Meireles: o preferido de Lula

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DEU NO DIÁRIO ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Carla Jiménez

O salário de três dígitos, com extras como participação nos lucros e outros bônus, pode ser atraente a primeira vista. Mas, o eleito ou eleita para substituir Graça Foster na presidência da Petrobras certamente não aceitará o desafio por uma mera ambição financeira. Pode-se contar nos dedos os executivos que vão se deixar seduzir pelo desafio de administrar a Petrobras num dos piores momentos da sua história. O novo presidente precisa ter um perfil sui geneirs, que se sinta atraído pela missão de desencalhar um transatlântico que se chocou com um iceberg chamado Lava Jato e testa a resistência de sua estrutura para encontrar o caminho de volta. Mais: alguém que pode enfrentar novos vazamentos no convés, que ainda não foram detectados.

A nova liderança precisará dar uma sólida interface para a companhia quando novas revelações sobre o esquema de corrupção vierem à tona, e ao mesmo tempo manter a companhia funcionando para cumprir suas metas de produção e resultado.
mais informações

Na bolsa de apostas, já há nomes de alto calibre, como o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central dos dois mandatos do Governo Lula, que já presidiu o BankBoston e tem experiência internacional no setor financeiro. Quando assumiu o BC no início dos governos petistas, Meirelles mostrou uma capacidade surpreendente de resistir a pressões internacionais e trabalhar para reduzir a volatilidade do real, que vivia uma montanha russa quando Lula assumiu a presidência em 2003. Num dia, a dólar parecia chegar às alturas, e no outro, estava lá Meirelles com seus leilões precisos para reduzir a temperatura do caldeirão que fervia. Em pouco tempo, seu nome já exalava a tranquilidade que o mercado financeiro almejava. Segundo alguns analistas, Lula estaria trabalhando para que o nome dele seja o indicado para a função.

Se Meirelles aceitará o desafio não se sabe. Mas é fato que a Petrobras busca um líder que reúna essas características, e que ainda traga inteligência para driblar a época das vacas magras do petróleo a 53 dólares, quase metade de outrora. Segundo o jornal O Globo, há outros nomes sendo estudados, como o de Rodolfo Landim, que trabalhou na Petrobras por 26 anos, e chegou a trabalhar com o ex-bilionário Eike Batista. O workaholic Roger Agnelli, que presidiu a mineradora Vale e ajudou a multiplicar os lucros da companhia, ao fechar negócios bilionários com a China. Agnelli chegou a ser eleito um dos melhores CEOs do mundo em 2012. Outro é Antônio Maciel Neto, que se notabilizou por se tornar garoto propaganda da montadora Ford, que vinha de prejuízos consecutivos. A empresa passou a ser lucrativa depois da sua passagem.

Todos os nomes cotados têm em comum um perfil agressivo, resiliente e incansável na tarefa de alcançar os objetivos traçados. E a Petrobras está no centro de uma série de projetos de grande porte para o Governo Dilma, como o patrocínio de novos recursos para a educação, por meio do pré-sal.

Há, ainda, desafios hercúleos, como as negociações para que os projetos hoje tocados pelas empreiteiras investigadas não percam o prumo, bem como a conclusão de obras fundamentais como a refinaria Comperj, no Rio de Janeiro.

O nome do novo presidente deve ser conhecido até o final desta semana, quando o Conselho de Administração se reúne para escolher o novo time da estatal. A mudança já foi premiada no mercado financeiro com a alta das ações da empresa na bolsa. Um pequeno suspiro para uma empresa que precisará de um tanque de oxigênio pelos próximos meses.


Farmatodo: clientes retornam depois da intervenção

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DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Rita Siza

Numa nova frente do seu combate à alegada “guerra econômica” movida pelo setor privado contra o seu Governo, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tomou posse da Farmatodo, a maior cadeia de farmácias do país, cujos dirigentes foram detidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), sob acusações de sabotagem.

Maduro não referiu o nome da Farmatodo quando anunciou a “intervenção do Governo” sobre as farmácias durante um comício no estado de Miranda, no domingo à noite. Segundo justificou, a medida tornou-se necessária por causa de uma suposta sabotagem dos proprietários dessa rede com 164 estabelecimentos, que passaria a partir daí a integrar o “plano estatal de distribuição de produtos” – um eufemismo para a expropriação da Farmatodo pelo Governo, segundo a imprensa internacional.

