Juiz Sergio Moro defende no Paraná…
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… estratégia de Mark Felt (Garganta Profunda)
para apanhar corruptos e corruptores

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ARTIGO DA SEMANA

Sergio Moro: A lição do Watergate ao Lava Jato

Vitor Hugo Soares

“Siga o dinheiro ( Follow de Money) e você chegará ao chefe do crime”. O conselho certeiro de W. Mark Felt (o Garganta Profunda), principal fonte de informação dos repórteres Bob Woodward e Karl Bernstein (Washington Post) nos bastidores do poder nos Estados Unidos – ao lontgo das investigações do célebre Escândalo Watergate – , volta a pontificar´ no Brasil 2015 do Petrolão.

No caso americano, a estratégia recomendada por “Deep Throat”, seguida à risca pelos dois consagrados jornalistas (premiados personagens de filmes e livros), culminaria na queda (renúncia) do então todo poderoso ex-presidente republicano, Richard Nixon, no desfecho do maior escândalo policial, político, econômico e social da história norte-americana.

Mas isso é história de outros tempos e de outros costumes, dirão certamente ou pensarão alguns, quando colocados repentinamente diante de tais fatos históricos nesta semana brasileira de dar frio na barriga. Tá legal, eu aceito o argumento. Mas sou obrigado, outra vez, a apelar para as palavras do garoto genial, personagem principal do filme sueco Minha Vida de Cachorro: “É preciso comparar”.

O fato relevante na história do começo deste artigo (e bota relevante nisso, apesar do certo descaso de parte da imprensa nacional) é que mais de quatro décadas depois, a recomendação é retomada pela voz firme e consistente do Juiz Sergio Moro. Isso na palestra sobre corrupção e lavagem de dinheiro, feita na aula inaugural da Escola de Magistratura do Paraná, segunda-feira, 2.

Então, sem se referir explicitamente ao caso que toma a atenção do país, e faz Brasília estremecer, o principal condutor do processo jurídico resultante da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, disparou o tirambaço com potência e alcance superior aos megatons “da bomba atômica em fabricação no Irã”, segundo Netanyahu comunicou no Congresso dos Estados Unidos, com pompas e circunstâncias de comício de encerramento de campanha eleitoral em Israel.

Na semana da entrega da lista de Janot ao Supremo Tribunal Federal e a posterior divulgação dos nomes dos políticos metidos ou suspeitos no crime de lesa-Petrobras , a aula do de Moro teve efeito de abalo sísmico na área geográfica, humana, política e criminal do maior e mais deslavado escândalo de conluio entre corruptos e corruptores de grosso calibre de que se tem notícia na história do Brasil.

Na aula inaugural em Curitiba, epicentro do Lava Jato, o juiz de primeira instância falou durante uma hora. Praticamente tudo o que ele disse merece registro nos anais dos cursos jurídicos e dos centros acadêmicos de estudos e aprendizados no campo criminal. Neste espaço de opinião semanal, considero relevante destacar alguns pontos.

O primeiro, aquele em que Sergio Moro disse ficar mais confortável por se tratar de uma palestra técnica, sobre a carreira jurídica. “Então, isso gera um discurso mais pessoal e um compartilhamento de experiências”, disse o juiz com passagem brilhante pelos bancos de Harvard.

Em seguida, o registro essencial e eixo (perdoem pela palavra tão ao gosto petista) de seu pensamento, merecedor de atenção e reflexão nestes dias de fogo no Brasil: “A criminalização da lavagem de dinheiro facilita a investigação e a responsabilização criminal daqueles que, no âmbito da atividade criminal, exercem funções de comando ou de mando. Segue atual, portanto, “o velho conselho norte-americano: siga o dinheiro, e você descobre quem é o chefe e o responsável pelo crime”, disse Moro.

Para o juiz, “é importante que o criminoso seja obrigado a ficar sentado sobre o seu dinheiro sujo”. Que esse dinheiro sujo não seja utilizado para qualquer finalidade, especialmente, e também, no domínio econômico”.

