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DEU NO G1/ O GLOBO

BUENOS AIRES — De acordo com a polícia metropolitana da capital argentina, cerca de 400 mil pessoas participaram da “Marcha do Silêncio”, realizada nesta quarta-feira para marcar um mês da morte do promotor Alberto Nisman, em Buenos Aires.

Nisman pretendia indiciar a presidente argentina, Cristina Kirchner, acusando-a de acobertar a participação do Irã no atentado à sede da Associação Mutua Israelita Argentina (Amia), em 1994.

Mesmo debaixo de chuva intensa, uma enorme quantidade de manifestantes se concentrou na Praça dos Dois Congressos, saindo depois em passeata em direção à Praça de Maio, tradicional reduto de protestos políticos em Buenos Aires.

O protesto — uma das maiores manifestações já enfrentadas por Cristina em sete anos à frente da presidência — foi convocado por um grupo de promotores e rapidamente recebeu a adesão da oposição, em meio à tormenta política que sacode o governo desde a morte de Nisman. Ao mesmo tempo em que manifestantes marcharam por Buenos Aires, outras cidades argentinas e até mesmo países vizinhos, como o Chile também realizaram eventos, convocados por diversas páginas na internet. Manifestações aconteceram na Austrália, Alemanha, França e Espanha.

— É uma marcha de silêncio. Mas o silêncio vale mais que mil palavras, e expressa os sentimentos de grande parte do país que não compactua com as ideias do governo — afirmou o aposentado Héctor Fiore, de 68 anos.

Apesar do apoio da oposição, bandeiras e cartazes partidários não foram vistos na multidão, que exibiu faixas com dizeres como “Somos todos Nisman”, “CFK [iniciais da presidente] Assassina”, e “Cristina, não se meta com a República”.

Durante o evento, o silêncio prevaleceu, sendo quebrado por ocasionais pedidos de “justiça”.

‘Palco de conflitos’

Cristina Kirchner advertiu nesta quarta-feira que “não se pode permitir que a Argentina seja palco de conflitos”, enquanto alertou sobre “um mundo que está atravessado por interesses profundos geopolíticos e estratégicos”.

— Não nos tragam conflitos que não são nossos. Nossas idiossincrasias, costumes e ideais são os de um país pacífico, um lugar onde as diferentes religiões e etnias convivem, são todos filhos de imigrantes — enfatizou a presidente ao conduzir o ato de comissionamento da Usina Nuclear de Atucha II , localizada em Lima, no distrito de Zarate.

Desta forma, a chefe de Estado referiu-se à carta dirigida ao secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, na qual pediu que os Estados Unidos “não interfiram nos assuntos internos” relacionados aos ataques à AMIA e à Embaixada de Israel. Neste contexto, Cristina Kirchner destacou que “hoje, forças que são óbvias para todos se movem pelo mundo e pretendem instalar conflitos onde eles não existem”.

Em outra parte em seu discurso, a chefe de Estado disse que a Argentina é “líder no campo dos direitos humanos”, e lembrou que há países que “têm prisões secretas e pessoas detidas sem julgamento”, bem como outros que “lançam mísseis contra a população civil”.

— Posso ir a qualquer país do mundo, mesmo aqueles que têm prisões secretas e pessoas detidas sem julgamento, ou aqueles que disparam mísseis contra populações civis indefesas, e posso dizer que na Argentina a lei prevalece — disse Cristina Kirchner.

Além disso, em um discurso na Atucha II, a chefe de Estado disse que há setores que “preferem uma Argentina sem plano nuclear, uma Argentina que não se desenvolva no campo científico, uma Argentina de baixos salários e mão de obra barata”.

— Quando se fala de Estado parece que falamos de um fulano qualquer, mas o Estado não é meu, eu não levo o Estado para a minha casa. Em 2015 temos que garantir que quem conduza o país tenha as mesmas ideias sobre soberania, renda, ciência e tecnologia — afirmou a presidente. — Este é o melhor legado que podemos deixar.

Antes de mencionar as duas cartas, Cristina questionou, sem identificá-las, “aquelas vozes que não são ingênuas”, acrescentando: “Peço-lhes que pensem como pensam, e votem como votam. Vivemos isolados atravessados por interesses estratégicos”.

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Casa Branca monitora clima no país

A Casa Branca está monitorando a situação na Argentina, onde a morte de um promotor que acusou a presidente Cristina Kirchner de encobrir o suposto papel do Irã em um atentado de 1994 tem provocado protestos, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, nesta quarta-feira.

Earnest afirmou que a Casa Branca está “preocupada” com as questões relativas ao Estado de direito e de Justiça que têm sido levantadas em torno do aparente suicídio do promotor no mês passado.

Os opositores alegam que o promotor foi assassinado.
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Comentários

Marcos Cavalcante on 19 Fevereiro, 2015 at 13:12 #

Enquanto isso, na capital do Brasil, aconteceu algo muito parecido, mas a partir de uma “estranha” troca de delegados a “investigação” da misteriosa morte do meu irmão Marcelo Oliveira Cavalcante, ex-assessor da ex-governadora Yeda Crusius, PSDB/RS, sofreu uma brusca mudança em seu rumo. Além de blindarem os prováveis mandantes, a nova delegada do caso e os promotores responsáveis insistiam em ignorar os verdadeiros familiares de Marcelo, além de ignorarem também as evidências de uma emboscada premeditada. Vale lembrar que o primeiro delegado foi tirado do caso após falar em mascaramento e desconfiar da “viúva-alegre”. Infelizmente, o planejado e premeditado assassinato de Marcelo foi vergonhosamente encerrado como suicídio. Será que o meu irmão realmente se jogou da ponte JK, num domingo ensolarado, por volta das 14 horas e ninguém viu nada? Será que as duas câmeras de monitoramento estavam quebradas no fatídico dia? Lógico que não, mas este é o verdadeiro Brasil da era petista.
O pior de tudo é que nesta segunda-feira de carnaval, dia 16, o assassinato acaba de completar 6 anos e nada acontece.
A grande mídia do Rio Grande do Sul e de Brasília se calaram diante de tamanha injustiça e jamais se interessaram em noticiar a verdade dos fatos. Por que será?
Será que os gaúchos e os brasilienses têm conhecimento que após a morte de Magda Koenigkan, há 2 anos e meio, intitulada de “viúva” pela mídia, mas que de viúva não tinha nada, sua irmã foi contratada pela Primeira Vice-Presidência da Câmara dos Deputados, época em que o ex-deputado petista André Vargas ocupava aquele cargo?
Será que os argentinos vão engolir a também provável farsa de suicídio?
Marcos Cavalcante, irmão de Marcelo


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