grupo seria formado por Edison Lobão (“aspecto de homem-mosca com toques de ancestralidade transilvânica e discretos vestígios de ferroadas de maribondos de fogo nas orelhas de abano.”); Eduardo Cunha (“envolvente sotaque de locutor de programas matinais da Rádio Globo, acompanhado de olhos de coruja matreira sempre aptos para longos conchavos noturnos, além de um risinho de hiena prestes a devorar indefesos filhotes de guarás planaltinos.”); Renan Calheiros (“jeitão manso de gato capado com bochechas em forma de tangerina temporã, arrematadas por um falso cocuruto povoado por estrangeiras relvas, sempre com as patas preparadas para unhadas traiçoeiras e escapadelas em telhados habitados por gatas morenas sustentadas por dinheiro vadio.”).

A segunda turma seria a dos barbudos e teria Valdir Raupp (“seu cavernoso aspecto de descendente do Lobisomem italiano lupo mannaro exige aguardar a próxima lua cheia para veredito final.”); Mário Negromonte (“nariz em v com acentuados orifícios sobrepondo-se a um bem-talhado cavanhaque transitando entre um lorde inglês e Lindomar Castilho, embora sua canção favorita seja Fogo e Paixão, de Wando – que ele canta no You Tube – e não aquela do ‘eu vou rifar meu coração, vou fazer leilão e vendê-lo a quem der mais’.”); Humberto Costa (pernambucano do gogó falso ao corpo que emite sons agudamente dúbios, também conhecido no sertão como cabra que tem pomo de adão e voz de Eva”.).

E antes de chegar em Vaccari, ele refuga e exclama em sua língua: “quell’orribile odore di merda, mio Dio! Cosa sta succedendo?”. Todos apontam para João Leão que, tal a piada do cara com diarreia que toma Rivotril no lugar de Floratil, está todo obrado, porém, nem aí para a cornalhada de plantão.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

Clip de 1999, do álbum antológico “Gil & Caetano Em Cy”

Confira.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Toffoli, na saída do Palácio do Planalto
depois do encontro com Dilma…
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…Mel Gibson e Julia Roberts em Teoria da Conspiração

ARTIGO DA SEMANA

STF-Planalto-Petrolão: Dilma e Toffoli fora do compasso

Vitor Hugo Soares

“Que beleza o convite de Jean Cocteau: ‘Fechamos com doçura os olhos dos mortos’. Com a mesma doçura, devíamos abrir os olhos dos vivos”.

(Da coletânea de 100 melhores frases do deputado e saudoso timoneiro da política brasileira, Ulysses Guimarães. Recolhidas e selecionadas por Mora Guimarães, e publicadas no livro “Rompendo o Cerco”. Os dois morreram no mesmo acidente do helicóptero que caiu no mar quando fazia a travessia da região dos lagos, no Rio de Janeiro, para São Paulo, em dia de chuva e ventania, depois do descanso de um feriadão. O corpo de Ulysses nunca foi encontrado. Teorias conspiratórias sobre o fato não faltam).

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De Ulysses a Brasília, sem escalas e sem rodeios.

Inevitável não comparar o ar e o jeito do ator Mel Gibson (na pele do incrível taxista Jerry Fletcher, no filme “Teoria da Conspiração”), com a cara e os modos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Tofolli, ao falar aos repórteres na saída do Palácio do Planalto, depois do encontro com a presidente Dilma Rousseff (e seus ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e José Eduardo Cardozo, da Justiça).

Isso, um dia depois do ex- advogado do PT trocar de turma, para ganhar condições de foro para conduzir o julgamento de suspeitos citados na delações da Operação Lava Jato. “Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas”, diriam os franceses. Mas…

Sem falar na presidente da República, neste caso, uma espécie de Alice (mal comparando), a personagem de Julia Roberts, no cult cinematográfico dirigido por Richard Donner. Rosto vincado pelo desassossego de noites mal dormidas destes últimos dias de vaias e panelaços, às vésperas dos protestos em escala nacional (e opostos entre si), para este fim de semana de março de amargas lembranças históricas.

Gestos nervosos em meio a frases confusas e desconexas, ao comentar o encontro com Toffoli, horas mais tarde, quando já estava em visita a Rio Branco, capital do pobre estado do Acre, devastada por nova enchente e pela incúria e irresponsabilidade (para dizer o mínimo) de seus governantes nas mais diferentes esferas de poder. Na antevéspera do STJ autorizar a inclusão do nome do governador Tião Viana no rol dos suspeitos citados nas delações premiadas do Lava Jato, agora sob investigação criminal. Em seguida, embarcou para encontrar-se com o governador Pezão, no Rio de Janeiro, outro da lista do Superior Tribunal de Justiça, ao lado de Sérgio Cabral, o ex.