Moro fez a definição mais polêmica e explosiva da palestra, ao comparar dois tipos de “profissionais” que praticam o crime de lavagem de dinheiro. “Tem um que pratica o crime antecedente, por exemplo, o tráfico de drogas, e tem o outro que pratica apenas o crime de lavagem de dinheiro”. Concluiu: quanto mais sofisticada a atividade criminosa, maior a distinção dos papéis citados acima. “Ou seja, você não lava o seu dinheiro, você recorre a um profissional da lavagem de dinheiro”.

É preciso dizer mais? .

Então, mãos à obra, justiça e sociedade. Sigamos a pista do dinheiro sujo, como recomenda o juiz. Assim, quem sabe, a exemplo do Watergate, nos EUA, também, através dos comparsas (todos eles) chegaremos finalmente ao chefe de tudo no Lava Jato e na roubalheira na Petrobras. Depois, só restará a punição: exemplar, implacável e do tamanho do crime cometido e seus malefícios à nação.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

DEU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Alan Marques/Folhapress

O vice-governador da Bahia, João Felipe de Souza Leão, do PP, não economizou nas palavras ao se manifestar após a divulgação da lista do STF (Supremo Tribunal Federal) com nomes de envolvidos em inquéritos relativos à Operação Lava Jato, na noite desta sexta (6).

Após dizer que não entende o motivo de ter sido incluído nas investigações, o vice-governador diz, em nota, estar “cagando e andando, em bom português, na cabeça desses cornos todos”, se referindo às pessoas que o citaram durante as apurações.

No mesmo texto, Leão se diz um homem sério, e que irá à Brasília na segunda-feira (9) para saber por que foi ligado ao escândalo.

Ele alega que pode ter sido incluído nas investigações por ter recebido recursos, em 2010, de empreiteiras envolvidas na Lava Jato. “Recebi recursos da OAS, mas quem recebeu recursos legais, na conta legal, tem culpa?”.

Entre outros políticos que aparecem na lista e que já se manifestaram na noite desta sexta (6), a maioria nega envolvimento com os fatos descritos nos pedidos de inquérito.

Veja a nota do vice-governador da Bahia, João Leão (PP), na íntegra:

“Estou tão surpreso quanto tantos outros,não sei porque meu nome saiu. Nem conhecia esse povo. Acredito que pode ter sido por ter recebido recursos em 2010 das empresas que estão envolvidas na operação. Mas, botar meu nome numa zorra dessas? Não entendo. O que pode ser feito é esperar ser citado e me defender. Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa. Segunda-feira vou para Brasília saber porque estou envolvido […] Recebi recursos da OAS [em 2010] mas quem recebeu recursos legais, na conta legal, tem culpa?”.

mar
07
Posted on 07-03-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-03-2015


Jorge Braga, no jornal O Popular


Alonso:uma semana para recuperar memória
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DEU O EL PAIS

Oriol Puigdemont

De Barcelona

Que cara devem ter feito os presentes quando Fernando Alonso recobrou a consciência pouco depois de ficar desacordado em consequência da batida que deu contra o muro do circuito de Montmeló, na Espanha, no domingo 22. “Quem você é?; o que faz?, e o que quer do futuro?”, são as primeiras perguntas feitas a quem sofre uma comoção por impacto. “Sou Fernando, corro em karts e quero ser piloto de Fórmula 1”, respondeu o asturiano. Embora a resposta possa parecer cômica, as pessoas a seu redor naquele momento não conseguiam achar graça, sobretudo antes de a infinidade de exames a que o piloto foi submetido diminuir a tensão e descartar qualquer tipo de lesão cerebral como consequência do choque.
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Apesar de ainda não se saber o que o levou a perder o controle de seu carro na saída da terceira curva do circuito de Barcelona, o espanhol recuperou a consciência, mas só até 1995: não se lembrava de nada dos quase 20 anos posteriores até chegar ao momento atual. Nem sua estreia com a Minardi (2001), nem os dois títulos conseguidos com a Renault (2005 e 2006), nem os últimos quatro Champions do Real Madrid (1998, 2000, 2002 e 2014), seu time.

