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O procurador-geral Alberto Nisman, encontrado morto na madrugada de ontem, 19, deixou um bilhete para a sua diarista – revela nesta terça-feira o jornal Clarín. De acordo com o diário argentino, a informação foi confirmada por George Kirszenbaum, ex-presidente da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia) e amigo de Nisman. Para Kirszenbaum, o bilhete lança dúvidas sobre a hipótese de suicídio. A nota escrita pelo procurador-geral era uma lista de compras que deveriam ter sido feitas nesta segunda. “Ontem [segunda] eu estive em contato com um parente de Nisman. Ele esteve no apartamento e viu parte do material que Nisman iria expor no Congresso. Ele encontrou uma nota para a empregada, onde Nisman dava orientações de compras”, disse Kirszenbaum.

Nisman foi encontrado morto com um tiro em sua cabeça na madrugada antes de fazer uma exposição no Congresso argentino. Em um relatório de mais de 300 páginas, ele recentemente acusou a presidente Cristina Kirchner e outros membros de governo de encobrir iranianos envolvidos no atentado terrorista contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994.

“A família não fala sobre suicídio”, disse Kirszenbaum. Se o bilhete encontrado for considerado autêntico pela Justiça, é um sinal de que Nisman “não tinha intenção de cometer suicídio”, finaliza Kirszenbaum. Nesta terça, a promotora encarregada da investigação, Viviana Fein, classificou o caso como uma “morte suspeita” e afirmou estar investigando a hipótese de “indução ao suicídio“.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, em uma longa carta publicada em seu perfil oficial no Facebook, classificou o incidente como “suicídio” e desqualificou a investigação que Nisman conduziu ao longo de dez anos tentando desvendar o atendado.

O caso – O promotor Alberto Nisman foi encontrado morto na madrugada desta segunda-feira em seu apartamento em Puerto Madero, Buenos Aires. Na última semana, ele havia apresentado uma longa denúncia envolvendo a presidente Cristina Kirchner e vários apoiadores, segundo a qual o governo agiu para acobertar iranianos envolvidos no atentado contra a sede da Amia, em julho de 1994, que deixou 85 mortos.

O promotor havia sido alvo de ameaças – em uma ocasião, um recado foi deixado em sua secretária eletrônica advertindo que ele seria caçado e levado a uma prisão iraniana. Além disso, a denúncia contra Cristina apresentada na quarta-feira e a audiência marcada para esta semana no Congresso com o objetivo de apresentar mais detalhes representava o coroamento de um trabalho de investigação iniciado há mais de dez anos.

Quem é citado na denúncia sobre o atentado contra a Amia

Promotor argentino acusa presidente Cristina Kirchner e vários apoiadores de negociar com o Irã para encobrir envolvidos em ataque contra centro judaico em 1994

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