Vai para o jornalista Claudio Leal, que com a generosidade e competência assumirá o leme do BP nos dias de viagem e descanso do editor.

BOA TARDE

(Vitor Hugo Soares)

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DEU NO G1

Tesoureiro da campanha do PT ao Palácio do Planalto em 2014, o ex-deputado estadual Edinho Silva (PT-SP) tomou posse nesta terça-feira (31) como ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Ele assume o lugar de Thomas Traumann, que pediu demissão do governo na última quarta (25).

Em três meses de segundo mandato, Dilma já substituiu três ministros. Além de Traumann, saíram Cid Gomes (Educação), substituído pelo professor da USP Renato Janine Ribeiro e Marcelo Néri (Secretaria de Assuntos Estratégicos), substituído por Roberto Mangabeira Unger.

Edinho Silva é da corrente majoritária do PT Construindo um Novo Brasil. Desde a reeleição de Dilma, em outubro do ano passado, setores do partido defendiam a indicação dele para a Secretaria de Comunicação Social, pasta responsável pela aplicação das verbas de publicidade do governo federal nos veículos de comunicação.

No discurso na solenidade de posse do novo ministro, a presidente falou sobre o papel da secretaria de comunicação social e ressaltou que o governo deve saber se comunicar com a população.

“O governo tem o dever de levar informações públicas à população, deve explicar suas decisões e defender seus critérios. O governo precisa levar à frente a comunicação. Informar, levar o contraditório. Deve mostrar sempre os brasileiro suas posições em defesa do emprego, inclusão social. Temos obrigação de explicar ao povo que passamos pro uma conjuntura que exige ajustes para que o brasil possa crescer”, afirmou.

Ela ainda disse que preza pela livre manifestação e garantiu que o governo jamais adotará medidas que possam afetar a liberdade de imprensa.

“Estamos comprometidos com o direito de se manifestar, informar, criticar. Somos contra a censura, a autocensura, as prisões, os lobbies e os interesses não confessados que podem coibir o direito à livre manifestação. Por isso, mais uma vez reitero que nós não temos e não teremos sob nenhuma hipótese, sob nenhuma circunstância qualquer ação no sentido de coibir, impedir livre manifestação das pessoas e a liberdade de imprensa”, afirmou a presidente.

Dilma agradeceu Thomas Traumann pelo ano em que comandou a Secretaria de Comunicação e disse que ambos passaram por “momentos complexos”.

“Quero registrar meu profundo agradecimento ao jornalista Thomas Traumann. Jornalista respeitado em todo o país. Ele tem se dedicado a um trabalho difícil, dedicado e exaustivo.Passamos por momentos complexos, mas também alcançamos muitos sucessos.”

Ao se referir a Edinho Silva, Dilma afirmou que o novo ministro tem capacidade dialogar com diferentes setores da política e da sociedade. “Capacidade de relacionamento cordial e construtivo com todos os setores da sociedade e mídia e reconhecimento do papel da imprensa. Esses atributos são fundamentais e serão fundamentais no desempenho das novas atividades de Edinho Silva na Secom.”

Comunicação do governo
Setores do PT querem reforçar mídias alternativas, como blogs, como estratégia de comunicação do governo. A secretaria também tem como função a interlocução do Executivo federal com a imprensa, além de gerenciar as estratégias de comunicação de todos os ministérios. A pasta administra ainda as redes sociais da Presidência. Atualmente, Dilma e o Planalto possuem perfis no Twitter, no Facebook, no Instagram e no Vine.

Em carta aberta publicada em sua conta no Facebook no início do mês, Edinho Silva afirmou que “há erros no campo político” do PT. Segundo ele, a legenda nunca esteve tão paralisada diante dos ataques da oposição.

Na rede social, o dirigente petista também comentou as denúncias de corrupção que envolveria inclusive colegas de partido. Na ocasião, o novo ministro afirmou que se for comprovado que pessoas usaram o PT para enriquecer, a sigla tem de ser a primeira a defender a punição deles.

Formado em Ciências Sociais, o Edinho foi prefeito de Araraquara (SP) entre 2001 e 2008. Ele também presidiu o PT paulista entre os anos de 2008 e 2013. Em 2010, elegeu-se deputado estadual em São Paulo, cargo que ocupou por um mandato, até 2015.

Durante a campanha de 2010, participou da coordenação das campanhas eleitorais de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo e de Dilma Rousseff à Presidência da República. Na disputa presidencial do ano passado, ele ocupou o cargo de tesoureiro da campanha petista à Presidência.

