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Postado em 20-02-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 20-02-2015 00:16

Ricardo Noblat

É mais fácil condenar o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, por ter se encontrado com advogados de empreiteiras envolvidas na corrupção da Petrobras do que absolvê-lo por não ter infringido lei alguma. Ou então reconhecer que ele cumpriu com sua obrigação.

Em nome das pessoas “honestas”, o ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigiu que Dilma demitisse Cardozo. O juiz Sérgio Moro, que comanda as investigações da Operação Lava-Jato, considerou a conduta de Cardozo “intolerável”.

Barbosa e Moro devem partir do princípio de que o encontro de Cardozo com advogados só pode ter servido para prejudicar as investigações. Ou então para abrir atalhos capazes de favorecer os acusados de roubar a Petrobras.

Existe alguma prova disso? Não. Alguma evidência forte disso? Não. Existe o quê? A desconfiança de que o encontro não serviu para boa coisa. Sinto muito, mas somente a desconfiança não basta para crucificar ninguém.

Cardozo é um servidor público. Obrigado a atender quem o procure. Se vira suspeito por se portar apenas como manda a lei, a conclusão óbvia é de que deveria ignorá-la para escapar de qualquer suspeição. Faz sentido? Nenhum.

Para efeito de raciocínio: digamos que o ministro estivesse interessado em facilitar a vida dos empreiteiros presos. Não teria sido mais prudente que ele recebesse os advogados dessa gente em algum lugar discreto a salvo da curiosidade pública?

Mas não. Recebeu os advogados no seu gabinete do Ministério da Justiça. Os nomes deles apareceram na agenda oficial de Cardozo.

Gaba-se Barbosa de não ter recebido advogados de defesa ou de acusação na época em que foi ministro do STF. E os colegas dele? Todos os colegas dele que receberam advogados? Foram desonestos? Ou menos honestos do que Barbosa?

Enquanto não surgir prova de que Cardozo prevaricou ao recepcionar quem bateu à sua porta, seria injusto incinerá-lo.

Quanto a Barbosa: ele não tem procuração para falar em nome das pessoas honestas desse país. E pensar diferente dele não torna ninguém menos honesto.

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