“Eles têm todos os produtos, mas fazem sabotagem: em dez caixas, põem três para trabalhar e as restantes vão descarregar camnhiões”, censurou Maduro, que atribuiu as filas formadas à porta das farmácias às “táticas guerrilheiras” dos administradores da Farmatodo e não à escassez de medicamentos. “Mas esses conspirativos donos das farmácias já foram presos pelo Sebin, e já pedi à procuradoria para acelerar todos os trâmites para que fiquem bem presos e parem de sabotar o povo venezuelano”, informou o Presidente.

Na manhã seguinte, a superintendência de preços justos, uma agência estatal de concorrência, deu conta da abertura de um procedimento administrativo contra a Farmatodo, na sequência de uma inspeção realizada pessoalmente pelo chefe do departamento que investiga a guerra económica (que é o antigo ministro da Informação Ernesto Villegas). No seu relatório, concluía que a rede de farmácias estava a agir “de forma deliberada” para manter filas de clientes no exterior dos seus estabelecimentos.

Num comunicado, a empresa esclareceu que os seus dirigentes não foram detidos mas antes “convidados a prestar declarações” pelo Sebin. “Estamos permanentemente à disposição das autoridades para que fiscalizem as nossas operações, como aliás têm feito com as mais de 60 inspecções que foram realizadas satisfatoriamente durante o mês de Janeiro”, acrescentava a companhia, sublinhando que “a conduta da Farmatodo é transparente”.

No entanto, a agência Bloomberg e vários outros media internacionais citaram fontes da empresa que, sob anonimato, esclareceram que o presidente do conselho de administração, Pedro Luis Angarita, e outros dois dirigentes da Farmatodo, permaneciam detidos e sem acesso a um advogado.

A rede Farmatodo, fundada em 1990, tem um modelo de negócio semelhante ao das cadeias norte-americanas de farmácias: além de dispensar medicamentos mediante receita médica, também vende medicamentos de consumo aberto, além de outros produtos de drogaria e higiene pessoal e comida processada. “Um exemplo do sucesso do setor privado”, descreveu o rival presidencial de Maduro e líder da oposição, Henrique Capriles, que numa mensagem no Twitter disse que as consequências da medida do Governo ultrapassam a esfera das farmácias. “Estamos falando em em acabar com o pouco que resta.”

Também a mulher de Leopoldo Lopez, um outro político de oposição que está detido há mais de um ano, se referiu à tomada de controlo da rede de farmácias pelo Governo. “Estamos com a Farmatodo, os seus trabalhadores e familiares, que sofreram um ataque direto de um Governo que pouco se importa com a população”, considerou Lilian Tintori.

Segundo explica a BBC Mundo, na Venezuela, as filas à porta das lojas são sinal de abastecimento. “Se há fila, é porque há produtos. Quando não há produtos, não há fila”, referiu Judith Volcán, uma habitante de Caracas que como o resto dos venezuelanos se tornou especialista na arte de esperar na fila dos supermercados pela oportunidade de se abastecer. Na sua opinião, o facto de esta semana ter deixado de haver filas nos estabelecimentos da Farmatodo na capital não tem nada que ver com a intervenção governamental, que decretou que todas as caixas estivessem a funcionar ao mesmo tempo. “É porque não há nada”, garantiu Volcán, de 68 anos.

A Venezuela, que importa cerca de 70% dos alimentos que consome, atravessa uma dramática crise de abastecimento e escassez de bens de primeira necessidade, de produtos alimentares a medicamentos, papel higiênico e fraldas descartáveis, que se aprofundou ainda mais com a quebra do preço do petróleo no mercado internacional – com a diminuição das receitas provenientes das exportações de crude, a base da economia venezuelana, o défice da balança comercial tornou-se ingerível. As previsões do Fundo Monetário Internacional apontam para uma contracção de 7% na economia venezuelana em 2015.

http://youtu.be/Qqvb4oDInQ8

Magnifica composição de Lenine. Extraordinária interpretação de Elza.

Bahia em Pauta aplaude de pé aos dois.Em especial a Elzinha, que anda de visita, canta e encanta em Salvador nestes dias quentes e impacientes do verão de 2015.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

fev
04


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DEU NO G1/GLOBO

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, e outros cinco diretores da petroleira renunciaram ao cargo, segundo comunicado da estatal nesta quarta-feira (4). A empresa não confirmou os nomes dos executivos que deixam a diretoria, composta por sete pessoas.

Segundo a assessoria de imprensa da estatal, no entanto, o diretor de Governança João Adalberto Elec, que tomou posse no mês passado, é um dos dois que permanecerão.

Os novos ocupantes dos cargos na diretoria serão eleitos em reunião do Conselho de Administração que será realizada na sexta-feira (6), informou a empresa.