Documento interno
A saída de Thomas Traumann da Secretaria de Comunicação ocorreu pouco depois do vazamento de um documento interno da pasta, divulgado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, que apontava uma situação de “caos político” no país, “comunicação errática” do governo e defendendo mais investimentos em propaganda em São Paulo.

O texto gerou polêmica e comissões da Câmara e do Senado aprovaram convite para que o ministro esclarecesse aos parlamentares o conteúdo do documento.

DEU NO PORTAL iBAHIA

O destino de Daniel Alves é incerto. Com vínculo se encerrando ao término desta temporada, o futuro do lateral do Barcelona é motivo de constantes especulações. Manchester United, City, Liverpool e PSG seriam os candidatos a contar com o atleta.

Nas últimas semanas, a imprensa europeia chegou a afirmar que o brasileiro havia assinado um pré-contrato com os parisienses. Entretanto, Dani Alves negou tudo recentemente e deu a entender que ainda poderia continuar defendendo as cores do Camp Nou.

Assim que desembarcou no aeroporto de Barcelona, o jogador foi questionado insistentemente por repórteres sobre o assunto e preferiu não falar nada. Aliás, o lateral-direito acabou tomando o microfone e cantou versos do pagode ‘Se eu fosse você’.


O ex-presidente Lula na reunião do PT, em São Paulo. / NELSON ALMEIDA (AFP)

DO EL PAIS ( EDIÇÃO DO BRASIL)

Diante de uma das maiores crises desde a sua criação há 35 anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira um manifesto no qual defende que a agremiação se afaste do “pragmatismo pernicioso” no qual está envolvido há 12 anos e que os militantes e o Governo não deem trégua ao “cretinismo parlamentar”, sem maiores explicações sobre quem seriam os destinatários dessa mensagem no Congresso. O documento foi assinado por 27 representantes estaduais do PT e divulgado logo após uma reunião extraordinária feita especificamente para discutir como reagir à ofensiva de críticos e opositores contra o Governo Dilma Rousseff e contra a sigla. O encontro teve a participação do principal líder petista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não falou com a imprensa.

Os dirigentes do PT concluíram que a atual estratégia de seus opositores, marcada principalmente pelos protestos e pedidos de impeachment, é uma campanha de “cerco e aniquilamento”. “Como já propuseram no passado, é preciso acabar com nossa raça. Para isso vale tudo, inclusive criminalizar o PT”, detalhou o manifesto. O documento chamou os oposicionistas de maus perdedores, que querem reverter o resultado eleitoral sem eleições. Citou ainda que o objetivo dos insatisfeitos com o Governo Rousseff seria transformar o PT no “bode expiatório da corrupção nacional”.

Com oito membros investigados pela operação Lava Jato, entre eles o tesoureiro João Vaccari Neto, os 27 diretórios estaduais defenderam também a exclusão de seus filiados que forem condenados por qualquer crime. Não detalham, porém, o destino de de Vaccari do cargo que ocupa na legenda.

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, apenas dois diretórios estaduais (de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul) sugeriram o afastamento específico de Vaccari da função e de qualquer investigado no escândalo. Porém, como a reunião não era deliberativa, a sugestão nem foi posta em discussão. Se for apresentada no próximo dia 17, no encontro do diretório nacional, os representantes do PT serão obrigados a se manifestar sobre o tema.

Além dos protestos que reuniram milhares de pessoas pelo Brasil, o Governo Rousseff se depara com uma série de derrotas no Congresso Nacional. Algumas delas promovidas pelo PMDB, que até o momento é o seu principal aliado, tendo o vice-presidente e cinco ministérios, além das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Frente Ampla
Na reunião, os líderes partidários decidiram que, diante do atual cenário, chegou o momento de desencadear um amplo processo de agitação e mobilização em defesa da legenda, além de unificar várias agremiações e movimentos sociais em uma frente suprapartidária unida em torno de uma plataforma de mudanças _Rui Falcão defendeu que o Governo discuta com esses movimentos as medidas do ajuste fiscal. Para a legenda, a economia passa por “dificuldades passageiras”. Entre outros pontos, os petistas querem promover bandeiras como a democratização da mídia, as reformas política e fiscal. Pretendem também convencer seus deputados e senadores a votarem a favor da taxação de grandes fortunas.

