ACM Neto:acenos no cortejo do Bonfim…

================================================


Mercadante e Juca:simbologia petista no MinC

—————————————————————————


ARTIGO DA SEMANA

Marta, Juca, Bonfim: Dança do PT à beira do fogo

Vitor Hugo Soares

Se uma boa foto vale por mil palavras – assim dizem os melhores manuais de jornalismo e comunicação – então, pode multiplicar por dois o peso político do significado simbólico da imagem mais divulgada da explosiva cerimônia de posse no Ministério da Cultura do segundo governo Dilma: o abraço, seguido de forte aperto de mãos e sorrisos mais que expressivos, trocados entre o ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante e o novo dono do pedaço no Minc (de volta), Juca Ferreira.
É o que se pode denominar de bailado do PT à beira da fogueira acesa pela senadora paulista e ex-ministra Marta Suplicy. Ela parece anunciar sua retirada do ninho antigo riscando fósforo em gasolina e, ao mesmo tempo, disparando balas para todo lado, com metralhadora giratória e língua ferina e afiada. Além do dossiê de contratos, do tempo de Juca, que ela entregou na CGU.
E por falar em Bahia, e política nacional, vale contar: entendidos de signos de comunicação e palpiteiros em geral, que rondam o poder como libélulas em tempo de chuva, andam multiplicando por quatro, o impacto das imagens nas tvs, jornais, blogs e sites de notícias na Internet, do cortejo da Lavagem do Bonfim, na quinta-feira, 15, em Salvador.
O desfile que misturou mais uma vez fé, religiões, culturas, algazarra popular e muita política, no espaço de cerca de oito quilômetros entre o largo da Conceição da Praia e a igreja do dono da festa, na Colina Sagrada dos baianos, passou belo e empolgante, como sempre. E segue rendendo conversas e suspeitas de bastidores que tendem a durar ainda por um bom tempo. Tanto pelo que se vê nas fotos e vídeos, como pelo que não está explícito nos registros.
No primeiro caso, as entusiásticas e prolongadas manifestações de aplausos e reconhecimento ao prefeito de Salvador, ACM Neto, do DEM, (primeiro colocado na pesquisa do Ibope entre os melhores gestores de grandes capitais do País). Dentro e à margem do desfile, gritos e sinais de aprovação, abraços, beijos, flores, água de cheiro jogada na cabeça do prefeito por “baianas” no melhor estilo do lugar. Da partida à chegada do cortejo – andando a pé como recomenda a tradição – um auê de dar inveja a qualquer político ou administrador público. Com sobras de prestígio despejadas sobre outras cabeças aliadas, a exemplo do deputado Lúcio Vieira Lima, um dos mais votados no Estado na eleição passada, que desponta, agora, como fortenome para líder do PMDB na Câmara.
No segundo caso, espaços enormes de desencanto e frustrações. Causados, principalmente, pela ausência de três maiorais do petismo na Bahia: O governador recém empossado, Rui Costa, presença anunciada e assegurada até pouco antes da largada do cortejo, foi atacado por uma inesperada traqueobronquite, segundo seu secretário da Saúde, e aconselhado pelos médicos (depois de exames de laboratório) a guardar repouso no Palácio de Ondina pelas próximas 72 horas. Baixa mais que significativa na primeira Lavagem do Bonfim em seu governo.
Ausente também o ex-governador Jaques Wagner. Atual ministro da Defesa, o petista preferiu ficar cuidando de seus afazeres em Brasília. Em mensagem, através de sua página no Facebook, o ex-governador explicou: ”Não pude participar, este ano, do cortejo e subir a Colina Sagrada, mas, daqui de Brasília, saúdo os devotos daquele que é o padroeiro do povo da Bahia e representa, no sincretismo religioso, Oxalá”.
Wagner, ainda à frente do governo baiano, também não cumpriu o percurso do cortejo no ano passado. As vésperas da festa deu uma topada durante caminhada em Ondina e precisou usar bota ortopédica. No dia da Lavagem andou apenas uns 200 metros, a partir da largada, e teve de abandonar a caminhada, acusando dores fortes e para não agravar a fratura. O caminho então ficou livre para a primeira apoteose de ACM Neto na grande festa que atrai olhos nacionais e estrangeiros.
O terceiro grande ausente foi o ministro da Cultura, Juca Ferreira, habitual frequentador do cortejo desde os bancos acadêmicos na UFBA. O petista titular do Minc não deu justificativas para a ausência, mas corria de boca em boca que ele estava recolhendo munição pesada entre Brasília e São Paulo, para futuros embates com Marta Suplicy.
Juca, que ninguém se engane, é bom de briga e não costuma fugir de polêmica. Ao contrário, não raramente as provoca. Para os que ainda o desconhecem, não custa lembrar: ele é formado nas hostes do movimento tropicalista, gestado a partir dos anos 70, e que revirou a cabeça do país culturalmente.
Desde então Juca Ferreira aprendeu a dar nó em pingo d’ água. A fazer incríveis malabarismos sobre o arame e no meio dos rodopios constantes da política na Cidade da Bahia (na expressão de Gregório de Matos e Jorge Amado), e brasileira. Aluno dileto da escola de pensamento de Gilberto Gil. Velho camarada, do peito, do poeta José Carlos Capinan, com quem Juca também trocou um dos abraços mais apertados e emocionados da concorrida e faiscante festa da posse no Minc esta semana.
O resto, a conferir.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta, E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 17 Janeiro, 2015 at 6:55 #