A saída da diretoria acontece em meio às investigações da Operação Lava Jato de um escândalo de corrupção na estatal e à dificuldade da atual gestão da companhia para quantificar os prejuízos com fraudes em contratos de obras durante anos.

O governo vinha sofrendo pressão do mercado pela saída da executiva, cuja gestão foi marcada por graves denúncias de corrupção e pelo acúmulo de resultados negativos.

Embora a maior parte dos problemas tenha sido agravada por decisões feitas antes da chegada de Graça Foster à presidência da estatal, a executiva – ainda que não tenha sido implicada diretamente nas investigações da Lava Jato – acabou perdendo as condições políticas para se manter no cargo.

Saída esperada

Na terça-feira, o colunista Gerson Camarotti adiantou que interlocutores da presidente Dilma Rousseff estavam em busca de um substituto para Graça no comando da Petrobras e disse que a substituição seria feita quando for encontrado um perfil adequado.

Graça passou a tarde de terça-feira reunida com a presidente Dilma Rousseff, mas nenhuma decisão foi anunciada até a manhã desta quarta.

Os rumores sobre a saída de Graça ao longo da terça-feira fizeram disparar as ações da Petrobras, que fecharam em alta de mais de 15% na Bovespa. Nesta quarta, a confirmação da troca de comando continua dando fôlego à alta das ações da estatal: por volta das 11h, os papéis preferenciais subiam 6,5%, enquanto os ordinários tinham alta de 6,74%. Siga a cobertura em tempo real

Anúncio a investidores

Quando as ações de uma empresa oscilam muito em um dia, a Bovespa envia um ofício a ela questionando o que ocorreu. Nesta terça-feira, a bolsa questionou a Petrobras sobre a saída de Graça Foster e pediu esclarecimentos, “o mais breve possível”, além de outras informações consideradas importantes.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza e disciplina o mercado, deu um limite para a resposta: 9h desta quarta-feira.

Às 10h13, a Petrobras enviou um comunicado dizendo: “Em resposta a esta solicitação, a Petrobras informa que seu Conselho de Administração se reunirá na próxima sexta-feira, dia 06.02.2015, para eleger nova Diretoria face à renúncia da Presidente e de cinco Diretores”.


Pinto: “jus sperniandi” ameaçado por Nilo
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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Corda estica na Assembleia Legislativa

Deputados do PT reuniram-se hoje após a sessão solene da leitura da mensagem do governador Rui Costa e “a ideia”, segundo a deputada Luiza Maia, continua sendo “questionar na Justiça a legalidade do processo” que conduziu o deputado Marcelo Nilo (PDT) ao quinto mandato de presidente da Casa.

A parlamentar informou que a conversa envolveu a bancada, o presidente regional, Everaldo Anunciação, e advogados do partido, que estão estudando a fórmula adequada para o recurso judicial, ao qual se daria entrada segunda-feira próxima, embora o líder Rosemberg Pinto houvesse dito, mais cedo, que a medida seria tomada “até amanhã”.

Indagado sobre a movimentação petista, o deputado Marcelo Nilo disse que reagirá a qualquer iniciativa que ponha em risco sua eleição: “Se a bancada entrar com uma ação, romperei com a bancada. Se o partido subscrever, romperei também com o partido”, ameaçou. Por Escrito tentou, sem êxito, um contato com o deputado Rosemberg.
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Rosemberg diz que Nilo mentiu sobre PEC

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Mesmo num dia solene, com a presença do governador Rui Costa na Assembleia Legislativa, a polêmica sobre a eleição do presidente da Casa continuou acesa, com o líder do PT, Rosemberg Pinto, declarando a toda a imprensa reunida na sala do cafezinho que o presidente Marcelo Nilo é “mentiroso”.

Os jornalistas abordaram o petista para perguntar sobre as medidas judiciais que serão tomadas pela bancada na tentativa de anular a eleição de presidente. Rosemberg adiantou que será feita uma Ação Direta de Inconstitucionalidade e haverá também a impetração de um mandado de segurança “de hoje para amanhã”.

Rosemberg disse que Nilo usa os critérios “de acordo com sua conveniência”. Em 2013, teria dito que a questão da reeleição na mesma legislatura “não estava regulada” e que ele apoiaria uma emenda constitucional para proibi-la. “Agora ele diz que de uma legislatura para outra não se caracteriza a reeleição”.

Questionado por um repórter sobre a afirmação do presidente de que, há pouco mais de um ano, retirara a PEC contra a reeleição a pedido dele próprio e do depuitado Paulo Rangel (PT), Rosemberg foi taxativo: “É mentira dele! Podem escrever aí que ele é um mentiroso”.

Segundo o líder do PT, Nilo se comprometeu a levar a PEC ao plenário e, embora não fosse, pessoalmente, votar a favor, se absteria de fazer campanha contrária. “Em vez disso, ele fez manobra, chamou os deputados ligados a ele ao seu gabinete e orientou-os a esvaziar a sessão para que a emenda fosse derrotada por falta de número”.

Diante da situação, o deputado Rangel, e não ele, “entendendo que era uma manobra, solicitou a exclusão da matéria da pauta”, disse Rosemberg, acrescentando que deputado Marcelo Nilo confessou a estratégia ao próprio governador Rui Costa, ainda na campanha eleitoral. “Ele disse isso ao governador e a mim numa viagem que fizemos a Itapetinga”.
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Insatisfação da bancada iria além da eleição

No meio político, a versão corrente é de que Rui Costa, assim como não quer agora a judicialização da disputa, desejava que a bancada petista apoiasse Nilo, que já estava com a vitória praticamente assegurada, para não causar fissuras na base exatamente no início do governo.

Não teria conseguido não apenas por causa da disposição pessoal de Rosemberg de candidatar-se, mas porque parte dos deputados não está muito satisfeita com a distribuição de cargos, especialmente com a destinação que poderá ter a Embasa.

Fonte deste blog confidenciou que Rui teria tentado dissuadir Rosemberg, aconselhando-o a “colar em Marcelo como vice” para ter sua oportunidade na próxima eleição, daqui a dois anos.

Na solenidade de hoje, chamaram a atenção as diversas referências – pelo menos cinco – que o governador, ao longo do discurso, fez ao presidente da Casa, o primeiro parabenizando-o pela “expressiva vitória”, decorrente da “absoluta vontade de seus pares”.
(LAG)

BOM DIA!!!


Dilma na inauguração da Casa da Mulher, em Campo Grande.
/ R. S. F. (PR)

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DEU NO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, encurralada em distintas frentes, políticas e econômicas, decidiu atacar uma: a da maior empresa pública da América Latina, a petroleira Petrobras, carcomida por sucessivos escândalos de corrupção. Rousseff decidiu hoje, segundo a agência Reuters, aceitar a renúncia de Graça Foster, a presidenta da mega empresa, com mais de 85.000 empregados. Graça Foster há meses já havia posto seu cargo à disposição, mas a chefe de Estado acabava sempre – até esta terça _ por respaldá-la. No entanto, ainda não há dia certo para a saída efetiva nem da executiva nem da diretoria, o que poderia demorar inclusive semanas.

Os escândalos que sacodem a maior empresa pública do país e da América Latina, a Petrobras, não deixam de sair à luz. Nesta terça-feira, Julio Camargo, um dos acusados de subornar altos cargos da Petrobras que, presos, decidiram denunciar o sistema de corrupção, afirmou que pagou 12 milhões de reais para obter concessões de obras. O contínuo gotejar de informações desse tipo, somado à crescente queda no valor da empresa, levaram Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo, a pensar em destituir o quanto antes a atual presidenta da petroleira, Graça Foster, que está no cargo há três anos e que foi uma aposta pessoal da atual presidenta. Na manhã desta terça, a informação da Folha de S. Paulo, que ainda não foi confirmada oficialmente pelo Governo, mas bastou que fosse publicada em sua edição digital para que as ações da petroleira disparassem até 10%. No fim do ano passado, em um café da manhã com jornalistas em Brasília, Dilma defendeu Foster, de quem se considera amiga, e afirmou que não pretendia substituí-la. “Eu a conheço. Sei de sua seriedade e sua correção”, afirmou.

Mas dois meses, no atual turbilhão de más notícias que acossam o Governo de Dilma, é muito tempo. A sangria da Petrobras é enorme: em 2010 valia 380,2 bilhões de reais. Quatro anos depois, como consequência, principalmente, de investimentos mal calculados e das revelações da corrupção que a carcome, seu valor é 2,3 vezes menor: 112 bilhões de reais. A empresa ainda ganha dinheiro, embora os lucros do terceiro trimestre de 2014 tenham caído 9,07% em relação ao mesmo período de 2013, segundo o balanço publicado na quarta-feira, que não inclui o montante roubado.

Esse não é o único dado econômico adverso. O ano fechou com a economia em plena fase de paralisia, com o PIB pairando muito pouco acima de zero. O FMI calcula que o Brasil, um dos países emergentes que há poucos anos assombrava o mundo com taxas de crescimento superiores a 6%, só superará um anêmico 0,3%. A exportação de matérias-primas atolou e a indústria encolheu: de fato, a produção industrial recuou 3,2% no ano passado, o pior registro desde 2009.

E tudo ficará pior se não chover. E muito. A maior seca dos últimos 80 anos ameaça racionar a água cinco dias por semana aos habitantes da maior cidade do país, São Paulo, se as represas não encherem antes do mês de abril. Muitos habitantes de bairros periféricos já estão vendo com as torneiras secam durante muitas horas por dia, há bares e restaurantes que já estão contratando regularmente caminhões cisterna e a demanda de caixas d’água gigantes de plástico disparou com a ameaça, cada vez mais certa, de que toda a megacidade seque. As consequências não serão apenas sociais, mas também econômicas. A seca encarece os preços dos mantimentos, prejudica a já debilitada indústria e, indiretamente, afetará o fornecimento (e o preço) da energia elétrica. Tudo isto repercutirá automaticamente no calcanhar de Aquiles da economia brasileira, a inflação, que já está no limite tolerado pelo Governo, 6,5%. Os especialistas arriscam afirmar, além disso, que se não começar a chover, só na indústria a seca significará um retrocesso de 0,6% do PIB.

Como se fosse pouco, domingo Dilma sofreu uma derrota política na Câmara dos Deputados, onde Eduardo Cunha foi eleito presidente da casa, um velho adversário que pressagia, para a presidenta, uma difícil relação com o legislativo.

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fev
04
Posted on 04-02-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-02-2015


Thiago Lucas, na Folha de Pernambuco


O chefe do Gabinete argentino, Jorge Capitanich,
rasga páginas do Clarín. / EF

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DEU NO EL PAIS

O promotor argentino Alberto Nisman, que foi encontrado morto em janeiro, um dia antes de apresentar no Congresso supostas provas contra a presidenta argentina, Cristina Kirchner, pensou em pedir sua prisão. Nisman solicitou a acusação penal contra Kirchner, seu ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, e um de seus deputados, Andrés Larroque, por suposto encobrimento de funcionários e ex-funcionários iranianos acusados pelo atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) de 1994 em Buenos Aires, no qual 85 pessoas morreram. Um documento encontrado na casa do promotor revela agora que Nisman escreveu um rascunho no qual solicitava, também, a prisão de Kirchner, segundo confirmação, na terça-feira, da promotora Viviana Fein, que investiga a morte de Nisman. Fein esclareceu que no final o pedido de prisão não foi incluído na acusação que o fiscal apresentou à justiça antes de morrer.

No domingo, o jornal Clarín publicou que a polícia encontrou em um cesto de lixo da casa de Nisman o rascunho com o pedido de prisão, e que o documento constava no processo sobre sua morte. A promotora Fein e o Governo de Cristina Kirchner desmentiram a informação publicada pelo jornal, opositor do Kirchnerismo. Na segunda-feira, em sua entrevista coletiva diária, o chefe de Gabinete dos ministros, Jorge Capitanich, rasgou em público as duas páginas do Clarín nas quais estava a notícia. O polêmico gesto foi repudiado por parte da imprensa e a oposição.

Na terça-feira, a promotora negou o que havia dito, e deu razão aos jornalistas que assinam o artigo, Nicolás Wiñazki e Daniel Santoro. Fein reconheceu um “erro de interpretação”. Disse que na realidade ela havia desmentido o fato do pedido de prisão estar na acusação apresentada pelo promotor antes de morrer, mas acabou confirmando que o rascunho existe e que foi incluído em sua investigação. Ou seja, aparentemente Nisman avaliou a possibilidade de pedir a prisão de Kirchner, Timerman e Larroque, mas acabou desistindo.

Com suas novas declarações, a promotora deixou em maus lençóis Capitanich e seu gesto contra os jornalistas que escreveram a notícia. Um deles, Santoro, é um profissional que já recebeu prêmios como o Rey de España, o Moors Cabot e o da Fundação García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano. Suas investigações acabaram levando o ex-presidente argentino Calos Menen (1989-199) à prisão domiciliar por alguns meses por suposto contrabando de armas.

Nisman apresentou sua acusação contra Cristina Kirchner, seu ministro, o deputado do coletivo jovem kirchnerista La Cámpora e outras quatro pessoas quatro dias antes de morrer. Juristas que analisaram sua acusação, entretanto, consideram que as escutas telefônicas, depoimentos de funcionários, citações de artigos jornalísticos e fatos citados nos quais se apoia dificilmente poderão se transformar em prova de um crime, conforme reconheceu um artigo publicado pelo La Nación, outro jornal crítico do kirchnerismo

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