O ex-ministro da Educação e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro foi um dos principais defensores da frente suprapartidária. Há dez anos, quando ocorreu o mensalão, Genro chegou a defender a refundação do partido. Agora, diz que o PT deveria se unir aos movimentos sindicais e fazer uma frente ampla para disputar as eleições de 2018. “Hoje há uma incoerência estrutural. A coalizão do Governo tem elementos que acabam atuando também na oposição. É hora de rever essa situação. A atual coalizão está vencida. Não tem futuro”, afirmou.
Lula vai a ato “pela democracia”
As primeiras ações em defesa da gestão Dilma Rousseff ocorrerão nesta terça-feira, no sindicato dos Bancários de São Paulo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem participação prevista. Pode ser o primeiro discurso público do líder petista após as multitudinárias passeatas anti-PT e anti-Dilma em março.
“Precisamos enfrentar os flertes de alguns setores com o golpismo”, disse Rui Falcão, presidente do PT. Outras mobilizações estão previstas em várias cidades brasileiras para o 1º de abril, data escolhida em alusão ao golpe militar de 1964. “O que defendemos é democracia sempre mais, ditadura nunca mais”, reafirmou o dirigente petista. A ideia é contrapor os novos protestos que pedem a saída de Rousseff, mas o petista alertou: “Não estamos fazendo guerra de quem põe mais gente na rua”.

Buenos Aires ferve nesta terça-feira de greve geral na Argentina. Mas arrumamos a bagagem com tranquilidade, na esperança de descer por lá, na quarta-feira, em plena tranquilidade. Mas com aqueles ruídos amados e sempre aguardados das calles, avenidas, bares, restaurantes, cinemas , casas de tangos e teatros da cidade que não dorme.

BOM DIA!!!


(Vitor Hugo Soares)

das clle

mar
31

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS

OPINIÃO

DUELO LEVY-ROUSSEFF

Juan Arias

Há um suspense para saber como terminará o duelo em curso entre o Davi bíblico, Joaquim Levy, e o gigante do Planalto, Dilma Rousseff, que o convocou para reanimar a enferma economia brasileira, assim como entre ele e os gigantes do Congresso, dos sindicatos e do PT, que prefeririam em seu lugar um político mais flexível.
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E agora, o que acontece?

Por enquanto a luta é quase de esgrima. Levy, cuja etimologia em hebraico significa “unir”, mantém um embate verbal com a presidenta, sobre quem afirma que tem boas intenções, mas nem sempre faz as coisas de “forma eficaz”. E começa a encarar políticos de peso, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, considerado virtual candidato à presidência das fileiras do PMDB, enquanto é aguardado para ser sabatinado no Senado da República.

O maior confronto pode ser entre ele e Rousseff. São duas figuras com personalidade, conscientes de seu valor. Ambos sabem que a disputa não será fácil. A presidenta é sem dúvida suficientemente inteligente para saber que neste momento é Levy, e apenas ele, quem pode salvá-la do abismo. E para isso deve deixá-lo usar o bisturi livremente. E Levy afirma que deseja fazer isso. Até onde, e quem terá o bolso mais afetado?

Uma figura “difícil de dobrar” em suas convicções, foi como o jornal Folha de S.Paulo definiu Levy, que quando aceitou ser o novo capitão da economia que fazia água sabia muito bem que Rousseff também não era mulher fácil de ser curvada.

Os brasileiros, inclusive os políticos, conhecem melhor as virtudes e defeitos, o caráter forte e determinado, às vezes excessivo, de Dilma que do banqueiro, que conta a seu favor com a fina ironia típica da cultura judaica, herdada de seu pai, Silvio, cirurgião.

Levy também começa a ser acusado de ser pouco político. É porque ele não o é, nem tem por que ser.

É um técnico, e essa foi a razão de ter sido escolhido

Talvez por esse desconhecimento se comece a criticá-lo, por ser pouco prudente em suas críticas às fórmulas empregadas no passado, que deixaram a economia brasileira combalia, e à presidenta. O que acontece é que Levy, devido a sua formação nos Estados Unidos, na ortodoxa escola de Chicago, e por seu trabalho em ambiente internacional, está menos acostumado a certa cautela na linguagem ao se dirigir ao poder, herdada da antiga pompa portuguesa.

