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OPINIÃO

JORGE HAGE, UM EXEMPLO DE HOMEM PÚBLICO

Margarida Maria Costa Batista*

Vivíamos a década de 60. O cenário, Los Angeles, California USA – Universidade do Sul da California – Escola de Administração Pública, onde cursávamos o mestrado, nos preparando para o magistério na recém criada Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia. Éramos todos jovens, todos tínhamos em comum o arroubo e entusiasmo da juventude, mas um de nós se destacava, não apenas por ser o caçula do grupo, mas por certos traços que, no futuro, o conduziriam por uma trajetória especial. E os traços que o jovem Jorge Hage Sobrinho revelava e forjariam o profissional de sucesso poderiam parecer a alguns contraditórios. O bom humor e as brincadeiras, uma constante em seu jeito de ser, não tinham espaço na hora do estudo e preparo dos trabalhos acadêmicos. A tolerância com certos comportamentos não transigia quando se tratava de valores éticos e chamada para a responsabilidade. A chamada para a responsabilidade era a marca do líder que se faria respeitado como professor, e no desempenho do executivo nos muitos cargos que ocuparia na vida profissional. A liderança que exercia não tinha a marca do poder pessoal; era voltada para a realização dos objetivos da organização.

Entre todas essas características se destacava a sua extraordinária capacidade de trabalho; ele era, sempre foi o que hoje se chamaria “workholic”. Essa sua forma de ser lhe valeu entre seus alunos e colegas de trabalho a designação de “cavalo árabe”. Acompanhar o seu pique de trabalho não era fácil. Mas era essa garra, esse pique de trabalho que contagiava a todos nós e tornava as organizações que dirigia diferenciadas pela harmonia e capacidade empreendedora com que ele moldava, com sua liderança, a equipe de trabalho.

O perfil do jovem professor logo o levaria a ocupar outros cargos na Universidade e no Ministério da Educação. Prefeito de Salvador na década de 70, a sua gestão, apesar de breve, se destacaria por medidas inovadoras e corajosas, em que sobressaia a sua seriedade e independência de caráter, jamais cedendo a pressões para concessão de favores e benefícios de grupos, quaisquer que fossem. E tais atributos seriam igualmente a marca registrada do Deputado Estadual, do Deputado Federal Constituinte e do Juiz de Direito.

Depois de 12 anos na Controladoria Geral da União, para tristeza de sua equipe e de todos que o admiram e acompanham o seu trabalho, Jorge Hage afastou-se do cargo de Ministro-Chefe da CGU. Após um trabalho saneador e incansável no combate à corrupção na administração pública brasileira, ele confessou que precisava descansar. Os que o conhecem porém, sabem que o guerreiro não vai parar. Em outras plagas, de uma outra forma, ele se fará presente para combater o bom combate.

São personagens como Jorge Hage, exemplo de homem público, ético, batalhador incansável, que nos fazem acreditar no futuro do nosso país. Oxalá o legado que deixou na Controladoria seja devidamente valorizado com a continuidade dos projetos por ele iniciados.

Margarida Maria Costa Batista é professora aposentada da Universidade Federal da Bahia e Mestra em Administração pela University of Southern California

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Comentários

Mariana Soares on 12 Janeiro, 2015 at 19:33 #

Bravo! O ex-ministro Jorge Hage, com quem tive a oportunidade de trabalhar por sete anos, é realmente um homem público incomparável, incansável, além de brilhante, ético e empreendedor.
Viva ele, sempre!


Olívia Soares on 12 Janeiro, 2015 at 20:31 #

Salve Jorge! Já fazendo falta ao Brasil.


FRANCISCO PEDRO E, PEREIRA DE SOUZA on 13 Janeiro, 2015 at 15:36 #

FUI COLEGA DO JORGE NA USC. ACOMPANHEI SUA EXITOSA CARREIRA ATÉ SAIR DA CGU. ENDOSSO TUDO DO ARIGO ACIMA E DESEJO QUE SEU PROJETO DE INFORMATIZAÇÃO DAS C/CS PUBLICAS SEJA IMPLANTADO.


Paulo on 11 Fevereiro, 2015 at 10:48 #

Profa. Margarida, sou diretor do escritório que a USC mantém no Brasil desde 2013. Conheci recentemente uma pessoa, Ricardo Rubeiz, que fez parte desse grupo da Bahia que foi para USC nos anos 60. Tenho grande interesse em fazer contato com a Sra. bem como o Sr. Francisco Pedro, que comentou sua matéria no dia 13/01. Como não encontrei seu contato, estou escrevendo por aqui. Abs, Paulo


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