Caro VHS

Que Oxalá continue te iluminando.

Porque hoje é sábado, a Bahia desfila em teu texto, delicada, sestrosa, morena, mágica.

Capinan merece perdão mesmo quando afoito se enrola em Juca. Está acima destes deslizes, flutua sem sujar a barra.

Já Wagner, com o andar de janeiro e a proximidade de fevereiro sob às águas de Lava Jato, coloca as barbas molho, entrincheirou-se no Ministério da Defesa buscando socorro na ordem unida. Afinal fez parte dos doces encantos de pertencer ao conselho de Administração da então lactante de benefícios espúrios, a nossa Petrobrás.

Wagner deve mesmo se cuidar, fingir-se de morto, quando muito de estátua de Caxias.

Tim Tim!


Cida Torneros on 17 Janeiro, 2015 at 7:00 #

Bom final de Semana, Vitor e equipe, em verão torcido e causticante estragos, nosso Sudeste repensa a gestão das AGUAS enquanto nosso Nordeste retoma as redeas culturais deste país pluralista. E tome de plural na lavagem do Bomfim. Presenças e ausencias além do que você ficaria com maestrla: O embate ou jogo político fervendo com olhos em novas disputas presidênciais ou estaduais/municípios. Mais pluralidade impossível. Metralhadoras giratorias? Elas são a própria guerra pelas asas do poder e nem importam as nuances ou cores partidarias ou religiosas. Fé como canta o Gil, Melhor andar com ela. E este segundo Governo Dilma tem cheiro de Bahia e tempero comedido pelas mãos de tesoura do Joaquim corta gastos. De resto, mais uma vez parabéns pela análise e como você diz: a conferir pois temos uma Defesa com gosto de acaraje pra lembrar que o J Wagner leva jeito de saber dosar o vatapa brasileiro. Lembro a letra e saudo o prato do dia!

Vatapá
Gal Costa

Quem quiser vatapá, ô Que procure fazer Primeiro o fubá, depois o dendê Procure uma nega baiana, ô Que saiba mexer Que saiba mexer, que saiba mexer Procure uma nega baiana, ô Que saiba mexer Que saiba mexer, que saiba mexer Bota castanha de caju, um bocadinho mais Pimenta malagueta, um bocadinho mais Bota castanha de caju, um bocadinho mais Pimenta malagueta, um bocadinho mais Amendoim, camarão, rala um coco Na hora de machucar Sal com gengibre e cebola, ô iaiá Na hora de temperar Não para de mexer, ô Que é pra não embolar Panela no fogo, não deixa queimar Com qualquer dez mil réis e uma nega, ô Se faz um vatapá, se faz um vatapá E que bom vatapá Com qualquer dez mil réis e uma nega, ô Se faz um vatapá, se faz um vatapá E que bom vatapá Bota castanha de caju, um bocadinho mais Pimenta malagueta, um bocadinho mais Bota castanha de caju, um bocadinho mais Pimenta malagueta, um bocadinho mais

Abraços
Cida Torneros


Mariana Soares on 17 Janeiro, 2015 at 10:16 #

É! Parece que o nosso ministro de Defesa já comecou “bem” o seu reinado entre os militares…consta do noticiário de hoje que ele concedeu aumento de 30% aos empregados da Imbel! Alguém sabe o que faz a Imbel e quem “trabalha” lá? É bom ficar de olho…
No meu caso, vou rezar para que o “Joaquim” corte, com gosto, mais esta atrocidade!
E bom sábado a todos, se é que é possível nessa sauna em que estamos vivendo e estes governantes desgovernados que estão por ai…


luís augusto on 18 Janeiro, 2015 at 8:51 #

Um ministro cumpre seu papel de tabelião de luxo, e o outro nem se arvore a cortar essa verba.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos