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DEU NO CORREIO DA BAHIA

PCdoB, mentiras e ocaso do Mauá
Jolivaldo Freitas

Os funcionários do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, tanto do Porto da Barra como de Pelourinho, não tiveram muito o que comemorar nos festejos de final de ano e entram 2015 com o coração em luto. Mas, acima de tudo, adentram esta nova era com uma mágoa muito grande do PC do B, a quem o instituto faz parte de sua cota política como partido de base do governo, do seu quinhão face à nova fase do governo petista que também está se iniciando. O Instituto Mauá está fechando as portas, conforme publicado no Diário Oficial.

O que será feito do Mauá ninguém lá sabe ao certo e estima-se que poderá ser gestado por uma organização não-governamental, privatizado ou simplesmente esperar que alguém apague a última luz e jogue as chaves ao léu. A ironia de tudo está patente e os funcionários nem gostam de lembrar que, dias antes das eleições passadas para governador na Bahia, uma força-tarefa do PCdoB saiu visitando as unidades do Mauá para alertar que não votassem em Paulo Souto pois tiveram acesso ao plano de governo do então candidato do DEM e descobriram que seu primeiro ato seria fechar o instituto.

Claro que os funcionários entraram em polvorosa e decidiram, mesmo aqueles que tinham suas diferenças com a política na área de turismo, com as ações de Jacques Wagner no trato com o funcionalismo público e os terceirizados e decepção com o próprio PT, prestar atenção ao que diziam os prepostos comunistas e votaram em peso em Rui Costa para governador. Daí, quando este anunciou a reforma administrativa da sua gestão, logo depois de eleito, os funcionários do Mauá viram que sofreram um 171; foram feitos de besta, foram enganados pelo PCdoB. Entram o ano novo com a guilhotina já escorregando em direção aos seus pescoços. E o PCdoB enfiou a cabeça na areia.

Mas não somente a situação dos funcionários do Mauá preocupa. Causa apreensão também o que será feito do espólio do instituto e qual organismo que agora terá a capacidade de executar o trabalho de valorização do artesão baiano e do artesanato regional, como sempre o fez este que se vai. Realmente é preciso coragem para fechar as portas de uma instituição que vai fazer 76 anos de história de valorização de importante parcela do patrimônio artístico e cultural do estado. Seu perfil sempre foi de fomentar, promover, comercializar e preservar o artesanato e a cultura da Bahia.

Já quando da sua criação, no século passado, ele passou a ser conhecido internacionalmente, pela produção realizada por senhoras de todo o rincão baiano (foi inicialmente chamado de Instituto Industrial Feminino Visconde de Mauá e vinculado à Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio). Muitas mães criaram seu filhos com o trabalho de confecção de roupas típicas, crochês, tricôs, lençóis de linho, panos da costa, toalhas rendadas, produtos de couro e artefatos diversos que tinham a garantia de um agente oficial a cuidar de colocar a manufatura no mercado até internacional. O Instituto Mauá é detentor de muitos prêmios internacionais.

Não sei como o Mauá vinha se comportando atualmente, com o aparelhamento feito pelo PCdoB, mas seu histórico (basta entrar no site antes que saia do ar, pois ele tem apenas três meses de vida até a morte inglória) é feito do estímulo à produção artesanal, ensino e capacitação, tanto na capital como no interior. Do couro ao sisal, da concha ao algodão, tudo se transforma em arte e podia ser encontrado em suas lojas. Seu carro-chefe sempre foi a Feira Baiana de Artesanato, levada para outras plagas e sempre elogiada e reconhecida, mostrando a força criativa dos nossos artesãos. A Bahia entra 2015 com o Mauá caindo no ostracismo na contramão de estados como Pernambuco, Ceará, Minas e Rio Grande do Sul que estão investindo cada vez mais em suas artes típicas. Perplexo com o feito, com certeza o visconde de Mauá, se vivo fosse, não votaria no PCdo B. E o estranho é que os artesãos, suas associações e cooperativas parecem que não sabem de nada. Inocentes!

* Jolivaldo Freitas é jornalista e escritor

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Comentários

Eleuza Ribeiro de Assiz on 11 Janeiro, 2015 at 18:28 #

Fiquei surprêsa com esse fato e lamento muito, considerando os relevantes serviços que os artesãos baianos veem prestando à sociedade, através do Instituto Mauá. Espero que isso não ocorra pois muita gente na bahia, sobrevive do artesanato.


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