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A PRESENÇA DE INEZITA

Maria Aparecida Torneros

Nos últimos anos me acostumei a assistir com mamãe que tem 88, o programa da Inezita Barroso, Viola, minha viola. Era como rever o Brasil inteiro no desfile de entrevista e canções que a cantora pesquisadora e folclorista trazia com seu jeito de jovem de 90 anos e nos inundava de historia nacional.

Ontem, ela foi embora, mulher pioneira, dama da música de Raiz e brasileira que conhecia como ninguém cada pedacinho da nossa terra. Inezita esbanjava a bom humor e se enfeitava. Deixa saudades e nos lega uma vida dedicada a defesa do nosso folclore.

De uma graça que a acompanhou sempre, nossa Inezita virou patrimônio e madrinha de todos os compositores e intérpretes da nossa música caipira. Perdem os uma representante legitima do Brasil que integra sertão e vida urbana.

A lacuna que fica tem a ver com a distância entre o campo e a cidade. Na televisão brasileira quem pode dar continua adelante ao seu trabalho de décadas?

A música sertaneja tem muito mais do que o lado comercial que a mídia tenta passar. Inezita era carisma puro. Em certa época da vida pegou sua caminhonete e dirigiu pelo interior do país buscando pesquisar. Era uma bibliotecária estudiosa. Tinha embasamento teórico e vivencia na prática.
Que seu trabalho seja reconhecido e que se crie um Museu em sua homenagem e para que as novas gerações a conheçam e referenciem.

Cida Torneros é jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde edita O Blog da Mulher Necessária

DEU NO JORNAL DO BRASIL ONLINE

O corpo da cantora e apresentadora Inezita Barroso está sendo velado desde as 6h30 de hoje (9) na Assembleia Legislativa de São Paulo e seguirá, às 16h, para o cemitério Gethsemani, no Morumbi, na zona sul da cidade. Ela morreu na noite de ontem (8), aos 90 anos, vítima de insuficiência respiratória, depois de ficar internada no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 19 de fevereiro.

A artista apresentava o programa semanal Viola, Minha Viola, na TV Cultura, e ontem (8) foi homenageada em edição especial pela passagem do seu aniversário de 90 anos, comemorado na última quarta-feira (4).

Inezita teve atuação marcante não só na abertura de espaços a talentos da música caipira, como em diversos ramos da cultura. Além de gravar músicas de sucesso, comoRonda, A Marvada Pinga e Lampião de Gás, foi uma das primeiras atrizes da antiga Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

A cantora nasceu em São Paulo e viveu entre o bairro Barra Funda, na capital, e a fazenda da família, no interior do estado. Formada em biblioteconomia, Inezita tinha grande interesse nos valores regionais do Brasil e tornou-se professora universitária de folclore nacional.

O jornalista Assis Ângelo, autor do primeiro livro sobre a vida da paulistana Ignez Magdalena Aranha de Lima, a Inezita, definiu bem a trajetória da artista em seu blog, ao homenageá-la pelo aniversário de 90 anos: “A carreira dela é compriiida! Viva Inezita Barroso!”, escreveu.

O jornalista, no entanto, lamenta não ter conseguido terminar o segundo livro sobre a artista, já que o primeiro, A Menina Inezita Barroso, lançado pela Cortez Editora, relata apenas os primeiros 17 anos de vida da cantora. “A ideia era prosseguir, mas não deu tempo”, disse ele, que tinha convivência próxima com ela, desde a década de 80.

De acordo com o seu relato, embora a cantora tenha vivido a maior parte do tempo em São Paulo, a carreira começou no Recife, Pernambuco, com impulso do compositor e pianista Lourenço Barbosa da Fonseca, morto em 1997. “Cornélio Pires, paulista de Tietê, foi o primeiro homem a gravar modas de viola. Inezita, foi a primeira mulher”, acrescentou Ângelo.

Composição de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira, interpretada por Inezita Barroso no Viola, Minha Viola, da TV Cultura.

SAUDADES, MUITAS SAUDADES NAS MANHÃS DE DOMINGO NO BRASIL.

ADEUS!!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
09

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Carla Jiménez

De São Paulo

Já se sabia que qualquer palavra dita pela presidenta Dilma Rousseff neste momento delicado do país corria o risco de cair no vazio. Mas, o som de batidas nas panelas que se ouviu em diversos bairros de São Paulo –e em algumas áreas do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte– durante o anunciado pronunciamento em cadeia nacional pelo Dia Internacional da Mulher, na noite deste domingo, revelou o tamanho do mau humor da população da cidade mais rica do país com a mandatária. Dilma apareceu em rádio e televisão exatamente para defender que o país está passando por “problemas temporários”, para alcançar “soluções permanentes”.

Em seu discurso, a presidenta defendeu que o Brasil passa por um momento diferente, “do que vivemos nos últimos anos. Mas nem de longe vivemos uma crise nas dimensões que dizem alguns. Passamos por problemas conjunturais, mas nossos fundamentos continuam sólidos”, afirmou.

