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São Paulo de todos os encontros

Maria Aparecida Torneros

Pisei na cidade de São Paulo pela primeira vez aos 18 anos com a turma da faculdade. Fomos ver a Bienal de Arte no ônibus da Universidade Federal Fluminense. Ida inesquecivel. Era 1969. Nós além da arte passamos pela cidade. Havia a feira hippye na Praça da Republica. Andamos pela boca do lixo. Pelo Bexiga. Dormimos nos alojamentos de atletas do Pacaembu.

Precisei dar um telefonema e bati na porta de uma mansão. Jamais esquecerei a cena. Um mordomo me atendeu e foi perguntar ao dono se eu podia usar o telefone. Subi a escadaria e conheci o costureiro Denner que trocou algumas palavras comigo enquanto eu avisava meu pai a hora da chegada ao Rio.

Aprendi que SAMPA é assim mesmo. Ali todo mundo se encontra. Ao longo da vida profissional voltei lá muitas vezes como jornalista e como escritora em bienais do livro. Cheguei a morar por duas vezes na cidade. Em 89 e 98. Trabalhei muito e me acostumei com sua loucura. Fiz amigos.

Há uns 4 anos estava na casa de uma amiga no Paraíso e fomos ver Elza Soares no bar Brhama na famosa esquina da Ipiranga com São João da música do Caetano. Muitas ocasiões levei pessoas ao Terraço Itália. Morei em Moema e na Freguesia do Ò. Trago em mim uma ideia carinhosa da megalópole que aniversaria neste 25 de janeiro.

Adoniran era a cara de SAMPA. Isaurinha Garcia também. Rua Augusta e Paulista as vias mais charmosas da Paulicéia. Higienópolis tem seu charme burguês mas o Planalto Paulista tem casinhas de boneca. Trafegar na 23 de março é atravessar um mundo. As exposições do MASP são imperdíveis. A estação da luz um patrimônio.

E encarar SAMPA de frente é mesmo difícil. A gente se perde. Não se reconhece. Identidade diluída que responde por um Brasil corrido. Ali já me senti eterna aprendiz. E sonhei voltar sempre. Toda vez que volto lembro que narciso acha feio o que não é espelho. E saúdo o aglomerado de gente e prédios.

Palmas para a cidade de todos nós. Migrantes e amantes de uma expressiva representante do clamor nacional por um pais que merece ser melhor e mais organizado com oportunidades iguais ou com direitos respeitados. Parabéns SAMPA. Obrigada por me receber na sua correria com pizza da mama e balada das suas noites brilhantes em Vila Madalena. Nas manhãs agradeço as delicias das suas padarias e nas tardes da 25 de março seu sanduíche de pão com mortadela do Mercado Municipal tem o gosto exato da mistura humana mais saborosa do Brasil.

Cida Torneros é jornalista e escritora, cidadã do mundo, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

http://youtu.be/d4RhNvjk4YI

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Comentários

Cida Torneros on 24 Janeiro, 2019 at 21:45 #

Hoje é aniversario de Sampa, cidade que adoro. lembrei deste artigo e fui reler. Saudades da cidade em que nossa identidade se perde, mas continua a ser a locomotiva do Brasil. parabéns, Paulicéia desvairada, por ser este lugar onde todos se encontram.


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