DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Da dignidade dos suicidas aos assassinos de hoje

Brincava a revista norte-americana de generalidades Reader’s Digest em edição da década de 50, na seção “Piadas de caserna”, que “o primeiro dever de um bom soldado não é morrer por sua pátria, mas fazer com que o inimigo morra pela pátria dele”.

No pós-guerra, os Estados Unidos consolidavam sua presença militar no globo terrestre, que continuamente se expande, calcada sobretudo na evolução da tecnologia bélica. O conceito jocoso da publicação, portanto, não estava longe da verdade.

Dali por diante, a guerra seria cada vez menos do combate direto entre humanos. No princípio, foi a bomba atômica, da desintegração de populações, das graves consequências ambientais e das sequelas impostas por decênios a centenas de milhares de vítimas.

Hoje, um país poderoso detém a visão completa do planeta, em todas as suas latitudes, longitudes e detalhes, monitorando-o em sistemas computadorizados de ponta e com capacidade de intervenção, digamos, imediata, sem falar na espionagem.

Mantém a capacidade de bombardear de longe com o prosaico apertar do botão. Porta-aviões cheios de mísseis prontos disparar em qualquer costa. E tem drones, pombos sem asa encaminhados supostamente a inimigos, mas Deus é quem sabe onde verdadeiramente lançam suas cargas letais.

Coube aos muçulmanos em geral e aos palestinos em particular inverter cruamente essa lógica militar nos anos que se seguiram à ampliação do domínio israelense no Oriente Médio. Os homens-bomba e os carros-bomba representaram – e potencialmente não se pode dizer que desapareceram – considerável instrumento de combate contra os tidos, pelo menos, como intrusos ou infiéis.

A vida colocou-se em nova dimensão, em que em si mesma não é nada, vale, na mente de quem assume esse papel, a contribuição extrema por melhor futuro para as próximas gerações e para alimentar a chama de um povo que, não há como negar, vive permanentemente em estado de guerra.

O ápice histórico dessa luta está, obviamente, no ataque ao World Trade Center, que, inspirado em grande parte pela causa palestina, foi um ato de guerra de inexcedível simbolismo, produto do aproveitamento máximo das condições existentes.

Os suicidas que arremessaram os aviões não sabiam a quem matavam, e seu sacrifício voluntário determinou uma mudança histórica que os torna, de fato, vitoriosos, embora suas vidas não valessem mais que as dos milhares de vítimas inocentes que fizeram.

O atentado da manhã de hoje em Paris, que se pretendeu até nivelar com o 11 de Setembro, é puro gangsterismo teológico, em que se matam pessoas determinadas, com frieza, porque não se concorda com suas ideias e depois e se foge do local do crime.

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