Segundo Dilma, esta seria a segunda etapa de combate à mais grave crise internacional desde a de 1929. E nesta segunda etapa, é necessário usar armas diferentes e mais duras das que foram usadas no primeiro momento. “O mundo mudou e as circunstâncias mudaram, tivemos de mudar a forma de enfrentar os problemas”, disse. Isso porque alguns dos percalços se agravaram no mundo e no Brasil. “A seca, por exemplo, está exigindo aumentos temporários no custo da energia”, disse a presidenta, reforçando que se tratava de um aumento “passageiro”. “Você tem todo o direito de se irritar, e de se preocupar. Mas lhe peço paciência”, argumentou, apelando para um pedido de união e confiança na condução deste processo.

A presidenta voltou a focar sua fala com para a classe trabalhadora, a classe média e “os mais vulneráveis”. E que irá cumprir os compromissos já assumidos. Dilma colocou grandes economias que estão “severamente” enfrentando problemas como exemplo do que o Brasil está passando. “Os Estados Unidos, a União Europeia, o Japão e a até mesmo a China que reduziu seu crescimento à metade de suas médias históricas”.

DEU NO SITE DA TV CULTURA (SP)

Morreu na noite deste domingo (8) Inezita Barroso, legendária artista brasileira, cantora e apresentadora do Viola, Minha Viola, programa de todos os domingos na TV Cultura, transmitido nacionalmente.Inezita era reconhecida como a mais antiga e mais importante expressão artística da música caipira no País. No último dia 4, havia completado 90 anos de vida. Ela deu entrada no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em 19 de fevereiro.

Inezita Barroso deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.

Ignez Magdalena Aranha de Lima, nome de batismo de Inezita Barroso, nasceu em 4 de março de 1925, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Filha de família tradicional paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares. Formada em Biblioteconomia na USP (Universidade de São Paulo), Inezita foi uma grande pesquisadora da música caipira brasileira. Por conta própria, percorreu o interior do Brasil resgatando histórias e canções. Reconhecida por este trabalho, foi convidada a dar aulas sobre folclore em uma universidade paulista. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.

O nome artístico foi criado aos 25 anos, quando ela juntou seu apelido de infância, Inezita, ao sobrenome do marido, Barroso.

A artista Inezita Barroso era cantora, instrumentista, folclorista, atriz e professora. Começou a cantar e estudar violão aos sete anos. Depois, começou com viola e piano. Tomou gosto pelo universo rural já nos primeiros anos de sua vida e na adolescência realizou recitais e shows. Sua primeira gravação em disco foi realizada no ano de 1951 pela gravadora Sínter. A partir daí, Inezita gravou cerca de 100 discos.

O primeiro DVD musical da dama da música de raiz, Inezita Barroso – Cabocla Eu Sou, foi lançado em dezembro de 2013 e sintetiza os mais de 60 anos de carreira da cantora.

É uma das cantoras mais premiadas do Brasil, sendo detentora de mais de 200 prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Cantora Regional, o Grande Prêmio do Júri do Prêmio Movimento de Música, em homenagem aos 47 anos de carreira, e o Prêmio Roquette Pinto como Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira. Sua longa carreira foi coroada com o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, e com a escolha de seu nome para ocupar uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras, em 2014. Inezita seria empossada oficialmente em meados de março deste ano.

Em 2009, Inezita recebeu do governo do Estado de São Paulo o título vitalício de Grande Oficial pelo compromisso com as raízes culturais do país e pela contribuição significativa para o entretenimento dos brasileiros.

Na tevê, sua carreira começou junto com a TV Record, onde foi a primeira cantora contratada. Depois, passou pela extinta TV Tupi e outras emissoras, até chegar à TV Cultura para comandar o Viola, Minha Viola.

Na rádio, Inezita esteve à frente de microfones da Record, USP e Rádio Cultura AM, onde apresentou, por 10 anos, o programa diário Estrela da Manhã.

O começo de tudo

O mais antigo programa de música da TV brasileira no ar, O Viola, Minha Viola estreou no dia 25 de maio de 1980, com apresentação de Moraes Sarmento (1922-1998) e Nonô Basílio (1922-1997), nos estúdios da TV Cultura, na Barra Funda. A partir da terceira edição, em junho, Inezita Barroso passou a participar da atração como convidada fixa e logo já conquistou a simpatia do público. Meses depois, em agosto, Nonô deixou o programa e Moraes ganhou como parceira a mulher que, anos mais tarde, tornar-se-ia a dama da música caipira no País.

Nessa época, a atração também ganhou espaço exclusivo: mudou-se para o Auditório Franco Zampari, na região da Luz, em São Paulo. Durante algum tempo, o Viola foi itinerante e viajou por diversas cidades do interior paulista, voltando, mais tarde, a fixar-se no Zampari.

Inezita Barroso gravou mais de 1500 edições do Viola, Minha Viola, voltado a modas de viola, música de raiz, lendas e danças folclóricas.

Tendo se tornado um verdadeiro centro da tradicional música de raiz, ao longo dos anos, o palco do Viola recebeu os maiores astros do gênero, como Tonico e Tinoco; João Pacífico; As Galvão; Pedro Bento e Zé da Estrada; Cascatinha e Inhana; Milionário e José Rico; Tião Carreiro e Pardinho; Almir Sater; Daniel; Chitãozinho & Xororó; Renato Teixeira: Sergio Reis; entre muitos outros célebres do cenário musical caipira.

mar
09
Posted on 09-03-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-03-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

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