Olha aí Janio Soares. Vai para você (em Paulo Afonso ou na frevança de Recife?) neste furdunço do Carnaval do Axé 2015. Só para lembrar, OK?.

(Vitor Hugo Soares)

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CRÔNICA

Atrás do cheirinho da loló

Janio Ferreira Soares

Quando o motorista buzinou naquele tom de última chamada, viramos os copos de uma só golada e entramos no ônibus com caras de “desculpe aí’ para alguns passageiros que nos filmavam desde a primeira cerveja no balcão da espelunca e agora nos olhavam de viés só por causa de dois, três minutinhos de atraso, talvez mais, talvez menos, impossível precisar. Detalhes.

Se a viação Luxo Salvador tivesse uma revista de bordo, nossa foto sairia na seção “passageiros em trânsito”, dizendo: Ano: 1980. Mês: janeiro. Quem: este locutor, Nelsinho e Nelson Homero. Idades: entre 18 e 22. De onde/para onde: Paulo Afonso/Salvador. Por quê: comer lambreta, farrear, ver shows e quem sabe até descolar umas meninas baianas com aquele jeitinho que Deus deu e Gil eternizou.

Durante uma semana nos divertimos muito, vimos shows bacanas (Paulinho Boca recebendo novos e velhos baianos; 14 Bis começando seu trajeto Pampulha/Abbey Road; Elba Ramalho ainda de colante e com a voz, segundo Baby Consuelo numa mesa vizinha à nossa, “de taquara rachada”) e não pegamos ninguém. Em compensação, embalados pelo sucesso de Pessoal do Aló (Risério e Moraes), um amigo nos levou numa farmácia nos Barris e de lá saímos com algumas substâncias que abalariam o Carnaval de Paulo Afonso.

Depois de uns dois dias tentando acertar a fórmula (o clorofórmio não misturava com a lavanda – ou algo do tipo), finalmente Nelson Homero, fazendo jus ao título de melhor aluno de química de 1979 (até hoje ele guarda uma pipeta volumétrica que ganhou do professor Paiva), cortou a mangueira do Lorenzetti, aspirou a parte de baixo e, depois do teste final, começou a cantar “no azul de jezebel, no céu de Calcutá”, dando várias bitocas no litro como se fora a boca da baiana que ele não beijou. Estava na hora de voltar.

Ao chegarmos faltava um dia para o Baile do Havaí no Clube Paulo Afonso (CPA) e você pode imaginar o que aconteceu. Resumindo, foi um deleite para os experientes órfãos da Rodouro e um pesadelo para os aprendizes da benzina, cuja avidez provocou alguns desmaios entre Máscara Negra e Cabeleira do Zezé, forçando as seguintes medidas da diretoria do clube: 1) Proibir a execução de Pessoal do Aló durante o Carnaval; 2) Colar um aviso onde dizia ser proibido entrar com alucinógenos de fabricação caseira.

Nas três primeiras noites houve, sim, uma certa tensão no ar, só quebrada na madrugada de terça pra quarta, quando a banda tocou o hino do Bahia. Explico. Sivaldo, um entusiasta do produto, se esqueceu de que estava com vários frascos dentro da bota e a cada pulo de “Bahêa! Bahêa! Bahêa! eles iam caindo pelo salão provocando uma onda de éter no ar, o que levou Altair Leonardo a dar apenas um toque da introdução da canção proibida na sua guitarra baiana, deixa perfeita para que todos – balançando seus lenços – a cantassem à capela, decretando, enfim, a liberação do auê, badauê, ebó. Bom Carnaval.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio Sâo Francisco


Avó chora no enterro do neto que a ajudava em
pizzaria morto com mais 11 pessoas no massacre
do Cabula. Foto: Correio.

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ARTIGO DA SEMANA

Massacre do Cabula e o gol do Governador

Vitor Hugo Soares

Na madrugada de sexta-feira, 06 de fevereiro, 12 pessoas (todas pretas, pobres e jovens entre 15 e 23 anos) foram mortas e quatro gravemente feridas em alegada “troca de tiros” com um “grupo de elite” da PM (chamado Rondesp). Um fato se delineou já nos primeiros desdobramentos do trágico e insólito episódio: o bairro do Cabula, em Salvador, entrou, desgraçada e definitivamente, no mapa geográfico dos cenários de uma daquelas situações que levaram o ex-governador Octávio Mangabeira a cunhar sua mais famosa e citada frase: “Pense em um absurdo, o maior de todos, e ele terá precedente na Bahia”.

No dia seguinte à matança”, com evidências preocupantes de “execuções sumárias”, (segundo nota da Anistia Internacional, declarações do chefe da Promotoria Pública, Vladimir Aras, e a partir de informações posteriores da imprensa, de que só dois dos mortos, acusados de tramarem o arrombamento de caixas eletrônicos de bancos, tinham antecedentes criminais em razão de arruaças), o governador Rui Costa (PT) se encarregou de ampliar e dar maior visibilidade à sucessão de erros.

Na reunião convocada para apresentar o esquema de atuação da polícia, no denominado “Carnaval de Paz” da Bahia, Rui Costa imprimiu tom beligerante ao seu discurso. Na presença de autoridades da segurança pública de seu governo (a começar pelo titular da SSP-BA), mas, principalmente, oficiais comandantes de vários escalões e centenas de membros da tropa da Polícia Militar (incluindo a Rondesp) – além de notórios assessores da área de comunicação e marketing -, o governador mais parecia falar para uma assembleia de antigos companheiros sindicalistas, nos movimentos do Polo Petroquímico de Camaçari. Ou, mais recentemente, nos comícios da campanha eleitoral que o levou ao Palácio de Ondina, no primeiro turno.

Em tom ríspido e gestos duros, dos que falam de paz e procuram a guerra, Rui Costa deixou de lado a pauta original da reunião. Em estilo ufanista de nítida aprovação e apoio, começou um “improviso” sobre a ação policial da Rondesp no Cabula. Utilizando-se de metáforas futebolísticas no melhor (ou pior?) estilo petista.

Comparou os integrantes da truculenta ação policial ao artilheiro em frente ao gol. “Ele tenta decidir, em alguns segundos, como é que ele vai botar a bola dentro do gol, pra fazer o gol”. E foi em frente: “Depois que a jogada termina, se foi um golaço, todos os torcedores irão bater palmas e a cena vai ser repetida várias vezes na televisão. Se o gol for perdido, o artilheiro vai ser condenado”, concluiu Costa. Deixou evidente ter considerado um golaço a ação da Rondesp e foi vigorosa e vivamente ovacionado pela tropa presente, como está registrado nos vídeos gravados e distribuídos nas redes sociais, um deles do Youtube.

Mas não acaba aí. O recém empossado governador da Bahia guardou a última bala de seu desregulado revólver verbal para atingir São Paulo. Perguntado por um repórter depois do discrso se não temia a fuga de turistas do carnaval de Salvador com as notícias sobre o massacre do Cabula, respondeu: ”Nada disso, não temo”. Explicou que a maioria dos turistas do carnaval baiano vem de São Paulo. E os paulistas, segundo Rui Costa, “sabem como ninguém o que é isso” (a violência policial), atirou o petista, mirando tucanos.

Não sabem. Em dura nota de resposta, a Secretaria de Segurança do Governo de São Paulo lamentou “a extrema ignorância e grosseria das declarações do governador Rui Costa”. Paremos por aqui, enquanto segue a espera pelo resultado da “apuração independente e célere”, solicitada pela Anistia Internacional, sobre o que ainda está submerso no caso das mortes no Cabula. E o barulho do carnaval toma conta de Salvador.