As imagens da entrevista da presidente Dilma, mostradas no Jornal Nacional, da Rede Globo, edição original da segunda-feira, 9, depois da matutina conversa de uma hora de duração com o ministro do Supremo, dispensam maiores explicações. É só conferir no site do JN. Embora isso talvez resulte desnecessário e inútil.

Afinal, “a melhor conspiração é exatamente aquela que não se pode provar”, como assinala o personagem de Gibson nas reflexões em voz alta ao volante de seu táxi, apavorado e em fuga diante de um súbito e violento escapamento de água de um duto rompido no centro de New York. Uma cena antológica de filme de suspense.

Em Brasília, no Acre ou no Rio de Janeiro, a verdade é que as performances de Dilma e Tóffoli, em seus descompassos gritantes, nem de longe fizeram sombra à qualidade dos desempenhos de Mel Gibson e Julia Roberts em Teoria da Conspiração. Mas serviram e muito para reforçar a atmosfera que atravessa toda trama cinematográfica e ganha notável atualidade neste março chapa quente da politica, da economia e dos movimentos sociais brasileiros. Contribuem para isso importantes personagens, de política, do governo, da economia, da justiça.

Por exemplo: Na segunda-feira, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, de máxima presteza ao autorizar a transferência de Toffoli para a 2ª Turma do Supremo, que vai apreciar os casos de citados no Lava Jato, aterrissou em Salvador. Foi a autoridade jurídica homenageada na festa comemorativa dos 50 anos da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) e recebeu uma medalha banhada em ouro 18 quilates.

Na cidade do Fórum Rui Barbosa – templo jurídico maior, solene, tradicional e marcante das cerimônias da magistratura local e nacionall-, o ato da AMAB, no entanto, foi realizado no prédio da Associação Comercial da Bahia. Histórica sede da primeira corporação de homens de negócio criada no País.

A cerimônia mereceu as presenças de representantes do estado como o governador da Bahia, Rui Costa (PT); o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT); o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM); o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo Costa e muita gente mais. O auditório ficou lotado de juízes, advogados, líderes de corporações jurídicas, a exemplo da OAB, todos misturados com empresários do comércio e da indústria, donos da casa histórica cedida para a comemoração da AMAB e a homenagem ao presidente do Supremo. Fico por aqui.

No filme de Donner, o taxista Jerry é o típico “grilado” americano que vê conspiração em tudo: na operação da NASA para mandar o primeiro homem à lua, na morte de Lee Oswald, nas viagens e falas do Papa, no encanamento de água que rompe de repente e inunda a rua em New York… Até que ele próprio, ao lado da advogada Alice, do Departamento de Justiça, por quem é loucamente apaixonado, se vê enredado em uma conspiração sem tamanho. Sem saber quem são os responsáveis e de onde partem as porradas, ameaças e ataques que recebe e colocam em risco a sua vida e a da amada. Mais não conto.

Afinal, que comparação pode haver entre a ficção americana e a realidade brasileira destes dias de março? Sinceramente não tenho resposta. Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br


Gonzalez era chamado de “Aviador” por Maduro

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DEU EM O GLOBO

Um preso político venezuelano que era considerado perigoso pelo presidente Nicolás Maduro foi encontrado morto em sua cela na sede do serviço de inteligência do país. Rodolfo González, apelidado de “Aviador” pelo mandatário do país por ter sido piloto de aviação civil, se enforcou na noite de quinta-feira. Aos 63 anos, ele foi preso em abril do ano passado. A filha do detento confirmou a morte.

O suicídio foi confirmado por seu advogado. Defensora de direitos humanos da Fundação pelos Direitos e Igualdade Cidadã (Fundeci), Elenis Rodríguez afirmou que ele sofria de angústia pela iminente transferência a uma das prisões mais violentas do país, Yare. Outros acusados também serão transferidos para o local.

“Recebi a triste e trágica notícia de que Rodolfo González abriu mão de sua vida no calabouço. Por pensar distinto, ele foi preso com sua mulher em abril de 2014. Em cadeia nacional, Maduro disse que ele deveria ser enviado a Yare (temida no país pelos enormes índices de violações de direitos humanos e violência). Nunca me esquecerei da angústia no rosto de um homem inocente se vendo ameaçado de ir a uma prisão de alta periculosidade. Rodolfo se deixou levar pela angústia”, escreveu em carta.

Lissette González, filha do piloto preso, afirmou que a transferência do pai tinha sido marcada para a manhã desta sexta-feira. A última comunicação dos dois aconteceu por volta de 21h, e ele teria cometido suicídio pouco depois.