Levy também começa a ser acusado de ser pouco político. É porque ele não o é, nem tem por que ser. É um técnico, e essa foi a razão de ter sido escolhido. Seria como acusar um cirurgião de não ser diplomático. O que o médico precisa é saber usar bem o bisturi, como Levy sabe usar bem as tesouras com os gastos. Ele soube pelo seu pai o que significa cortar e costurar numa sala de cirurgia. E um psiquiatra me disse que os melhores cirurgiões são os que conseguem ser frios na hora de operar. E que precisam até de uma pitada de sadismo.

O banqueiro não é verdadeiramente um polemista nem um caçador de intrigas. Daí que seu linguajar seja franco e ao mesmo tempo suave.

Ele, que vem de uma família de religião judaica, deve conhecer as palavras de Mt.10, 16 da Bíblia, quando o profeta Jesus diz a seus discípulos: “Eu os envio como ovelhas em meio aos lobos. Sejam astutos como as serpentes e mansos como as pombas.” Levy parece ter a prudência astuta da serpente e a singeleza das pombas, mesmo que não confie em ninguém, porque também as pombas sabem ser firmes e obstinadas quando são perseguidas, explica um etnólogo.

A pergunta de difícil resposta é como acabará o enfrentamento entre Dilma e Levy. Há apostas para todos os gostos. Fala-se de uma possível ruptura. Quem conhece Levy garante que ele, como já fez em outras ocasiões, vai acabar saindo se vir que não poderá levar a cabo a tarefa que se comprometeu a realizar ao aceitar ser ministro de uma economia que se precipita para a recessão com inflação, juros e dólar em alta.

Levy, cuja etimologia em hebraico significa “unir”, mantém um embate verbal com a presidenta

Mais difícil parece que desta vez seja Dilma que prescinda dele, já que se com Levy a presidenta encontra dificuldades dentro e fora de seu partido, dentro e fora de seu governo, sem ele a nave da economia entraria em águas mais tempestuosas, já que sua operação de resgate também está sendo acompanhada de perto por investidores brasileiros e estrangeiros.

Entretanto, Levy não é um personagem –afirmam os que o conhecem melhor– disposto a fracassar, acostumado que está a ter sucesso. Exige-se, por exemplo, do banqueiro que recomponha a economia sem que se permita apostar num modelo novo, menos ideologizado que o fracassado e mais realista em relação ao momento em que o Brasil se recoloca no tabuleiro mundial. Pede-se, dentro do PT e entre os sindicalistas, que faça o milagre de reequilibrar a economia sem usar suas “tesouras de ouro”, ou se exige que as use mais para aumentar impostos do que para acabar com o desperdício de Brasília.

Ele poderia lembrar nesses momentos de outro ditado bíblico, o de Mc, 2,13, onde se afirma: “Ninguém remenda com um pano novo um vestido velho, pois o rasgão se faria maior”.

A Levy se pede, talvez, algo parecido: que recupere a velha e desgastada economia brasileira com um remendo de criatividade em vez de poder participar da criação de um modelo novo de traje econômico, já que o atual parece rechaçar remendos.

O melhor seria, apostam não poucos analistas econômicos, que o deixassem trabalhar em paz. Ganhariam todos, começando pelos mais pobres, já que são sempre eles os primeiros a perder quando a economia naufraga. Ganharia o gigante Brasil, que depois de haver sentido o gosto de ser o país do presente, se veria, como adverte o analista econômico do Financial Times, Martin Wolf, obrigado a continuar se conformando em ser o eterno país do futuro.

Hoje, o Brasil é um país rico, dos mais ricos do mundo, mas os brasileiros ainda são pobres se compararmos sua renda per capita com a de países menos favorecidos pela natureza.

Segundo um relatório do FMI de 2013, a renda per capita do Brasil está em 77º lugar entre os 80 países mais ricos do mundo.

Naquele ano, a renda per capita do Brasil era de 12.000 dólares (em 2014 foi de apenas 8.352, influenciado pela alta do dólar), abaixo de países irmãos como Chile, com 19.475; México, com 15.930; Espanha, com 30.620; Portugal, com 23.185, para não falar nos Estados Unidos, com 51.248.

O Brasil necessita, com Levy ou sem ele, produzir mais, desperdiçar menos e distribuir melhor sua riqueza.

mar
31
Posted on 31-03-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2015


j. mARCOS, dIÁRIO DO aÇO (mg)

mar
31

DEU NO ESTADÃO

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, publicou um artigo neste domingo, no jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com o também juiz Antônio Cesar Bochenek, em que defendem uma ideia polêmica: réus condenados já em primeira instância debem permanecer presos, perdendo o direito de recorrer em liberdade. Hoje, de acordo com as leis brasileiras, as prisões ocorrem após o trânsito em julgado, ou seja, depois de apreciados todos os recursos.

