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DEU NO ESTADÃO

Ricardo Della Coletta – Agência Estado

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, 25, que o rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás é “uma falta de conhecimento” do que está acontecendo na empresa. Ela ponderou, no entanto, que a estatal tem grande capacidade de se recuperar. “Não tenho dúvidas de que a Petrobrás tem grande capacidade de se recuperar disso sem grandes consequências”, declarou Dilma.

A presidente disse ainda que o governo sempre tenta evitar este tipo de rebaixamento, mas lamentou que não tenha ocorrido “correspondência” por parte agência. Questionada, a petista disse não acreditar que o rebaixamento sofrido pela Petrobras afete a nota de risco do País.

Dilma estava em Feira de Santana, na Bahia, onde entregou 900 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. Aconselhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente usou o município como primeiro destino de uma série de viagens para recuperar sua popularidade, que despencou em meio ao aumento de preços, especialmente dos combustíveis e da energia, e às denúncias de corrupção na Petrobras.

A escolha da cidade não foi acaso. Nas últimas eleições presidenciais, a petista obteve 66,7% dos votos válidos de Feira de Santana. Acompanhada do ex-governador da Bahia e ministro da Defesa, Jaques Wagner, ela foi ovacionada pelo público. Dilma defendeu o ajuste das contas do governo “como uma mãe faz na casa dela”.

Petrobrás. Conforme apurou o Estado, os executivos da Petrobrás foram informados pelos representantes da agência de classificação de risco Moody’s na terça-feira pela manhã que, após dois meses de conversas, a nota da empresa seria rebaixada no fim da tarde, depois do fechamento do mercado.

A informação foi repassada ao Palácio do Planalto e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, entrou no circuito e fez uma tentativa de última hora para tentar reverter a decisão. Levy ligou para a Moody’s e ofereceu uma “carta de conforto” do governo federal – em outras palavras, uma garantia por escrito de que a União socorreria a estatal caso fosse necessário.

Temor. O rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás pela agência Moody’s caiu como um balde de água fria na equipe econômica do governo Dilma Rousseff. O grupo, formado por Levy e o ministro do Planejamento, Nelson Babosa, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem se esforçando, desde o fim do ano passado, para melhorar o quadro das contas públicas brasileiras, aumentando a transparência e a comunicação com o mercado. Mas, ontem à noite, o que havia era uma sensação de que o rebaixamento da estatal poderia ‘contaminar’ a nota de crédito dos títulos brasileiros.

Após o anúncio, ficou definido que o melhor seria discutir alternativas para evitar esse eventual contágio. Hoje, os ministros da equipe econômica devem se reunir com a presidente Dilma para fazer uma avaliação da perda do grau de investimento da Petrobrás e definir uma estratégia de trabalho.
A decisão da Moody´s de retirar a Petrobrás da lista de empresas com grau de investimento aumenta a pressão sobre a classificação do Brasil – na visão do Bank of America (BofA) Merrill Lynch. O rating soberano do País na agência está em Baa2, com perspectiva de possível rebaixamento, e poderia ser reduzido em um nível sem que o Brasil perdesse o grau de investimento. Tal revisão, segundo os analistas Anne Milne, David Beker e Juan Andres Duzevic, se mostra “mais provável” neste momento.

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Comentários

jader on 26 Fevereiro, 2015 at 11:01 #

Deu no JBONLINE:
Coisas da Política em 25/02 às 17h31 –
A “nota” da Petrobras e a “nota” da Moody’s
De que vive a Moody´s? Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada
Mauro Santayana

A agência de classificação de “risco” Moody´s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de “grau de investimento” para “grau especulativo”.

Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody´s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a “periferia”, formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e “notas” essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.

O que faz a Petrobras ?

Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.

De que vive a Moody´s?

Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus “criteriosos” conselhos seriam mais necessários.

Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime, que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody,s, e outras agências de classificação de “risco” ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram “grau de investimento”, um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.

Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia – no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim – alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody´s o Triple A, o mais alto patamar de avaliação, também poucos dias antes de quebrar.

Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas, agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações “ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas – apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo – as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelavelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.

Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar da “bola da vez”.

Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco.

Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por “analistas” de aluguel – como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil – mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.

Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta – caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos “mercados” – a nota da Moody´s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.

Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody´s, ou investiria um cent em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, é a mais premiada empresa do planeta – receberá no mês que vem mais um “oscar” do Petróleo da OTC – Offshore Technologies Conferences – em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de “investidores” e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas “previsões”.

Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que – do alto da segunda economia do mundo e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias – está se lixando olimpicamente para as agências de “classificação” ocidentais, o rebaixamento da “nota” da Petrobras pela Moody´s, absolutamente aleatória do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.

E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esse conto do vigário – destinado a enfraquecer a maior empresa do país – que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.


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