DEU NA FOLHA

OPINIÃO

O crime compensa na Sapucaí

Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA – Não basta reclamar da Beija-Flor, que levantou o troféu com patrocínio do sanguinário ditador da Guiné Equatorial. Uma conversa a sério sobre o financiamento do Carnaval do Rio precisa discutir os repasses de verba pública às escolas de samba e o controle da festa mais popular do país por uma entidade ligada ao crime, com as bênçãos do Estado e da prefeitura.

A escola campeã, comandada há décadas por um contraventor de Nilópolis, está longe de ser exceção. A simpática Portela tem como patrono um miliciano, a Mocidade Independente pertence a um capo dos caça-níqueis, a Imperatriz Leopoldinense está nas mãos de um ex-torturador que virou bicheiro.

Os quatro já estiveram presos e continuam a reinar na Marquês de Sapucaí, onde têm livre acesso aos camarotes e são reverenciados por artistas e políticos. Eles mandam na Liesa, a liga que organiza os desfiles na Marquês de Sapucaí.

Em 2008, uma CPI da Câmara Municipal do Rio concluiu que a entidade deveria disputar licitação se quisesse continuar à frente do Carnaval. O então prefeito Cesar Maia foi contra. Os postulantes à sua cadeira evitaram o assunto. Eduardo Paes venceu a eleição, e pouca coisa mudou no Sambódromo.

A prefeitura continuou a injetar dinheiro nas escolas até 2010, quando o Ministério Público mandou suspender os repasses. A verba direta foi substituída por patrocínios a eventos paralelos. Os conselheiros do Tribunal de Contas do Município, que deveriam coibir a farra, assistiam a tudo em quatro camarotes na avenida, depois devolvidos por ordem judicial.

Paes já ensaiou licitar o desfile, mas desistiu alegando falta de interessados. Em 2012, quando concorria à reeleição, foi cobrado em sabatina do jornal “O Globo” sobre a permanência dos bicheiros. “Chato é, mas vou fazer o quê? Acabar com o Carnaval?”, perguntou o prefeito. Aí está um bom tema para os candidatos à sua sucessão no ano que vem.

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Comentários

Mariana on 19 Fevereiro, 2015 at 15:13 #

Bravo!!! Bravíssimo!!!
Isto mesmo!!! É preciso enfrentar e punir severamente todo tipo de corrupção: pequenas, médias e grandes, sem exceção.
Não se pode compactuar com qualquer tipo de corrupção, desde o cd pirateado, que se compra sob o pífio argumento que as gravadoras “roubam” nos preços daqueles que estão nas lojas do ramo; esta praticada na nossa maior festa popular, a da Petrobras, Mensalões e todas as outras praticadas neste nosso País pelos nossos governantes, apadrinhados destes, servidores, empresas, cidadãos, etc, etc, porque, como dizia meu velho e saudoso pai, ladrão é quem rouba um ou um milhão, tanto faz.


regina on 19 Fevereiro, 2015 at 15:53 #

Aqui está o X do problema! Para acabar com esse tipo de aceitação ilícitas e vergonhosas teríamos que estar dispostos a transformar, se não acabar, com estes desfiles de Escolas de Samba como eles têm sido até agora. Como nas campanhas políticas, a grana jorra farta e ninguém
quer saber de onde vem… é claro que não vem das “comunidades” tanta opulência!!!!
O show, para mim, não vale o preço da corrupção!!!! Já não é Carnaval, não há alegria e descontarão e sim um regulamento cronometrado a seguir, que nada mais faz que aprisionar a espontaneidade dos ritmos à um regime quase que escravocrata….
Ainda me entusiasmo ao ver a Portela (minha favorita) passar mas depois fico pensando a que custo????


regina on 19 Fevereiro, 2015 at 15:58 #

quis dizer: alegria e descontração


regina on 19 Fevereiro, 2015 at 16:15 #

Segue um excelente artigo de analises da estrutura das escolas de samba: http://www.evef.com.br/a%20gestao%20de%20marcas%20do%20samba.php

Marcelo Chiavone Pontes, professor da ESPM, mostra que as empresas brasileiras contam com um modelo de gestão muito próximo para seguir: o das escolas de samba nos desfiles de Carnaval e sua antiestrutura estruturada.


luiz alfredo motta fontana on 19 Fevereiro, 2015 at 18:45 #

A cultura “lulopetista” justifica

Neguinho da Beija-Flor entre o cinismo e a arrogância foi didático.

“Eu sou do tempo que desfile de escola de samba era uma bagunça. Terminava duas, três horas da tarde. Se não fosse dinheiro da contravenção, hoje não teríamos o maior espetáculo audiovisual do planeta. Agradeça à contravenção”, afirmou o intérprete ao reforçar que todas recebem o dinheiro sujo.

Lula e sua turma fizeram escola, no pais da bandalheira tudo é permitido, falta só acender a luz vermelha sobre o planalto, o bordel funciona regularmente.


luiz alfredo motta fontana on 19 Fevereiro, 2015 at 19:38 #

Alvissaras!

Os blocos começam a ressurgir, no Rio e são Paulo, bem como pelo interior, uma esperança nesta folia vilipendiada por “cordas” e “cordeiros abrutalhados’ que fazem o serviço sujo em prol de algumas “celebridades carnavalescas” no mínimo caricatas e comprometidas.

Na Bahia, pelo que li, rapidamente, parece que a reação dos pipocas conseguiu romper alguns deste grilhões medievais.
Caso confirmado, quiçá, a Praça Castro Alves volte ao povo.

Já era tempo!


luiz alfredo motta fontana on 19 Fevereiro, 2015 at 19:45 #

Alvissaras 2

Ivete Sangalo, quem diria, teve de correr seu chapéu esgarçado, numa terça-feira gorda de carnaval, no interior paulista, na cidade de Votuporanga, sob o olhar maravilhado do alcaide local, os munícipes divididos entre o “orgulho provinciano’ e a certeza de recursos mal alocados.

Vida que segue e esperteza que tenta sobreviver.

Quer ainda andar de carro velho?

As “burras” de algumas prefeituras financiam.


Graça Azevedo on 21 Fevereiro, 2015 at 10:51 #

Peço permissão a Mariana Soares para assinar junto com ela o que escreveu acima.


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