“A melhor solução é a de atribuir à sentença condenatória, para crimes graves em concreto, como grandes desvios de dinheiro público, uma eficácia imediata, independente do cabimento de recursos”, dizem os dois juízes.

Antônio Cesar Bochenek é presidente da Associação dos Juízes Federais, entidade que apresentará projeto neste sentido ao Congresso Nacional.

“Não se ignora, por evidente, a possibilidade do erro judiciário e de eventual reforma do julgado, motivo pelo qual se propõe igualmente que as Cortes recursais possam, como exceção, suspender a eficácia da condenação criminal quando presente, por exemplo, plausibilidade do recurso. Mas a exceção não invalida a proposição”, acrescentam os magistrados.

Para o advogado Nélio Machado, que defende o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, Moro tenta manter presos os alvos da Lava Jato antes mesmo do julgamento. As longas prisões preventivas da Lava Jato também já foram criticadas por Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Veja o artigo:

“A denominada Operação Lava Jato revelou provas, ainda pendentes de exame definitivo pelo Judiciário, da aparente existência de um esquema criminoso de corrupção e lavagem de dinheiro de dimensões gigantescas. Se confirmados os fatos, tratar-se-á do maior escândalo criminal já descoberto no Brasil. As consequências são assustadoras.

A Petrobras sofreu danos econômicos severos, ilustrados pelo pagamento de propinas milionárias a antigos dirigentes e pelo superfaturamento bilionário de obras. Além dos danos imediatos, a empresa sofreu grave impacto em sua credibilidade. A própria economia brasileira, carente de investimentos, sofre consequências, com várias empresas fornecedoras da Petrobras envolvidas no esquema criminoso.

Mais preocupante ainda a possibilidade de que o esquema criminoso tenha servido ao financiamento de agentes e partidos políticos, colocando sob suspeição o funcionamento do regime democrático. Embora se acredite que, com o apoio das instituições democráticas e da população em geral, tais problemas restem ao final superados, inclusive com o fortalecimento da democracia e da economia brasileiras, a grande questão a ser colocada é como se chegou a esse ponto de deterioração, no qual a descoberta e a repressão de crimes de corrupção geraram tantos efeitos colaterais negativos?

Uma das respostas é que o sistema de Justiça Criminal, aqui incluído Polícia, Ministério Público e Judiciário, não tem sido suficientemente eficiente contra crimes desta natureza. Como resultado, os problemas tendem a crescer, tornando a sua resolução, pelo acúmulo, cada vez mais custosa.

A ineficiência é ilustrada pela perpetuação na vida pública de agentes que se sucedem nos mais diversos escândalos criminais. Não deveria ser tão difícil condená-los ao ostracismo. Parte da solução passa pelo incremento da eficiência da Justiça criminal. Sem dúvida com o respeito aos direitos fundamentais dos investigados e acusados, mas é necessário um choque para que os bons exemplos de eficiência não fiquem dependentes de voluntariedade e circunstâncias.

Sem embargo de propostas de alterações do Direito Penal, o problema principal é óbvio e reside no processo. Não adianta ter boas leis penais se a sua aplicação é deficiente, morosa e errática. No Brasil, contam-se como exceções processos contra crimes de corrupção e lavagem que alcançaram bons resultados. Em regra, os processos duram décadas para ao final ser reconhecida alguma nulidade arcana ou a prescrição pelo excesso de tempo transcorrido. Nesse contexto, qualquer proposta de mudança deve incluir medida para reparar a demora excessiva do processo penal.

A melhor solução é a de atribuir à sentença condenatória, para crimes graves em concreto, como grandes desvios de dinheiro público, uma eficácia imediata, independente do cabimento de recursos. A proposição não viola a presunção de inocência. Esta, um escudo contra punições prematuras, impede a imposição da prisão, salvo excepcionalmente, antes do julgamento. Mas não é esse o caso da proposta que ora se defende, de que, para crimes graves em concreto, seja imposta a prisão como regra a partir do primeiro julgamento, ainda que cabíveis recursos. Nos Estados Unidos e na República francesa, dois dos berços históricos da presunção de inocência, a regra, após o primeiro julgamento, é a prisão, sendo a liberdade na fase de recurso excepcional.

