Opinião

EDITORIAL

Seguiremos publicando

Editorial conjunto do EL PAÍS e outros cinco jornais europeus

O atentado cometido em Paris na quarta-feira 7 de janeiro contra o Charlie Hebdo e o odioso assassinato de nossos colegas, ferrenhos defensores do pensamento livre, não é apenas um ataque à liberdade de imprensa e à liberdade de opinião. É além disso um ataque aos valores fundamentais de nossas sociedades democráticas europeias.
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Já nos últimos meses, a liberdade de pensar e informar estava sob a mira, com a decapitação de outros jornalistas, norte-americanos, europeus e de países árabes, sequestrados e assassinados pelas mãos da organização Estado Islâmico. O terrorismo, seja qual for sua ideologia, rechaça a busca da verdade e não aceita a independência de espírito. O terrorismo islâmico, ainda mais.

Depois de negar-se a ceder às ameaças por ter publicado, há quase 10 anos, caricaturas de Maomé, o jornal Charlie Hebdo não mudou em nada sua cultura da irreverência. Com o mesmo ânimo, nós, os jornais europeus que trabalhamos juntos habitualmente dentro do grupo Europa, continuaremos dando vida aos valores de liberdade e independência que são o fundamento de nossa identidade e que todos compartilhamos. Continuaremos informando, investigando, entrevistando, editando, publicando e desenhando sobre todos os temas que nos pareçam legítimos, em um espírito de abertura, enriquecimento intelectual e debate democrático.

Devemos isso a nossos leitores. Devemos isso à memória de todos os nossos colegas assassinados. Devemos isso à Europa. Devemos isso à democracia. “Nós não somos como eles”, dizia o escritor tcheco Vaclav Havel, opositor do totalitarismo que triunfou e se tornou presidente. Essa é nossa força.

Editorial conjunto dos diários Le Monde, The Guardian, Süddeutsche Zeitung, La Stampa, Gazeta Wyborcza e EL PAÍS.

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Comentários

luís augusto on 9 Janeiro, 2015 at 20:55 #

Endosso o conteúdo, mas achei meio eurocêntrico. Uma mensagem dessas tem de ser universal.

Também, sem nenhuma restrição pessoal, a frase de Vaclav Havel não se refere ao contexto. Seu uso foi um toque de provincianismo.


vitor on 9 Janeiro, 2015 at 22:26 #

Concordo, Luis. Tem Europa demais no texto. E universalidade de menos . Os jornais ficam devendo um editorial menos provinciano. E olha que sempre fui um admirador de Vaclav Havel. Muito antes da visita que ele fez a Brasília e de volta da passagem pelo Palácio do Planalto, padiu para parar o carro na frente de um barzinho para tomar uma cerveja gelada de cair lágrimas da garrafa. Do jeito que vc gosta. E eu também. Em viagem a Praga, a guia Lucia ficou surpresa como “um brasileiro sabia tanto sobre o ator, poeta e grande líder político da Republica Tcheca, então ainda vivo e no poder. Tim Tim!


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