Marcha Republicana em Paris:um domingo
para não esquecer.

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DEU NO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Carlos Yárnoz

Neste domingo, Paris é a capital mundial contra o terrorismo, lugar de um evento histórico sem precedentes em defesa dos valores democráticos contra a violência. Em meio à medidas extremas de segurança, cerca de 40 chefes de Estado e de Governo de todo mundo, principais dirigentes políticos do país e destacados representantes de comunidades religiosas lideram no começo da tarde a grande “marcha republicana” convocada para fazer frente ao desafio jihadista lançado contra a França esta semana, que resultou na morte de 20 pessoas, incluindo três terroristas. Em paralelo, ministros do Interior de vários países europeus se reunirão na capital francesa para coordenar várias medidas de urgência diante da nova ameaça do fundamentalismo islâmico radical.

A manifestação, iniciada às 15h (12h de Brasília) na praça da República, é liderada pelo chefe de Estado, François Hollande, que no sábado esteve em permanente contato com líderes que participarão do protesto neste domingo. Entre os dirigentes europeus que confirmaram presença estão a chanceler alemã Angela Merkel; o primeiro-ministro britânico, David Cameron; o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy; e os primeiros-ministros da Itália, Portugal, Bélgica, Grécia, Hungria, Croácia, Romênia e Suécia. Também estarão presentes o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Com um significado especial, também participam da manifestação o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. O rei da Jordânia e o primeiro-ministro turco anunciaram sua presença. O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, representará o Governo norte-americano, e participará da reunião de ministros do Interior.

Junto a Hollande e seu primeio-ministro, Manuel Valls, também participam da manifestação os ex-primeiros-ministros François Fillon, Alain Juppé e Jean-Pierre Raffarin, assim como o ex-presidente Nicolas Sarkozy, atual líder da União por Um Movimento Popular (UMP), o principal partido de oposição.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazenueve, anunciou “medidas excepcionais” de segurança ao mesmo tempo em que mantém o alerta máximo na capital. Franco-atiradores de elite, segundo ele, estarão localizados em telhados e terraços ao longo do percurso da passeata, que terminará na praça Nation, com um total de três quilômetros percorridos. Cerca de 24 unidades policiais de reserva estarão dedicadas exclusivamente à proteção dos líderes. Enquanto isso, outros 2.200 agentes se deslocarão por Paris e imediações para garantir a segurança dos lugares mais sensíveis da cidade, incluindo os centros de culto e embaixadas.

A grande manifestação deste domingo em Paris está sendo seguida de outras nas principais cidades do país. Esses protestos já foram precedidos por outros espontâneos realizados na quarta-feira passada, horas depois do ataque jihadista contra o jornal satírico Charlie Hebdo, que terminou com 12 assassinados e, no sábado, quando mais de 700.000 pessoas saíram às ruas de todo o país para expressar oposição ao terrorismo e ao antissemitismo. Nas manifestações de sábado, muitos dos participantes carregavam cartazes com a frase “Sou judeu”. Na sexta-feira, um dos terroristas mortos pela polícia matou quadro judeus em um mercado de comida kosher na avenida Vincennes de París.

As sinagogas estão especialmente protegidas desde sábado, mas o Governo anunciou que, se necessário, o Exército participará diretamente da vigilância. Hollande tem previsto participar depois da manifestação da Grande Sinagoga de Paris para mostrar sua solidariedade com a comunidade judaica.

O transporte público em Paris é gratuito neste domingo, mas várias estações do metrô próximas da passeata estarão fechadas.

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