Pierre Barough e Baden Powell, em 1966, nas telas do mundo, com o Samba da Benção, de Vinícius e Baden.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


Ato pró-Dilma em São Paulo. / N. D. (REUTERS)


DEU NO EL PAIS

O que era para ser um ato com diversas pautas tornou-se uma clara defesa da presidenta Dilma Rousseff (PT) nesta sexta-feira em São Paulo. Convocado por centrais sindicais e movimentos sociais, a manifestação, que se repetiu em 24 Estados e em Brasília, tinha como foco declarado defender a Petrobras, a reforma política, a democracia e atacar duas medidas provisórias do governo petista que reduzem os direitos trabalhistas. Nos carros de som da avenida Paulista alguns dos discursos ecoaram as bandeiras iniciais, mas as milhares de pessoas que participavam da manifestação deram o tom do protesto ao entoar ao menos 15 vezes o “Olê, olê, olê olá, Dilma, Dilma”. A música é uma adaptação da cantada nas eleições vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (2002 e 2006) e repetidas nas vitórias de Rousseff (2010 e 2014) e ganha peso político ao voltar às ruas dois dias antes do protesto convocado para pedir seu afastamento da petista do cargo.

“A eleição já acabou. Temos um processo de desenvolvimento importante para o Brasil”, tentou minimizar o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas. Para ele, não há que se falar em terceiro turno eleitoral. A mensagem foi similar a dada por um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Sem-Terra (MST), Gilmar Mauro, que defende não haver apoio popular pelo impeachment de Rousseff. O atual momento, diz Mauro, seria o de ampliar a intervenção estatal, e não de fazer um ajuste fiscal, como o levado a cabo pelo governo.

O protesto, debaixo de forte chuva, durou cerca de quatro horas e percorreu um trajeto de quase quatro quilômetros entre a avenida Paulista e a praça da República, no centro de São Paulo. O número de participantes é controverso. O primeiro carro de som dizia que eram 100.000 participantes. O segundo, e o terceiro afirmaram que eram 50.000 e o último dizia que eram mais de 80.000 pessoas. Ao final, a CUT optou por usar o maior número. Já a Polícia Militar estimou em 12.000 o número de manifestantes. O instituto Datafolha, que levou pesquisadores ao ato para aplicar método próprio de medição, disse que, somando todos os que participaram da manifestação em algum momento, havia 41.000 pessoas. O de São Paulo foi o maior dos protestos desta sexta pelo Brasil.
mais informações

O ato, que reuniu centrais sindicais e movimentos sociais de sem-terra, estudantes, sem-teto, apoiadores das causas LGBTs, negros e feministas, ganhou o apoio de professores da rede estadual que decretaram uma greve geral em uma assembleia realizada a poucos metros do local de início da manifestação.

Na frente a uma das sedes da Petrobras, onde começou o protesto, militantes da CUT se vestiram com um uniforme laranja dos petroleiros e fizeram discursos inflamados defendendo a companhia, que está envolta em um dos maiores escândalos políticos dos últimos anos. “Querem privatizar a Petrobras. Não podemos deixar que isso aconteça”, bradava um deles ao microfone. Hugo Yasky, sindicalista da Central dos Trabalhadores da Argentina convidado para participar do evento em nome dos movimentos sociais latino-americanos, engrossou o coro na sequência e reforçou o sentimento dos demais participantes do ato: “Dilma fica! A democracia fica! Viva a Luta Sindical!”

As pautas multitudinárias apareceram também em camisetas, adesivos e faixas. A abre “alas do protesto” dizia “Corrupção se combate com reforma política”. Outras tratavam da crise hídrica de São Paulo, Estado Governado pelo oposicionista PSDB: “Geraldo [Alckmin] cadê a água?”. Havia ainda as que alertavam para a gravidade do uso de exagerado de agrotóxicos na agricultura – “Cenoura. Nível de contaminação 49,6% acima do permitido” – e as que tiravam sarro do pedido de deposição da presidenta – “Impeachment meuzovo (sic).

No meio da massa, um homem imitava o rouco falar do ex-presidente Lula para dizer que querem “puxar o tapete de Dilma”. “Mas esse tapete, companheiros, é muito grande. Não vão conseguir dar o golpe”. Logo depois da fala dele, um grupo de jovens militantes do PT e do PC do B, dois dos três partidos que levaram bandeiras ao ato (o outro foi o nanico PCO), começaram a gritar: “fascistas, golpistas, não passarão”.

Os ânimos pareciam que se exaltariam quando uns 20 motoqueiros furaram o protesto na avenida da Consolação. Uma mulher que quase foi atropelada xingou os motociclistas, que fugiram. Com exceção desse incidente, a marcha seguiu sem nenhum problema até seu encerramento. “Sem incidentes, sem ocorrências, como se espera de um protesto”, disse o coronel Celso Luiz Pinheiro, comandante da PM na região central da cidade.

Pouco tempo depois que os apoiadores de Rousseff saíram da frente da Petrobras, 60 manifestantes do grupo virtual Revoltados Online foram até lá para pedir o impeachment da presidenta. No domingo, dia 15, esse grupo se juntará a outros no ato será dos opositores de Rousseff. Convocado por movimentos espontâneos o protesto ganhou a adesão de diversos partidos políticos, como o PSDB, o PPS e o Solidariedade.

mar
14
Posted on 14-03-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-03-2015


Aroeira,no jornal Brasil Econômico

mar
14


OPINIÃO

CPI da Petrobras na TV

Maria Aparecida Torneros

Para qualquer observador dos pressupostos de informação que as transmissões ao vivo de CPIs ou interrogatórios legislativos ou judiciários podem repercutir no inconsciente coletivo brasileiro ,o que se tem presenciado é um desfile grosseiro de anti comunicação.

Não é questão de censura ou filtragem mas de respeito ou noção de vida republicana e institucional.

De há muito o nivel dos nossos parlamentares e até dos nossos representantes judiciais foi baixando e se deteriorando. Fala-se de desvio de milhões como se fosse algo normal diante de um povo sofredor que conta tostões para sobreviver e elege políticos ou crê na justiça como tábua isenta para suas salvações legais.

Mas os canais se limitam a deixar correr como se fira um BBB reality show onde frases e confissões nem parecem levar em conta a disparidade que o momento politico nacional pressupõe.

Os estadistas teriam seu papel se conseguissem separar joio de trigo. Mas estão escassos ou comprometidos ou engessados ou acreditam em oportunidade de faturamento de suas exposições segundo modelos que já se auto destruíram.

A mídia televisiva se limita a transmitir e os analistas ( mesmo os melhores jornalistas) não conseguem estancar seu ar de perplexidade diante da grande responsabilidade que é a concessão da comunicação social.

Não é o caso de mentir. Jamais. Tudo o que precisamos é transparência com isenção e menos teatro. Centenas de milhares de pessoas são diretamente afetadas pelo escândalo do Petrolao. E o que se vê é cada investigado ou mesmo delator premiado depor como se herói fosse por ter decidido assumir mea culpa.

Que jornalismo é esse que nem questiona obstinadamente os resultados da paralisação do país diante do quadro a nós impingido como destino cruel.

Pergunto me se as tais forças ocultas que fizeram Janio renunciar num tempo sem TV ao vivo não teria mais neutralidade de ação para trazer o drama politico e social de uma corrupção escancarada aos lares de criaturas que aprendem a exercer a democracia e já desconfiam se lhes enganam ou ludibriam descaradamente.

Uma presidente eleita e mal avaliada porque o tal ajuste fiscal está mal explicado. Um país a beira do ataque de nervos e as figuras de presidentes de Senado e Câmara Federal que não nos pedem desculpas de nada. Afinal são perfeitos.

Errados somos nós que assistimos falas que mencionam imensos roubos e nos afrontam dignidade.

Os meios de comunicação que precisam da publicidade parecem cautelosos ou se agregam como agremiações ideológicos. Os apresentadores são repetitivos. As analises carecem de propostas coerentes. Nossos jovens e crianças são parte do público e a eles é dada essa plêiade de desajustes ou tantos desmentidos.

A frase mais repetida. Nunca participei disso. Parece que o jornalismo investigativo morreu. Não conseguem provar ou mostrar os tais encontros em hotéis onde se combinava a distribuição do dinheiro desviado.

Onde estão os repórteres com fontes especiais?

O tal lero lero do tempo de Noel Rosa voltou à moda. A única novidade é a atuação do temido Ministério Publico.

O corporativismo é palavra de ordem. Ou seria um procedimento globalizado imposto pelo poder?

Mídia corporativa é tão nociva quanto corrupção sistêmica.

Exame de consciência virou historia da carochinha e verdade parece peça de leilão de antiguidades.

Os depoentes merecem mesmo ser chamados de excelências. A nós que somos publico restam perplexidade, prejuízos,decepções e paciência para novas cenas de teatrinho com roteiros que nem mencionam nossas dores ou desempregos ou papel de enganados de plantão.

Mídia esquisita em tempos de muitas revelações ou de inúmeros desencantos. O Brasil é maior e merece mais. Pelo menos que se calem mais e mintam menos.

Maria Aparecida Torneros, Jornalista e escritora carioca , editora do Blog da Cida

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