Em uma semana, Alonso já estava quase 100% recuperado e, apesar de perder a primeira prova do Mundial, em 15 de março na Austrália, já começou a treinar para a segunda (dia 29 de março em Sepang, Malásia). Segundo nota emitida na terça-feira pela McLaren, Alonso não vai estrear na Austrália por simples precaução. De acordo com a nota, os médicos desaconselharam sua participação para evitar expô-lo à síndrome do segundo impacto (outro golpe na cabeça agravaria as consequências), mas alguns põem em dúvida o motivo de sua ausência e, de passagem, criam outra interrogação (mais uma).

A má notícia é que não estará na Austrália; a boa é que já está pronto para voltar

O médico Rafael Blesa é diretor do serviço de neurologia do Hospital de Sant Pau, de Barcelona. “O fato de a equipe se basear nessa hipótese para justificar que esse rapaz não corra no fim de semana que vem não faz nenhum sentido nesse caso concreto. Basicamente porque, segundo afirmam, todos os exames realizados nele [TAC, provas de contraste e demais] foram bem e demonstram que não tem nenhuma lesão. Nesse caso, o cérebro está intacto, exatamente igual a antes do acidente. De modo algum essa primeira sacudida [sem lesão] teria qualquer incidência caso se produzisse uma segunda”, diz Blesa.

O renomado neurologista é uma das maiores autoridades em sua especialidade na Espanha. Já viu de tudo, e por isso considera um processo normal o percurso que Alonso teve de fazer antes de refazer um caminho de quase duas décadas até chegar ao momento atual. “Uma comoção como a sua se produz porque o cérebro sofre um abalo que afeta a sinapse neuronal [a transmissão entre os neurônios]. Quando isso ocorre, a substância bioquímica não atua, de modo que o cérebro vai buscar uma lembrança e não a encontra. Dependendo do caso, o tempo de recuperação é um ou outro. É preciso levar em conta que, dentro do cérebro, os circuitos mais sensíveis a um abalo como o seu são os da memória”, ressalta o médico.

Dadas as circunstâncias, e depois de três dias no Hospital Geral da Catalunha, é normal que Alonso tenha sido aconselhado a não fazer declarações para evitar alguma resposta extemporânea, mas absolutamente normal do ponto de vista clínico.

Alonso não vai estrear na Austrália por simples precaução. Os médicos desaconselharam sua participação para evitar expô-lo à síndrome do segundo impacto

A ausência do piloto da McLaren em Melbourne é evidentemente uma má notícia. A boa notícia, sem dúvida alguma, é que, do ponto de vista médico, está preparado para correr. Entretanto, esse otimismo mais que justificado não esconde a angústia vivida por pessoas próximas a ele e todo o pessoal médico que o atendeu nas horas posteriores ao incidente. Muitos dormiram menos e pior que o próprio paciente, cruzando os dedos para que todos os exames corressem bem e esperando encontrar algum indício que ainda hoje se desconhece. De fato, a maioria das perguntas continua sem resposta e só Ron Dennis, presidente da McLaren, ofereceu uma entrevista coletiva na quinta-feira com um objetivo: evitar que alguém pudesse pensar que o MP4-30 apresentou um problema técnico que provocou a batida de Alonso. Se isso se confirmasse, seria um desastre para a McLaren-Honda, um projeto que ainda está engatinhando e que mesmo antes de começar a rodar já apresenta vários problemas, alguns de um tamanho considerável.

De qualquer forma, as opções mais lógicas para explicar o incidente se reduzem a duas: que o corredor tenha passado mal e tentado se aproximar do muro ou que seu carro tenha tido algum tipo de problema. Quem melhor sabe é Alonso, mas primeiro deve se lembrar e depois querer contar.

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