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Postado em 08-02-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-02-2015 00:24

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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Rui mostra a cara da política de segurança

Não há dúvida de que 90% da população brasileira são a favor da pena de morte e em geral aprovam quando a polícia mata aos borbotões nos morros e nas baixadas deste país.

Mas ainda bem que sobra pequena percentagem capaz de refletir um pouco sobre tão sangrenta questão, que frequenta nosso dia a dia com a naturalidade do sol e da chuva.

A motivação dessas palavras, claro, foi a morte, ontem, pela Polícia Militar, em Salvador, de 12 pessoas às quais se atribuiu a iminência da prática de crimes e que teriam reagido ao cerco militar.

A revelação mais evidente desse episódio é que o governo Rui Costa mostrou a cara de sua política de segurança, confirmada pelo próprio governador na metáfora futebolística de que a PM fez um “gol” legal.

A verdade é que estamos diante um quadro, no mínimo, obscuro. Fala-se em “troca de tiros”, mas enquanto um sargento foi ferido “de raspão” e logo liberado, do outro lado, 16 pessoas foram baleadas gravemente.
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Estado da barbárie pune os próprios frutos

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Estado da barbárie pune os próprios frutos

No presente caso, como não se conhecem as identidades ou as folhas corridas dos cadáveres depositados no Nina Rodrigues – de acusados, julgados e executados num sumário processo subjetivo –, nada contradiz que entre eles não haja aqueles absolutamente inocentes.

Um governador não pode coonestar de bate-pronto uma situação de tão alta gravidade. Ele não viu o suposto confronto, ele não sabe o que aconteceu. Pode, no máximo, ter recebido relatórios iniciais de como os fatos teriam transcorrido.

Se não foi analisada tecnicamente a cena, se não há laudos necrológicos nem depoimentos sobre o episódio, o governador corre perigosamente o risco de alinhar-se às correntes da sociedade que acham que “tem que matar mesmo”, sem saber exatamente a quem nem por quê.

O Estado, que ele momentaneamente representa por delegação popular, é o sucessor da barbárie, à qual se opôs. Todo quadro social é produto da ação ou da omissão do Estado, então, o Estado não pode admitir a punição aleatória de terceiros por suas próprias falhas.
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Saudade dos defensores dos direitos humanos

Não se trata de uma contestação da reação enérgica da polícia, legítima, a marginais que a enfrentem, mas do princípio civilizatório elementar de que, com a justiça confiada ao arbítrio, impera a lei da selva.

Estratos da sociedade que tenham condições de morar em bairros com arruamento, muros altos, proteção eletrônica e vigilância contínua não estão expostos a tiroteios como as populações amontoadas nas favelas e periferias.

Nos momentos de incursão policial, geralmente noturna, todos, bandidos e cidadãos, são submetidos ao mesmo terror, não sendo poucos os casos de “balas perdidas” matarem crianças. É a constatação de que o filho do engenheiro vale mais do que o do pedreiro.

No caso da Bahia – porque essa é uma realidade nacional –, houve um tempo em que atuavam incansavelmente os “defensores dos direitos humanos”. Arrefeceram sua ação ao chegar ao poder e hoje assistem omissos a um massacre que já dá saudade da Era Wagner.
(LAG)

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Comentários

Ian on 9 Fevereiro, 2015 at 11:03 #

O Jornalista e os direitos humanos não se pronunciam quando as pessoas são sumariamente mortas pelos bandidos que comandam os bairros pobres desta cidade. Acho engraçado declarar a ação policial como massacre. Que venham outros massacres deste tipo, onde os bandidos morram aos montes, pois caso o jornalista não saibam o trafico tem matado muito mais que 12 pessoas em uma só operação de cobrança de dividas, eles matam todos os dias, e ninguem fala nada, talvez por que tenha relações com este universo. Para defender bandido… tem que ser bandido também.


luís augusto on 9 Fevereiro, 2015 at 16:49 #

Como é impossível debater neste nível, apenas desejo que o cidadão não seja um dia vítima de injustiça ou ação arbitrária de qualquer fonte.


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