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Neto Kannário x Rui Caldas

Janio Ferreira Soares

A julgar pela primeira batalha momesca travada entre as duas principais lideranças políticas do estado, no próximo Carnaval (ou já no São João, com os dois vestidos de caipira subindo num pau de sebo e gritando anarriê numa quadrilha no Pelourinho) teremos, como na velha marchinha, um turbilhão de emoções.

Se eu fosse um desses locutores que anunciam as características dos competidores antes do combate, diria: “Deste lado da avenida, com os cabelos milimetricamente podados e assentados por um supergel para não levantar um fio sequer, vestindo uma Polo Ralph Lauren, calça de sarja Lacoste, relógio Rolex Submariner e calçando um confortabilíssimo dockside Ferragamo, ele, que carrega nas primeiras letras do nome as iniciais do velho Verdugo, o maior peso-pesado do Telecath que a Bahia já viu atuando num plenário ou pisando no pé de assustados repórteres em eleições passadas; ele, que no Carnaval de 2015 foi elevado à categoria de new little brother de Igor Kannário e quebrou até o chão em cima do Trio sem jamais perder o aspecto de quem acabou de sair do banho todo cheirosinho e com o belinho bem repartidinho por uma dinda linda; Com vocês… AAAAAAACM Neto!!!!!!!”.

“Do outro lado da avenida, ele, vestido como se fora um gerente da Insinuante que caiu no meio da festa meio sem querer assim que fechou a porta de esteira da loja da Avenida Sete; ele, que apesar do estilo formal já foi flagrado dançando Kuduro num palanque em Santo Amaro e mais recentemente foi visto cantando e rebolando Haja Amor (aquela do: “Eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor… e fazer zum-zum na cama e gemer sem sentir dor”) com Luiz Caldas; ele, que é o herdeiro político de outra cabeça branca, essa muito mais para um chá de erva cidreira (on the rocks, please!) do que para caneladas e dedos nos olhos; com vocês… RRRRRRRui Costa!!!!!!!”.

Brincadeiras à parte, nunca antes na história da Bahia houve um Carnaval tão politizado. Se nos anos anteriores João Henrique vestia um abadá ungido pelo óleo de peroba que escorria do seu rosto e Wagner – com seu jeitão de Comodoro do Yatch Clube de Glasgow – preferia ficar na dele, agora rolou uma espécie de demarcação de guetos políticos/artísticos visando unicamente à próxima eleição para prefeito. E quem levou vantagem? Neto, o peso-pena “da mamãe” ou Rui, o peso-médio “sindicalista”? Bom, aí depende da visão da galera que frequenta o circuito Barra/Ondina.

Daqui da cidade de onde fluiu a energia que clareou todo o furdunço, acho que Neto saiu um pouco na frente por já ser candidato. Quanto a Rui, estreando nas artes do fricotear com um olho na festa e outro no voto, no próximo ano terá que pegar seu pierrô (ou colombina) pelo braço e botar pocando, dessa vez, certamente orientado pelo seu marqueteiro, metido numa beca mais solta e numa desenvoltura, sei lá, tipo vendedor da Chilli Beans em dias de liquidação. Haja flashes.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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