Não se ignora, por evidente, a possibilidade do erro judiciário e de eventual reforma do julgado, motivo pelo qual se propõe igualmente que as Cortes recursais possam, como exceção, suspender a eficácia da condenação criminal quando presente, por exemplo, plausibilidade do recurso. Mas a exceção não invalida a proposição. O problema da legislação atual é o de supor como geral o erro judiciário e, como consequência, retirar toda eficácia da sentença judicial, transformando-a em mera opinião, sem força nem vigor. No Brasil, chegou-se ao extremo de também retirar-se a eficácia imediata do acórdão condenatório dos Tribunais, exigindo-se um trânsito em julgado que, pela generosidade de recursos, constitui muitas vezes uma miragem distante. Na prática, isso estimula recursos, quando não se tem razão, eterniza o processo e gera impunidade.

A AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil apresentará, em breve, proposição nesse sentido ao Congresso Nacional. O projeto de lei foi previamente aprovado pela ENCCLA – Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de dinheiro no ano de 2014, em grupo de trabalho que contou com membros dos três Poderes.

Pelo projeto, o recurso contra a condenação por crimes graves em concreto não impedirá, como regra, a prisão. Permite ainda o projeto que o juiz leve em consideração, para a imposição ou não da prisão, fatos relevantes para a sociedade e para a vítima como ter sido ou não recuperado integralmente o produto do crime ou terem sido ou não reparados os danos dele decorrente. Exige-se ainda alguma cautelaridade para a prisão, mas não como antes do julgamento.

Não se trata aqui de competir com as proposições apresentadas pelo Governo Federal ou pelo Ministério Público, mas contribuir, usando a experiência da magistratura, com a apresentação de projeto que pode mudar significativamente, para melhor, a Justiça.

O Brasil vive momento peculiar. A crise decorrente do escândalo criminal assusta. Traz insegurança e ansiedade. Mas ela também oferece a oportunidade de mudança e de superação. Se a crise nos ensina algo, é que ou mudamos de verdade nosso sistema de Justiça Criminal, para romper com sua crônica ineficiência, ou afundaremos cada vez mais em esquemas criminosos que prejudicam a economia, corrompem a democracia e nos envergonham como País”.

* Sergio Fernando Moro, juiz federal responsável pela Operação Lava Jato, e Antônio Cesar Bochenek, juiz federal, Presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe)

Os sindicalistas querem que o governo corrija o limite de isenção do imposto sobre salários, que atualmente está em 15 mil pesos (R$ 5,5 mil, pelo câmbio oficial). Mas o ministro dAxel Kicillof, disse que o teto foi reajustado há dois anos e que está “muito bem do jeito que está”.

Esta é a quarta greve-geral convocada durante o governo da presidente Cristina Kirchner, que está no fim do segundo mandato. Em agosto, ocorrerão as prévias das eleições presidenciais de outubro e, pela lei, Cristina não pode se candidatar a um terceiro mandato consecutivo.

A partir de meia-noite desta segunda-feira (30), e durante 24 horas, bancos, ônibus, trens e caminhões deixarão de funcionar, mas outros serviços, como o transporte aéreo, já estão sendo afetados.

A TAM Linhas Aéreas já avisou, por meio de comunicado, que os voos com destino e vindos de Córdoba, Rosário e Buenos Aires – todos na Argentina – serão cancelados devido à paralisação.

Segundo a companhia aérea, os clientes cujos voos listados foram impactados poderão remarcar a data da viagem para os próximos 15 dias sem qualquer custo.

Há também a possibilidade de o passageiro realizar a mudança do destino, sem multas, sujeito às diferenças tarifárias correspondentes.

O ministro do Trabalho, Carlos Tomada, criticou os sindicalistas responsáveis pela greve, alegando que representam apenas uma parte do setor de transportes e que estão fazendo reivindicações em nome da minoria (10%) dos trabalhadores que paga Imposto de Renda.

O líder da CTA, Pablo de Micheli, rebateu as críticas do ministro dizendo que os argentinos têm pelo menos “20 razões” para protestar (entre eles o alto índice de inflação) e ameaçou estender a greve para 36 horas, se não conseguir chegar a um acordo com o governo.

Em 2014, a Argentina registrou um índice inflação de 24%, segundo dados oficiais, e de 39%, de acordo com medições de institutos privados.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES

Simbiose

“Rui lança projeto que eleva qualidade de vida de 70 mil baianos”, diz a imprensa, atestando a nossa modernidade na comunicação: a propaganda já vem junto com a notícia.

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