Aclamação no alto, Gamboa lá embaixo:
perigo nos tapumes do carnaval

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CRÔNICA

Perigo

Gilson Nogueira

O milho estoura na panela e surge a pipoca. A pipoca pinta no momento em que começo a digitar no teclado do computador um susto e uma idéia.
É o seguinte: Passei, ontem, pela manhã, sobre o pequeno viaduto ao lado do Palácio da Aclamação, próximo ao Campo Grande, indo, a pé, ao Relógio de São Pedro, para comer um acarajé, e vi, com os olhos que Deus me deu, dois cidadãos colocando chapas de madeira compensada, na cor verde claro, na lateral da grade do viaduto. Explico, o lado da grade que dá para o passeio, tapando, com isso, a visão de quem, como eu, buscava fitar a ilha de Itaparica escorando as águas calmas da Baía de Todos os Santos.

No ato, independentemente da agressão ao direito de contemplar a paisagem da Cidade da Bahia, feita de espantos diante de tanta violência e deslumbramentos diversos, indo do simples fascínio com as cores do seu mar ao de gente que caminha sobre a areia fina do Abaeté em diálogos com a Lua, percebi que, ali, no serviço executado pelos dois homens, morava o perigo. Ou seja, se alguém forçar aquelas peças de compensado acima do normal, no nível da grade há, sem dúvida, a possibilidade das peças não resistirem e a(s) pessoa(s) mergulhar(em) na pista que leva á Gamboa de Cima e á Avenida do Contorno.

Imaginei: Nos dias de folia, uma confusão, no local, envolvendo integrantes de alguma agremiação carnavalesca, ou mais de uma, poderia levar o público, no afã de livrar-se da porrada, a forçar os tapumes. E quem poderia garantir que pessoas desavisadas fossem, livrando-se do arerê formado, evitar escorar-se nas “paredes” de compensado?

Não sei como ficou o trabalho dos operários sobre o minúsculo viaduto. Tomara que tenha a Prefeitura garantido a segurança dos pedestres!

Imagino, mastigando a última pipoca, que, se não providenciaram avisos alertando para o perigo, ali, seria melhor, desde já, pedir a Deus para retirar o pequeno abismo do lugar. “Mas, como, meu rei, você acha que o Home lá de cima iria mandar um terremoto em pleno Carnaval?”

Gilson Nogueira é jornalista

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