Só algumas informações mais sobre o cenário dos recentes absurdos da Bahia, essenciais na contextualização jornalística do episódio que parece saltar das páginas dos romances do realismo fantástico latino-americano, a exemplo de “Cem Anos de Solidão”, de Garcia Marquez. Durante séculos, desde os seus primeiros registros históricos, o Cabula – atualmente considerado um dos maiores ou o maior bairro empresarial de Salvador e do Nordeste, – sempre gozou de justa fama local, nacional e internacional pela inigualável doçura das laranjas produzidas nas suas antigas chácaras. A famosa laranja-da-bahia (ou laranja do Cabula), comparável às melhores da Califórnia.

Espécie praticamente extinta desde que começou a desenfreada corrida de ocupação imobiliária e empresarial da bucólica e aprazível área de repouso de boa parte da antiga classe média local. Reduto, também, por séculos, de moradia, cultos e resistência de grupos negros : malês, bantos, nagôs e angolanos trazidos como escravos da África para a Bahia.

A onda desabalada de novos tipos de investimentos praticamente mudou a “vocação” do lugar. Principalmente nas três últimas décadas. Primeiro, no tempo da ditadura, com a construção de inúmeros e imensos conjuntos residenciais da “política de habitação popular” do regime. Mais recentemente, quando se instalaram na área empreendimentos do porte do Shopping Bela Vista Salvador, o Horto Bela Vista, o Alphaville Salvador, as sedes das telefônicas Telemar e da Vivo Nordeste.

Termino aqui, repetindo ditado dos franceses:”Amaldiçoado quem pensar mal dessas coisas”.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

http://youtu.be/1HhEy0dbmAo

Das Neves e Chico, na comissão de frente do melhor do samba, enquanto seu bloco esquenta.

BOM SÁBADO DE CARNAVAL!!!

(Gilson Nogueira)

fev
14


Fabíola (PSB) assume a presidência da
Comissão de Defesa da Mulher

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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Fabíola sacode o ambiente

Vista mais de perto, sem a distância da Câmara Municipal,a deputada Fabíola Mansur mostra o brilho. Começou inventando a “casa das sete mulheres”.

Foi o título de minissérie global que usou para definir a bancada feminina da Assembleia Legislativa, transformando a redução de 11 para sete num fato, enfim, “positivo”.

Levada à presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, formada pelas sete mais um deputado macho, o marketing não a abandonou: “Somos sete mulheres, mas temos o nosso rei, que tem coroa até no nome” – desnecessário dizer que se trata de Bira Corôa.

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O dia em que Reinaldo falhou

Por outro lado, “se a eleição fosse hoje”, seguramente Fabíola superaria o ex-deputado Álvaro Gomes em discursos da tribuna.

Uma contagem superficial indica que, nas seis sessões realizadas desde a reabertura dos trabalhos, ela falou pelo menos oito vezes.

Outro dia, aliás, acabara de discursar no pequeno expediente, que se estendia além do horário, não havia orador inscrito para o grande expediente, tendo se passado ao horário dos partidos.

Na presidência dos trabalhos, um tanto cansado daquele ritual que repetiu por longos anos, como presidente titular ou eventual, o decano Reinaldo Braga teve de anunciar: “Com a palavra por dez minutos a deputada Fabíola”.

Ao ver que a dita retornava mesmo à tribuna, Reinaldo tentou um golpe de misericórdia, alertando a novata: “Olhe, são dez minutos, mas podem ser dois também, não tem problema”.

Pugnando pelos direitos femininos e pela resolução dos problemas da saúde, Fabíola usou o tempo integral.


Dilma na praia de Inema
( Aratu). Foto Arquivo
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Da Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff embarcou hoje (13) no fim da manhã para a Base Naval de Aratu, na Bahia. Mais cedo, Dilma recebeu o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeir, no Palácio do Planalto.

Por volta de 11h20, ela deixou o palácio de helicóptero rumo à Base Aérea de Brasília, onde embarcou para a Bahia. A previsão é que a presidente chegue a Salvador às 12h, no horário local.

Dilma vai passar o feriado na base naval, acompanhada de parentes, e deve retornar a Brasília na quarta-feira (18). A Base Naval de Aratu tem sido o destino escolhido pela presidenta para descanso em feriados e recessos. No inicio de janeiro, Dilma passou alguns dias na região, logo após tomar posse para o segundo mandato.

fev
14
Posted on 14-02-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-02-2015


Café, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO EL PAIS

Gerardo Pollicita, o promotor encarregado da denúncia feita por Alberto Nisman contra a presidenta da Argentina por acobertamento de terroristas decidiu continuar o caminho aberto pelo promotor falecido. Ou, ao menos, parte do caminho. Pollicita não pediu –até o momento– que Cristina Kirchner seja interrogada, como solicitou Nisman em sua denúncia. Mas indiciou a presidenta, o ministro de Relações Exteriores Héctor Timerman, o deputado Andrés Larroque e o dirigente Luis D’Elía, entre outros, pela “decisão deliberada de acobertar” os iranianos acusados pelo atentado terrorista que em 1994 acabou com a vida de 85 pessoas em Buenos Aires.

A notícia, adiantada na edição de sexta-feira pelo diário Clarín, implica que Pollicita solicitará que se pratiquem várias medidas de prova para que se investiguem as acusações que Nisman formulou contra a presidenta e outros membros do Governo. Finalmente, será o juiz Daniel Rafecas, que está de férias, o responsável por decidir se dá prosseguimento às medidas solicitadas por Pollicita.

Do lado do Governo, o secretário da Presidência Aníbal Fernández tentou diminuir a importância da medida. “Não tem nenhum valor jurídico ser indiciado. Aqui, parece que dizer indiciado é equivalente a afirmar que já está semicondenado. Não tem nada a ver, não tem nenhuma importância”, afirmou. Fernández reconheceu que o indiciamento tem um grande impacto na opinião pública. “O strepitus fori [escândalo] que se gera tem muita importância e é isso o que questiono do promotor, porque é uma clara manobra de desestabilização antidemocrática”. O chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, falou de “golpismo judicial ativo” e assinalou que o promotor só tenta provocar “impacto político” e “estrépito social”.

Na Casa Rosada e nos círculos afinados com o Governo estão usando nestes dias as palavras “golpismo” e “golpe suave”. Fazem referência à suposta tentativa de um setor da Justiça, em conivência com a oposição e com os “meios hegemônicos”, ou seja, Clarín e La Nación, de “desestabilizar” um Governo ao qual restam apenas dez meses de mandato. Os seis promotores que convocaram uma marcha silenciosa em homenagem a Nisman para na próxima quarta-feira, 18 de fevereiro, quando se completa um mês de sua morte, foram chamados de golpistas pela televisão pública.

Raúl Plée, um dos promotores que convocaram a marcha da próxima quarta-feira, saiu em defesa do colega Gerardo Pollicita frente às críticas do Governo. “Não me parece que seja bom ou razoável que, pela atividade de um juiz ou um promotor, se diga que existe golpismo. Repete-se um pouco a história sobre a qual Alberto Nisman lançou um alerta”, afirmou à Radio Mitre, pertencente ao grupo Clarín.

Os altos funcionários que começaram a criticar Pollicita baseiam seus argumentos no fato de que a denúncia de Nisman não contém, na opinião deles, nenhuma prova que garanta a acusação de acobertamento de terroristas. Nesse sentido, o Governo apresentou na quinta-feira um texto de 68 páginas de “caráter institucional” ao tribunal do juiz Daniel Rafecas, encarregado de instruir a denúncia, para defender a “falta de culpabilidade” de Cristina Kirchner. O documento, feito pelos advogados da Procuradoria do Tesouro Nacional, afirma que Nisman não apresentou prova alguma, nem sequer como indício, para demonstrar que Kirchner ou qualquer outro membro do Governo tentou suspender as ordens de busca e captura de vários cidadãos iranianos. O texto aponta que a denúncia, “não oferece nenhuma prova objetiva, nem sequer indicial, da existência do hipotético acordo secreto” entre o Governo argentino e o iraniano.

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