Dilma na inauguração da Casa da Mulher, em Campo Grande.
/ R. S. F. (PR)

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DEU NO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, encurralada em distintas frentes, políticas e econômicas, decidiu atacar uma: a da maior empresa pública da América Latina, a petroleira Petrobras, carcomida por sucessivos escândalos de corrupção. Rousseff decidiu hoje, segundo a agência Reuters, aceitar a renúncia de Graça Foster, a presidenta da mega empresa, com mais de 85.000 empregados. Graça Foster há meses já havia posto seu cargo à disposição, mas a chefe de Estado acabava sempre – até esta terça _ por respaldá-la. No entanto, ainda não há dia certo para a saída efetiva nem da executiva nem da diretoria, o que poderia demorar inclusive semanas.

Os escândalos que sacodem a maior empresa pública do país e da América Latina, a Petrobras, não deixam de sair à luz. Nesta terça-feira, Julio Camargo, um dos acusados de subornar altos cargos da Petrobras que, presos, decidiram denunciar o sistema de corrupção, afirmou que pagou 12 milhões de reais para obter concessões de obras. O contínuo gotejar de informações desse tipo, somado à crescente queda no valor da empresa, levaram Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo, a pensar em destituir o quanto antes a atual presidenta da petroleira, Graça Foster, que está no cargo há três anos e que foi uma aposta pessoal da atual presidenta. Na manhã desta terça, a informação da Folha de S. Paulo, que ainda não foi confirmada oficialmente pelo Governo, mas bastou que fosse publicada em sua edição digital para que as ações da petroleira disparassem até 10%. No fim do ano passado, em um café da manhã com jornalistas em Brasília, Dilma defendeu Foster, de quem se considera amiga, e afirmou que não pretendia substituí-la. “Eu a conheço. Sei de sua seriedade e sua correção”, afirmou.

Mas dois meses, no atual turbilhão de más notícias que acossam o Governo de Dilma, é muito tempo. A sangria da Petrobras é enorme: em 2010 valia 380,2 bilhões de reais. Quatro anos depois, como consequência, principalmente, de investimentos mal calculados e das revelações da corrupção que a carcome, seu valor é 2,3 vezes menor: 112 bilhões de reais. A empresa ainda ganha dinheiro, embora os lucros do terceiro trimestre de 2014 tenham caído 9,07% em relação ao mesmo período de 2013, segundo o balanço publicado na quarta-feira, que não inclui o montante roubado.

Esse não é o único dado econômico adverso. O ano fechou com a economia em plena fase de paralisia, com o PIB pairando muito pouco acima de zero. O FMI calcula que o Brasil, um dos países emergentes que há poucos anos assombrava o mundo com taxas de crescimento superiores a 6%, só superará um anêmico 0,3%. A exportação de matérias-primas atolou e a indústria encolheu: de fato, a produção industrial recuou 3,2% no ano passado, o pior registro desde 2009.

E tudo ficará pior se não chover. E muito. A maior seca dos últimos 80 anos ameaça racionar a água cinco dias por semana aos habitantes da maior cidade do país, São Paulo, se as represas não encherem antes do mês de abril. Muitos habitantes de bairros periféricos já estão vendo com as torneiras secam durante muitas horas por dia, há bares e restaurantes que já estão contratando regularmente caminhões cisterna e a demanda de caixas d’água gigantes de plástico disparou com a ameaça, cada vez mais certa, de que toda a megacidade seque. As consequências não serão apenas sociais, mas também econômicas. A seca encarece os preços dos mantimentos, prejudica a já debilitada indústria e, indiretamente, afetará o fornecimento (e o preço) da energia elétrica. Tudo isto repercutirá automaticamente no calcanhar de Aquiles da economia brasileira, a inflação, que já está no limite tolerado pelo Governo, 6,5%. Os especialistas arriscam afirmar, além disso, que se não começar a chover, só na indústria a seca significará um retrocesso de 0,6% do PIB.

Como se fosse pouco, domingo Dilma sofreu uma derrota política na Câmara dos Deputados, onde Eduardo Cunha foi eleito presidente da casa, um velho adversário que pressagia, para a presidenta, uma difícil relação com o legislativo.

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